4. Contradição com a metafísica
Zu Ernst Jünger [2004]
Caracterização da posição fundamental e construção da obra. Tomada de posição. A “subjetividade”
Curso e panorama. Pautas de interpretação
12. Interpretação
A relação tríplice do trabalhador com o mundo (matéria, elementos), consigo mesmo e com a essência do ser define o espaço romântico e a sua protesta. A figura e a subjetividade conduzem à libertação como autolegislação, onde a liberdade é reivindicação de liberdade, inserindo-se na essência da subjetividade, que por sua vez se articula com o tempo, a história e o novo poder deviriente, cuja representação é a figura do trabalhador. Antes da meditação essencial, importa considerar a tipologia e a técnica como representação da figura, na qual a autoridade é o mais elevado, articulando identidade, poder e direito como “justiça”, em referência à situação metafísica fundamental de Nietzsche (“Poder”, “vontade de poder”) e à falta de clareza de Jünger.
13. Curso da interpretação. Repetição
As ideias diretrizes são a liberdade e o seu conceito, complementadas pela essência da liberdade moderna. O conceito de “trabalho” e de “trabalhador” é histórico, pois contém história e é história, podendo ser rastreado “historiograficamente”. A separação entre burguês e trabalhador envolve o seu conteúdo e a essência dessa diferenciação, que coloca o problema do diferente. A figura, cuja essência é elucidada a partir dos pensamentos de figura do século XIX (todo e soma), não é decisiva, mas sim a figura como “imagem” determinadamente necessitada do homem, inserida na metafísica da vontade de poder e do ultrahomem.
14. Curso da interpretação. Repetição
O elemento é mentado de modo mundial-histórico (vivência das batalhas, embriaguez) e humano-antropológico (“evitar” e assegurar, impulsos e paixões), devendo ser entendido metafisicamente como o sensível que vai ao encontro dos sentidos, em contraste com o racional e calculável (aióohta - paon yonta - ooofia; mu 8v [mundo aparente] – 8vToc 8v [mundo verdadeiro]). A nova relação com o “elemental” surge da inversão do platonismo, onde o “corpo”, as paixões e os impulsos tornam-se fios condutores da interpretação do mundo em lugar da “razão”. A inversão do platonismo é um intento de afastamento que, no entanto, retorna no plantio da figura, mantendo a primazia do subiectum como medida. A pura sensibilidade, o elemento por si só, é o caos, exigindo do “sujeito” um duplo salvar: a liberdade do homem (como liberdade “atual”) e a sua permanência, ambos em unidade com o sim ao elemento. A liberdade determina o poder da humanidade como subiectum, cujo fundamento e essência do plantio da figura é o asseguramento de permanência do animal homem, decorrente da indigência da transmutação de todos os valores – uma inversão do platonismo que não o afasta, mas mantém a ideia como perceptio platonizada, enredada no abandono do ser.
15. Sobre a tomada de posição
A contradição com Jünger só pode ser a contradição com a metafísica de Nietzsche e, por conseguinte, com a metafísica moderna, sendo possível apenas como contradição frente à metafísica em geral (filosofia ocidental), o que é essencialmente o outro início. O livro de Jünger é importante por proporcionar uma experiência do ente à luz do projeto nietzscheano do ente como vontade de poder, assegurando a permanência do homem no meio dele, embora a metafísica de Nietzsche não seja pensantemente concebida e se torne evidente e aparentemente supérflua.
16. O suposto trabalho explosivo de Jünger
Jünger faz saltar apenas as escórias que impedem o reconhecimento da época atual como o progresso irreflexivo da modernidade para o seu acabamento. Se a explosão tivesse caráter fundante, seria necessário fazer saltar a metafísica em geral (platonismo) e a metafísica moderna da subjetividade, diante das quais Jünger se encontra cegamente. Contudo, não se requer explosão, pois o outro início supera essencialmente, conforme a história do ser [Seyn]. Como Jünger apenas continua o vigente, seu trabalho explosivo tem a aparência do criar, servindo apenas à liberação do vigente já essenciante.
17. Capítulos importantes
Os capítulos n. 15, 16, 19, 21, 22, 24, 35, 39, 56, 57 são apontados como importantes.
18. A indiferença ante os conceitos
A indiferença diante dos conceitos e da fundamentação resulta apenas em “ação”, não no sentido de “cruzar de prisa” com frases gerais, mas no rigor inteiramente diferente do perguntar decisivo.
19. O recuerdo do dionisíaco
Recorda-se o dionisíaco subterrâneo, a verdadeira dor, as serpentes (venenosas, ameaçadoras, perigosas, rastejantes, significativas, ocultas, entrando e aparecendo, entrelaçando-se) e o crescimento desde a decomposição e do herbário dessecado.
20. Sobre os “Acantilados de Mármore”
Não foi levado a sério o ser do ente dentro do qual se joga; há apenas recursos e perplexidade, nenhuma superação, mas sim um extravio frutífero que ainda permanece na metafísica, sem cair no biologismo e na antropologia – embora se questione se haveria uma oculta queda. Os “Acantilados de Mármore” expressam a perplexidade no meio da época da metafísica acabada (Nietzsche).
Remete-se a “A vontade de poder”, n. 866 e segs. (cfr. n. 888) e à “construção orgânica”.
22. Vontade de poder e verdade = justiça
Jünger refere-se de modo pouco claro a que, com o plantio do ente em totalidade como vontade de poder, a verdade também muda a sua essência, mas não penetra esse contexto, não considerando a pergunta pela essência da verdade, nem examinando o conceito de verdade que ele mesmo tem que assumir com a posição fundamental no interior da metafísica de Nietzsche. O conceito nietzscheano de vontade é dificilmente aclarável. O verdadeiro da consciência, sustentado como verdadeiro nesse suporte, é assegurado através do asseguramento no ente, instalando-se e adequando-se a ele (adaequatio) como asseguramento de permanência, permanência essencial da vontade de poder, que é puro arbítrio e desmesura, mas também organização “perspectivista”. “Poder” e direito são idênticos? A justiça, segundo Nietzsche, é a chave para a compreensão da posição fundamental de Jünger.
23. Sobre Ernst Jünger
Na época da antropomorfia incondicional, a observação do homem – como “dar-lhe caça” – torna-se um caráter de trabalho para a consolidação do tipo. Todos os reportagens gráficas não fixam nada nem vinculam a algo permanente, mas, através da contínua mudança do mais novo que rapidamente se revela, fixam a univocidade deste para a haceduria.
24. “Legitimação” e “representação”
Legitimação e “justificação” são concebidos como momentos essenciais da metafísica da subjetividade, sendo a legitimação, na metafísica da vontade de poder, proveniente da “justiça”. Daí a apelação ao “século vinte” para cumprir o seu mandato, como se um “século” tivesse que adjudicar um mandato. O seu “espírito” é o espírito próprio dos senhores, que consiste no desasimento através do ser à maquinação do ente, sendo os “senhores” os servos do abandono do ser do ente.
25. Sobre a tomada de posição
Uma tomada de posição exige, segundo a opinião habitual, saber o que é inaceitável, mas a paciência de buscar os fundamentos de uma atitude é raramente alcançada, sendo tal interpretação tomada como consentimento, quando, na verdade, uma tomada de posição essencial tem que alcançar a força fontanal de uma atitude. A atitude de Jünger pertence ao fim da metafísica e começa o acabamento desse fim. Decidiu-se sobre Ernst Jünger com o entendimento do infundado e a superação, segundo a história do ser [Seyn], da metafísica, não se requerendo uma refutação habitual. Embora se possa negar que Jünger pense no âmbito da metafísica de Nietzsche, pode-se remeter a que subsistem suportes na metafísica ocidental e até no seu traço fundamental cristão, pois em toda inversão o invertido é coplanteado, mas nunca superado. A inversão (domínio do elementar, heroico, aventureiro “sem sentido” frente ao seu contrário) seduz a opinião de que inverter seja um começo de outras origens, enquanto toda inversão, como toda revolução, permanece um voltar a rolar no vigente. O termo “cristão” é equívoco, abarcando desde a dogmática eclesiástica até o “paganismo” de Goethe. Nietzsche venera o “espírito” e o espiritual, afirmando tudo o que pertence à “cultura” como primeiro bem, mas isso delata que na inversão da metafísica a mescolança erudita de tudo é removida para o interior da nova concepção de mundo. Não se mostra saída no “elementar” ruidosamente encomiado, restando a mísera afirmação das exigências do “tempo” como última “verdade” e a fuga de regresso ao vigente, que anuncia movimentos que louvam o “cristão”. O ensamble da metafísica não sai à luz na forma de uma sistemática filosófica, mas permanece determinante, movendo-se em uma maior desprevenção. A última publicação de Jünger (Hojas y piedras) não mostra outra posição fundamental, mas apenas um extremo do vigente. O cântaro misturador do geral e dominante alcançou tal envergadura que podem se misturar culturas de todos os tempos e países. Tal tempo requer os adequados misturadores, que removem incorporando o mais oposto, surgindo como “aparência” para o burguês metafísico o que ele tem que apreciar como o sumo. Nada escapa à mistura, atestando o desasimento do ente no abandono do ser. Importa que surjam tais manifestações como Ernst Jünger, pois impedem que comece prematuramente uma meditação, ainda nada estando maduro para outro início.
Os aspectos condutores e sua evidência. A incondicional antropomorfia da extrema subjetividade do homo natura como homo faber militans
A perspectiva no todo do livro (a introdução) e o subtítulo “Domínio e figura” orientam as pautas de posejección: “descrição”, interpretação e posição fundamental. O procedimento de Jünger e o compromisso de suas proposições (pergunta pela verdade) têm como palavras condutoras “trabalhador” e “trabalho”, “vida” e “vida”.
26. Sobre a interpretação. Sobre a posição fundamental de Jünger
Toda autêntica interpretação é confrontação, devendo repor o interpretado em si mesmo e no seu fundamento, remetendo o intérprete à sua posição de mirada, tratando de alcançar “o que não está aí” como o que serve de base e sustentador. O procedimento é “unilateral”, deslocando o peso para capítulos e proposições “abstratas” em vez das “descrições”. O propósito é reconhecer o andamiaje da obra, concebendo este como a estrutura em que se instala uma posição metafísica fundamental. Somente quando se pensa a partir da posição fundamental, concebendo-a como história (do ser [Seyn]), torna-se decidível se a “obra” de Jünger é a configuração de um “indivíduo” talentoso ou se repousa sobre o fundamento histórico da essência da época acabada da modernidade, o que de fato é verdade. As aptidões de Jünger são condições do enunciar e cunhar esta posição metafísica fundamental, mas não são esta mesma nem sua origem.
27. Em retrospectiva à primeira parte. Trânsito à segunda parte (“Subjetividade”, “doação de sentido”)
A palavra condutora é “a figura do trabalhador”, com a qual não se menta um homem ou uma classe separada, mas uma “nova humanidade” empurrada ao centro de todas as descrições, reflexões, valorizações e predições. Essa humanidade é, conforme o ser, o centro e a medida para um ser humano que já se determinou como subiectum. A essência da subjetividade reza que o homem é o fundamento e a meta, não só de si mesmo, mas do ente em totalidade, afirmando-se como tal.
28. A essência da subjetividade
A essência da subjetividade (cfr. Humanidade e subjetividade) não reside na “egoidade”; o homem não é sujeito porque é um “eu”, mas porque sendo “eu” pode determinar-se egoisticamente. O homem é mais essencialmente sujeito quando se concebe como nação, povo, raça, humanidade posta sobre si mesma, sendo o pensamento de raça possível apenas sobre o solo da subjetividade. A primazia do interesse comum sobre o interesse particular é apenas aparência, estando ao serviço do extremo interesse próprio, pensado metafisicamente. A subjetividade é a autolegislação da humanidade posta sobre si mesma como legislação do mundo, donde emerge o título “doação de sentido”, que contém um “quádruplo aspecto”:
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realismo heroico (cfr. “Sizilischer Brief an den Mann im Mond”).
29. Sobre a articulação da obra
O aspecto condutor da figura do trabalhador é tomado desde a mirada a uma humanidade experimentada e pensada modernamente como subiectum. A articulação principal toma o trabalhador com referência ao trabalho, ou seja, ao homem com respeito:
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à sua produção e tendência (senhorio do mundo, do “objetivo”) (πρᾶξις);
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à sua atitude e cunhagem do sujeito como tal (ἦθος);
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à sua forma de linguagem, expressão no objetivo (ποίησις).
Por isso, “trabalho” como “princípio”, como “modo de vida” e como “estilo”. O primeiro aspecto – trabalho como princípio – é triplamente articulado, determinando a relação com o mundo (como vontade de poder):
a. em relação com o elementar (conforme à raça); b. em relação com a liberdade (conforme à vontade e ao saber); c. em relação com o poder (conforme à capacidade).
A primeira articulação principal toma modernamente por adiantado o homem como subiectum, ou seja, o todo da referência sujeito-objeto. A segunda determina este tomar prévio em seu fundamento já decidido: homo: animal rationale. Jünger assume como evidente:
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que o homem é o centro e a medida da meditação e a meta (antropomorfia);
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que este homem é concebido como sujeito (referência sujeito-objeto);
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que este sujeito tem uma animalidade por fixar de alguma maneira (homo sapiens, homo faber, homo natura, homo ludens, homo militans). Tudo é metafísica, recaindo mais e mais nela como o âmbito indubitável e devastado do ente em totalidade.
30. Sobre a perspectiva na construção do livro
O trabalhador se encontra inteiramente no âmbito da metafísica de Nietzsche, que não é um “sistema privado”, mas o ensamble da verdade “sobre” o ente em totalidade no qual a história da época está inserida. Para entender a obra de Jünger, é preciso ver o ensamble interno. As “descrições” são essenciais para a intenção de Jünger, mas decisivos são os pensamentos em que cada descrição se sustenta. O livro se articula em duas partes, embora uma divisão tripartite seja mais adequada, pois o aspecto da articulação é triplo. O “trabalho” é caracterizado em um triplo sentido:
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como princípio da eficiência do homem, do senhorio do mundo;
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como modo de vida;
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como estilo.
Esta triplicidade provém da figura como essência conformadora da incondicionada subjetividade (πρᾶξις, ἦθος, ποίησις – τέχνη – ἐπιστήμη). A primeira parte trata do trabalho como princípio da eficiência humana, contendo uma tripla discussão. Os capítulos sobre a figura emolduram os três capítulos centrais, sendo o fundamento e a essência do emoldurado. A apresentação da figura do trabalhador é precedida pela caracterização da contrafigura do burguês. A segunda parte mostra o princípio na realização (tipologia e técnica) e na meta (construção orgânica):
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O trabalho como modo de vida cunha o homem como tipo.
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O trabalho como estilo conduz à discussão da arte e do estado, com a técnica em posição intermediária.
A pergunta sobre a origem da tripla articulação do “trabalho” remete à essência do trabalhador como figura, que determina o real em totalidade como trabalho, sendo o mundo “mundo do trabalho”, pois a figura é a cunhagem prévia da subjetividade incondicional.
31. O subtítulo do livro
“Domínio” é a legitimada vontade de poder, cuja legitimação acontece através da substancial posse de poder e do desdobramento de poder da humanidade, como meta e fundamento da construção orgânica. “Figura” nomeia o modo como essa humanidade se concebe e realiza como sendo: a imagem conformante da subjetividade como incondicional vontade de poder, ou seja, como poder para o senhorio do orbe. O “reino” é o âmbito instalado desse poder, e o acabamento é a incondicional devastação.
32. Pautas de posrealización
Trata-se de articular três aspectos:
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o que Jünger torna visível em suas descrições;
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a posição fundamental dentro da qual a descrição já foi realizada;
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o modo como esta posição fundamental é “fundamentada”.
Na primeira parte, Jünger tenta antepor a figura do trabalhador, contrastá-lo com o burguês e plantar a figura como o verdadeiro ser; na segunda parte, o curso é mais simples. É decisivo ver o ensamble da posição fundamental, que é a da metafísica de Nietzsche, não como “sistema privado”, mas como a verdade sobre o ente em totalidade na qual uma época tem que estar para ser histórica. A posição fundamental metafísica não faz essa “verdade”, mas a assume de determinada maneira. A fundamentação da posição fundamental é instalada, mas perguntar como ela se fundamenta, quando significa justificação a partir de um ente, torna-se supérfluo ou impossível.
33. O procedimento de Jünger. Metafísica
Jünger transfere tudo (liberdade, poder, tipologia, técnica) à figura do trabalhador, que é a “magnitude legitimante”. Através dessa transferência, diz-se que a metafísica é a subjetividade, e isso vigora como resolvido, com tudo o que por ende é “reivindicado”.
34. O procedimento de Jünger e o vinculante de suas proposições
Suas proposições parecem limitar-se à descrição do “mundo do trabalho”, mas na verdade descrever é interpretar e coplantear permanentemente o ser do ente em totalidade como vontade de poder, como se esse plantio estivesse acabado e fora de dúvida. Sob esse pressuposto, sua descrição é convincente, significando a realização ulterior da comprovação do animal homem no âmbito da vontade de poder. O vinculante repousa sobre o fundamento da metafísica como vontade de poder e da essência da verdade por ela planteada. A posição fundamental de Jünger torna-se vulnerável não por conceder espaço a “vivências” pessoais, mas porque se expõe ao ente em totalidade (como vontade de poder) sem ilusão, mas nunca tenta captar o que é para, a partir daí, decidir o que há de ser. A ação torna-se metafisicamente essencial, e a “disposição para a ação” caracteriza a pertença à humanidade que está no poder, exigindo permanentemente o “realismo”. Jünger está fora da decisão sobre a essência da verdade e do ser [Seyn], pois ainda tem a metafísica como fundamento, o que lhe impede de ver o emplazamento conforme à história do ser [Seyn] que ele possui: o acabamento da modernidade.
35. Sobre a posição fundamental de Jünger. Trabalhador e trabalho (homem e ser)
A essência do trabalhador é determinada a partir da essência do trabalho, ou a essência do trabalho a partir da essência do trabalhador? Jünger decide? Vê a importância da questão? Na época do trabalhador, nada pode ser concebido que não seja trabalho; trabalho é o nome para a realidade do real. A realidade é trabalho na época do trabalhador, que a planta assim, determinando a objetividade como a própria subjetividade, o mundo como mundo do trabalho. A liberdade é a essência da subjetividade. O ser do ente é planteado de acordo com a imagem do homem (antropomorfia). A essência do trabalhador, a figura, é determinada pelo caráter de ser do ente como trabalho (vontade de poder), vigorando a primeira possibilidade, mas permanece a pergunta: de onde o ser da essência da vontade de poder? Aqui está o lugar da grande indecisão, que só é resolvível desde a superação da metafísica.
36. Verdade
Quem determina a essência da verdade? Em que disposição fundamental ela se essencia? Requer fundamentação? Com o mundo verdadeiro também foi abolido o aparente, tornando-se questionável o que significam “verdade e ser” e como podem ser determinados.
37. “Verdade” e “figura” (“ser”) (Teoria do conhecimento)
A pergunta pela essência da verdade não é planteada em nenhuma parte. A “teoria do conhecimento” é uma consequência do essencial desconhecimento da pergunta pela verdade e da determinação da essência da verdade que domina toda a metafísica moderna. No “espaço pan-anárquico”, dá-se o asseguramento de existência do homem como sujeito, tratando-se de consolidá-lo como animal (elemental). O ultrahomem é o animal determinado; o planteado dessa comprovação é a figura. Nietzsche concebe o comprovado como o ente (“ser”) frente ao “devir”. A “figura” é para Jünger o verdadeiro e único “ser” (ente). Jünger é ainda “mais subjetivo”, pondo a mira mais no subiectum do que Nietzsche, para quem se planta vontade de poder e eterno retorno do igual. O asseguramento da estabilidade (homens e coisas) é planteado na figura para que se possa confirmar através do senhorio incondicional da terra. A produção, no sentido desse senhorio, decide no mundo do trabalho, sendo prestadora de rango a total representação da mobilização total. Nesse enredo no sujeito, a pergunta pela objetividade já não é uma pergunta de se o mundo devém mundo do trabalho através do trabalhador ou vice-versa; ambas as coisas acertam e não acertam. O espaço pan-anárquico da vontade de poder torna necessário o “trabalhador”, mas pergunta-se: de onde vem esse espaço? Destino? A realidade do real como vontade de poder, o ser como realidade, a verdade do ser, a história do ser [Seyn] – por toda parte a primazia do ente como vontade de poder, ou seja, maquinação.
38. “Teoria do conhecimento”
A verdade e sua história essencial (desde a ἀλήθεια que apenas aparece até o asseguramento da estabilidade da “vida”) é, em um determinado instante dessa história (em que a verdade devém certeza), o fundamento para a referência sujeito-objeto. A certeza é o estar assegurado (através de um entendimento calculador) com relação àquilo de que o sujeito, para ser tal, tem que estar certo por adiantado: a representatividade do que determina toda objetividade de cada objetivação. Quando a verdade devém certeza, o conhecer move-se ao papel de plantio de medida, tendo que estar ele mesmo sobre si no verdadeiro – consciência. A “teoria do conhecimento” é:
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contexto de proposições para a explicação de um âmbito fáctico (“teoria” e “indução”);
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θεωρία – conhecimento do ser e da essência, projeto do que não pode ser confirmado experimentalmente, pois possibilita isto como tal;
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a essência do conhecimento propriamente, convertida em tarefa a partir de uma necessidade única (Descartes). Por quê? Porque a essência do conhecimento é a compreensão, fundamentação e preservação do verdadeiro da verdade, supondo que o “verdadeiro” e a verdade sejam capazes no conhecimento. Descartes pergunta pela verdade como verum como certum, certeza como segurança da posição do homem em meio ao ente, pondo-se a si mesmo, livre da fé eclesiástica. A certeza se determina desde a essência do homem como “subiectum”, tornando-se decisiva a relação com o objeto no interior da referência sujeito-objeto, onde se compensam as possibilidades de alcançar e dominar o objeto. Quanto mais essa compensação se desprende de seu fundamento e meta, tornando-se ocupação em si, mais se abre caminho a “teoria do conhecimento”, que reclama poder interpretar normativamente não apenas o asseguramento moderno da certeza, mas todo tipo de meditação sobre a verdade.
39. Subjetividade do “sujeito”
Sujeito (subiectum, ὑποκείμενον – οὐσία, substantia) é cada ente, coisa, vivente, homem. O homem torna-se sujeito distinguido, de modo que a subjetividade constitui sua essência. Rigorosamente, não é o homem o sujeito, mas a certeza fundamental da coexistência, o ser representados necessariamente juntos de me cogitare e me esse. Nessa certeza – subiectum – o homem foi incluído como ego. O homem é o fundamento inconcussum absolutum, medida, centro e meta. Como animal rationale, sua racionalitas é mathesis e sua animalitas é o animal-ainda-não-fixado. O ente é assegurado para o homem como sujeito (medida e centro), através do qual ele mesmo se assegura. A essência do ser sujeito do homem não é como ser “eu” no sentido do indivíduo encapsulado, mas o ente referido a si mesmo como fundamento e meta. O ego é apenas um primeiro plano do subiectum, que pode devir sujeito, abrindo possibilidades: individualismo (liberalismo), nacionalismo (socialismo), povo, raça. O trabalhador é o sujeito, portador e estabelecedor da figura como essenciante subjetividade. A contenção do indivíduo e o apartamento do liberalismo não é superação do subjetivismo, mas o contrário.
40. Conceito de subjetividade. “Doação de sentido”
A essência do subiectum é como o homem devém sujeito, verdadeira substância em quanto animal rationale, cuja racionalidade é o portador a partir de si e para si – liberdade. O que serve de base como fundamento portador e determinante, no sentido do assegurado e asegurador de tudo, é para o homem ele-mesmo. O subiectum não é em essência yoico, egoísta, mas o “eu” é um tipo de subjetividade. Sujeito pode ser um povo, uma “nação”, uma humanidade planetária, uma nova raça – conceito puramente subjetivo. “Homem” é medida e centro, fundamento e meta do ente em totalidade. O sujeito é o ente que dispõe da verdade (certeza, objetividade de todo ente), o qual devém objeto (tipologia). O ser é concebido como objetividade de uma objetivação na disposição do produzir representativo (técnica, tipologia). Com a subjetividade do sujeito, da verdade como certeza, foi planteada a referência sujeito-objeto, igualmente originária com sujeito e objeto. A subjetividade determina a yoidade, a singularidade e a comunidade. Na tipologia e técnica de uma raça planetariamente dominante, a subjetividade do homem se torna absoluta.
41. Sobre a interpretação da proposição homo-mensura
É preciso perguntar como “o homem” foi determinado gregamente (ἄνθρωπος ζῷον λόγον ἔχον), onde λόγος é a relação fundamental com o ente, a essência do homem e o ensamble da ἀλήθεια. O homem é o ἀληθεῦον, o que assumiu a desocultação e a desdobra e ensambla, deixando o ente mostrar-se a ele mesmo. O ἀληθεύειν pode ser restringido ao respectivo eu, e então o yoico pode ser decidido, mas pode não estar restrito através da referência originária ao ser como tal. Protágoras toma posição na δόξα do ego, mas isso é fundamentalmente diferente de Descartes. Para Protágoras, o μέτρον limita-se ao mostrar-se e presencia-se yoico, enquanto em Descartes a subjetividade dirige-se ao incondicional compromisso de validade universal, com intenção de validez universal, onde o plantio de medida se dá com a intenção de validez universal. Protágoras está no meio da humanidade como ἀληθεύειν, com a limitação do ego em relação a πάντα; Descartes está no meio da subjetividade, com a obtenção do correspondente, mas livre asseguramento do homem frente à ligadura da “revelação” e tradição (verbum). Em Protágoras, há ἀδηλότης, a não-inocultação, porque o aparecer está restrito respectivamente ao yo singular; em Descartes, o máximo alcance da certeza autoassegurada.
42. A proposição “homo-mensura” de Protágoras e a “subjetividade” de Descartes
“Ἄνθρωπος δὲ σύ τε κάγώ” (cfr. Platão, Teeteto, 152 a 8). Todo ente, o que de costume sai ao encontro, é o respectivo homem. Que o respectivo homem devenga o μέτρον do εἶναι τῶν ὄντων não diz que o homem se transforme em subiectum e a verdade em certeza. O homem devém determinante no interior da interpretação grega do ente, preformado na sentença de Parmênides, mas isso nunca significa que o homem, liberando-se a si mesmo, converta o “mundo” em objeto de seu senhorio. O ego atua como lugar de legitimação do ens certum, mas o ens não foi limitado ao respectivo isolamento do singular; a certeza compromete universalmente, fundada e dominada pelo homem mesmo. Protágoras é amplamente “mais egoísta”, precisamente porque não é “subjetivo”, pois a subjetividade não consiste na “egoidade” e esta, em sentido sofista, tem sua correspondente “verdade” como a φύσις: o φαίνεσθαι, a restrição do presencia-se e da manifestabilidade ao respectivo singular, e medida τὸ χρηστόν e o δοκεῖν. Protágoras pensa grega-egoisticamente; Descartes, moderna-“subjetivamente”, ou seja, sobre o assegurado e, por isso, válido para todos.
43. O vinculante das exposições de Jünger
Pergunta-se pelo vinculante da “descrição” (interpretação, posição fundamental): como, para quem, quem eleva reivindicações, quais, de que verdade, se a essência mesma da verdade está em transformação.
44. Para que prestar atenção a Ernst Jünger?
A pergunta se coloca quando sua atitude fundamental é reconhecida como exigida pela posição fundamental da metafísica de Nietzsche. Jünger não sai além de Nietzsche, mas, por permanecer no âmbito desta metafísica, pode cumprir uma tarefa singular, embora nunca a decisiva. Suas descrições (e interpretações) fazem ver o ente (como vontade de poder) e remetem ao ser, mas sem perguntar por ele, trazendo a “prova” de que a “metafísica” de Nietzsche não é apenas “metafísica” erudita, mas que aqui, como em toda metafísica, vigora seriedade – com a verdade sobre o ente – com o ser. Jünger vê claramente, no âmbito de projeção da última metafísica do Ocidente, a história do século XX e os traços de seu futuro, onde se fundem a “constância” de um mundo chinês planetário e a “constância” da metafísica ocidental (platonismo). Este futuro é a finalização planetária de um fim, e ao agudeza de mirada sobre essa história corresponde o engano acerca de sua essência. O “tipo” é o máximo e último grau da subjetividade, e nenhuma afirmação do elementar ajuda a que essa “raça” do “trabalhador” seja um fim. Esse fim já foi superado através da superação da metafísica e da transformação da pergunta pelo ser (Ser e tempo).
45. Sobre a posição metafísica fundamental de Ernst Jünger
A obra “O trabalhador” é uma “variação” do tema metafísico, escrita desde a experiência da guerra mundial e do pós-guerra: a vontade de poder como ser do ente. Nenhum pensamento essencial excede a Nietzsche, mas tudo é descrito com olho hiperagudo para a época à luz desse projeto metafísico. O perigo é que o olvido do ser, que distingue toda a metafísica e caracteriza o acabamento como incondicional, se solidifique, tornando sempre mais inacessíveis o fundamento e a verdade dessa realidade. O livro tem “caráter de trabalho”. Todo perigo é equívoco: é a possibilidade do sucumbir e da superação; Jünger menta superar enquanto apenas se arroja ao perigo.
46. Posição fundamental
O pensamento de Jünger se realiza inteiramente na estrutura da realidade da vontade de poder e no modo essencial de verdade com ela planteado como a perspectiva dominante: “Justiça” e “domínio”.
47. Posição fundamental de Jünger
O real (vontade de poder), que Jünger vê e tenta captar em sua metafísica da figura (moderna), não é de interpretar estreitamente. Permanece a pergunta: se nesse real se realizam as verdadeiras subversões, que instam a seu incondicional “domínio”, ou se a realidade desse real é incluída na decisão, mas não determina ela mesma seu espaço. Quando as grandes decisões acontecem na invisibilidade, o que Jünger torna visível não é o âmbito da decisão nem ela mesma. É preciso interrogar uma invisibilidade que, por razões essenciais, não pode ser acessível ao ver atual (a verdade do ser frente ao completo olvido do ser).
48. O decisivo na obra de Ernst Jünger
É que, em uma experiência histórica essencial (a figura do trabalhador), ela ajuda a elevar ao saber o figurável em geral e essencialmente, e a fazer experimentável e fundável a compreensão do ser, o projeto de ser como fundamento do ser humano. É um voltar a buscar a metafísica no “povo”.
49. A decisão. O espiritual dependente do corporal
A questão sobre a dependência do espiritual em relação ao corporal (animal rationale) é formulada: o espiritual é feito pelo corporal? É um refinamento, uma matéria, uma exsudação do material, ou algo de essência própria, mas condicionado pelo corpo na realização? O acostumamento à evidência da interpretação do homem como animal rationale não é ainda o fundamento de sua verdade. A pergunta não é se espírito ou corpo, mas se ambos e sua unidade determinam suficientemente a essência do homem, de modo que tenha sido alcançado o âmbito em que essa localização se move – pergunta pelo ser e pela verdade. A objeção de que o ser é um produto do compreender (“espírito”) e o espírito uma função do corpo é insuficiente, pois a decisão reside em como se experimenta o homem e o que significa “si mesmo”.
50. A estrutura fundamental permanente. “Metafísica”
Sensibilidade – liberdade (razão) – faculdade – vontade. Dispor de si mesmo, “poder” substancial. O animal rationale como subiectum. O subiectum como incondicional, compelido à criação da subjetividade qua figura. O platonismo é “a crença no sentido do (deste, nosso) mundo”. Na tipologia permanecem o singular, os muitos e a hierarquia. “Indivíduo”, massa e “sociedade” são interpretações burguesas. A tipologia é a necessidade essencial do domínio da figura, ou seja, da subjetividade, do extremo olvido do ser da maquinação.
51. O ensamble fundamental de O trabalhador
Corresponde inteiramente ao da metafísica nietzscheana. Em Nietzsche, “vida” é ambígua:
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Vida = ente em totalidade.
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Vida = vida humana.
A vida é vontade de poder como traço fundamental do real e como distinção do homem (poder substancial). Em Jünger, “trabalho” e “trabalhador” correspondem a “mundo do trabalho” e “figura” / “espaço do trabalho”. A suma subjetividade e o todo da objetividade são o mesmo: o incondicionado acabamento da metafísica moderna.
52. Sobre a atitude fundamental de Jünger. A pergunta pela verdade
A protesta “romântica” e a protesta revolucionária e elementar são diferenciadas. A protesta romântica é uma fuga do mundo burguês, que permanece conservado como determinante. A protesta revolucionária não participa mais, interessando-se por outro mundo com sua própria medida e centro, onde não se foge, mas se é afetado (diferenciação entre trabalhador e burguês). Permanece a pergunta sobre o bagagem de conceitos e estruturas do ente que se toma (a “metafísica” impreguntada; “figura”). Se nesse passar de largo se deixa o mais essencial sem pensar, entregando-se ao vigente, então toda “revolução” como inversão é um enredo mais profundo, e a metafísica de Nietzsche, que serve de solo à posição fundamental de Jünger, é a prova da aparência de liberação em toda mera revolução.
53. Acerca da posição fundamental de Jünger. O príncipe de Maquiavel e O trabalhador
“O príncipe” é o começo da modernidade; “O trabalhador” é o seu acabamento. A referência histórica menta que o plantio da luta absoluta como fundamento e âmbito do domínio é finalmente pensado no incondicional da subjetividade e da objetividade (planetariamente). A referência essencial da relação sujeito-objeto é a “técnica”, fundada na “certeza” da produção representativa do ente factível (maquinação). Em Maquiavel, ainda no círculo mais estreito do político e do italiano, mas já com o papel da arte e da condução da guerra.
54. A posição fundamental de Jünger
A posição fundamental de Jünger, a metafísica da figura, pode ser incluída no biologismo? Há um platonismo (“ser eterno”), “mais além dos elementos!” mas também muito olvido do ser e sem pergunta pela verdade.
55. A outra referência
O processo do levar a expressão da figura pode ser visto na humanidade, representação. Este processo é um extremo fim da subjetividade e da humanização do ente em totalidade (antropomorfismo).
56. História do ser [Seyn]. Contradição e refutação
É preciso mostrar: Jünger é inteiramente moderno na forma mais extrema (“uma nova imagem do mundo”, 78). Realidade como vontade de poder. Subjetividade como tenência de poder. Figura, a consequência necessária da inversão do platonismo, que no caos tem que erigir algo permanente, dotado de subjetividade, mas não “subjetivo”, portanto “objetivo” – platônico, “eterno” – supratemporal, suprassensível! Retornam todos os requisitos do platonismo.
57. Contradição
Estado intermediário, mas mais essencialmente, Jünger pertence ainda ao anterior da metafísica.
58. Contradição com respeito a Jünger
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Saber a vontade de poder concebida segundo a história do ser [Seyn].
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Esta realidade experimentada, ente em totalidade, concebido de outro modo, desde um mais elevado acaecimento: abandono do ser – ser.
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Jünger, ao contrário, na servidão da modernidade – humanidade.
59. Como o trânsito
“O mundo em uma decisiva transformação” (85). Novo ato? Ou drama inteiramente diferente? Incipit tragoedia. Ou uma mais. De maneira nenhuma história do ente, mas história do ser [Seyn] advindo à verdade! Exigindo nela a fundação.
60. Posição fundamental de Jünger
A vista se dirige à vontade de poder e ao asseguramento de permanência, desde o entrecato e o trânsito, cultivo e criar, caos e anarquia.
61. Sobre Jünger
Não há nenhum “entendimento” com ele para os que pensam desde o vigente; apenas “sim” – ou contradição, não refutação. O sim não se refere à opinião de um escritor, mas à realidade que ele mostra à luz da vontade de poder. Esta aclaração da relação com ele já reconhece sua posição como apenas metafísica, extraindo sua força do olvido do ser, e é renúncia ao “ataque”, desde o saber da decisão decisiva e única.
62. Sobre a confrontação com Jünger
Trata-se de uma oposição de pontos de vista e posições, mas é preciso diferenciar se apenas se coloca uma posição frente à outra ou se se concebem posições como históricas e se desdobra uma decisão mais originária. Jünger não pode desdobrar nenhuma decisão porque apela à realidade e ao “ser” e abandona toda “carreira” do pensamento com o “ser” (ente), mas a pergunta pela verdade do ser é algo inteiramente outro; ambos (correr atrás do ente ou submeter-se a ele) são o mesmo: olvido do ser.
63. O completo aprisionamento de Jünger no olvido do ser da modernidade
Esse aprisionamento condiciona a impotência da decisão e da meditação e, com isso, do “domínio”; o que ele chama assim é pura servidão. Jünger considera a época que vê surgir como uma superação da “copernicana” (Hojas y piedras, 210) e toma a essência da inquietude copernicana como “competência do pensamento com o ser” (ibidem, 215). Seu pensar “alcançou” o ser (a competência terminou), renunciando a ela, entregando-se ao “ser” sem pergunta, considerando-o como vontade de poder, como trabalho. O mero sim – a pura capitulação ante a realidade – é proclamado como heroísmo.
64. A metafísica da figura e a liberdade de Jünger
A autodeterminação do homem, autodomínio como figura. Tan somente agora o homem – em quanto tal – sem referência de mundo e sem âmbito de verdade, como a figura decisiva. A “representação”, a mobilização total, a configuração, a construção orgânica: o ser como “poder”. Tudo é nivelado com respeito a isso.
65. O critério decisivo de orientação para a interpretação de O trabalhador
Tem que ser “o poder” (como vontade de poder). Jünger entende o ente em totalidade como real (“meta”) e a realidade como “poder” e trabalho, e a relação com ele no sentido de autorização desse poder, este sim como sim a, e este sim como liberdade para, porque é algo “necessário”. Em nenhuma parte pergunta se a posição fundamental nietzscheana é apenas o acabamento do que o burguês possibilitou, e se não é precisamente específico da essência alemã superar o “poder” desde a força-originária da essência alemã.
66. Figura. O propósito de inquietude e quietude de Jünger
Jünger parece querer transcender o mero movimento e buscar algo tranquilizador – a “figura” – um “ser” no sentido do estável. Mas a essência dessa figura é precisamente o “devir”: guerra, “estalo” como tal, preparativos bélicos e luta pela luta, desconexão de todas as pautas e horizontes e de todo tipo de “verdade”, restando apenas “expressão” (elementarismo). Cfr. devir – Nietzsche: o ser é o devir (vontade de poder e eterno retorno do igual).
67. Sobre a caracterização da posição fundamental de Ernst Jünger
Embora títulos como “realismo”, “idealismo”, “biologismo” mereçam desconfiança, podem ser usados onde são tomados em uso. A posição fundamental de Jünger é: realismo, heroísmo, nihilismo (devastação instalada), elementarismo (biologismo de Nietzsche!), fantasia, simbolismo.
68. Sobre o realismo heroico
É próprio o escepticismo guerreiro (sim – não, cfr. p. 92, experimento, estado intermediário). Cfr. Nietzsche, A gaia ciência, 1882, III, 2, n. 268: “O que torna heroico? Ao mesmo tempo ir ao encontro de seu máximo sofrimento e de sua máxima esperança”. O “ao mesmo tempo” – a antítese – é o entre, mas referido ao sujeito e a seu ser sujeito, não o entre de homem e deus.
69. O realismo heroico
Trabalhador, 63. A vida é “de outro modo” como campo do necessário e como campo da liberdade, com a faculdade dessa “simultaneidade”. O homem como trazido e arrojado e como portador – mais resoluto. Cfr. S. y t. Mas o arrojado projeto aqui não é sobre “o tempo” e o presente ante a mão, mas sobre o ser – a máxima decisão da verdade do ser [Seyn] (pergunta pelo sentido do ser).
70. Realismo – figura
Realismo: carreira do pensar com o ser. Tomar pé no ser como realização da subjetividade. A competência não é o essencial, mas o pressuposto. Pensar – ser, e precisamente este na figura. Saber-se – confirmar-se no ser. Figura – razão – sem o culto. Sum res cogitans. Vis. Em lugar disso, culto do poder. Razão como vontade de poder.
71. “Realismo”
Não o real e a correção da reprodução e cópia, mas como a realidade, ou seja, a verdade no sentido da manifestabilidade do ser [Seyn], e como a relação fundamental com o ser – fatalismo, heroísmo. O que decide é o que se vê “no real” como real. Realismo e “idealismo”, “idealismo liberal” e “positivismo”. História do “realismo”: realitas = essencialidade, coisidade, ideia, entidade, em diferença do nominalismo. Até Kant, “realidade objetiva”. Res – a coisa singular, o “fato”, o real.
72. Jünger
“Viver” = confirmar-se em sua figura. Ao contrário, ser humano: transformação no ser-aí como a fundação da verdade do ser [Seyn].
73. Burguês – trabalhador
Pergunta se o burguês é o suficiente representante da modernidade (cfr. conceito de liberalismo de Nietzsche). Se não, o que sucede com a contraposição? E se o trabalhador mesmo fosse apenas este representante? “Trabalhador” referido ainda à figura como tal – Nietzsche!
74. Sobre Jünger. “Realismo heroico”
O que é o real? A figura do trabalhador, ou seja, o trabalho mesmo. A realidade é o real, mas através de que essa “realidade” é acreditada como verdadeira? Que tipo de “verdade” decide aqui? Basta dizer sim à “realidade”, ao “real”, e nesse “sim” como afirmação do necessário (inevitável) ver a liberdade e nela o sumo? Ou tudo isso é, apesar da embriaguez e aventura, apenas o desdobramento de armas ante o ente como tal, o último ato da “subjetividade”, que na desesperação se entregou ao “elemental”? O realismo heroico é o positivismo romântico, que vaga em irreconciliável positivismo, mas igualmente forte empreende contra todo positivismo e contra todo “romanticismo”.
A ditadura imperial do armamento incondicional em aras de si mesma (domínio do trabalhador) – pois que outra coisa diz a figura do trabalhador? – é em si a completa devastação, desarraigo da possibilidade de “mundo”, sim, de toda verdade do ser [Seyn].
Do modo mais claro, a posição com respeito a Nietzsche e a posição em sua posição fundamental, Trabalhador, p. 53: “Tornou-se desnecessário seguir ocupando-se de uma transvalorização dos valores, basta ver o novo e participar”. Como se a transvalorização dos valores fosse uma “ocupação”. Jünger contenta-se em ver os novos “valores”, ou seja, arrojar-se de cabeça nesse real e dizer sim e tomar parte. O “novo” é a vontade de poder, e Jünger diz sim a essa posição fundamental desde a experiência da guerra, que já atravessou a interpretação nietzscheana.
Figura – tipo (“A vontade de poder”, n. 819). Trabalhador – soldado (guerreiro) (“A vontade de poder”, n. 763). Inocência do ser (devir é ser) (“A vontade de poder”, n. 765). A figura do ultrahomem, que a partir do homem (corpo). Cfr. “Ecce homo”. Sobre Ast habló Zaratustra, XV, 85, espec. 88, “Zaratustra como tipo”. Liberdade e heroísmo – (Nietzsche, A vontade de poder, n. 770, como poder positivo, planteado como vontade de poder). Cfr. Sobre a genealogia da moral, II, 7, n. 18: “esse instinto de liberdade (dito em minha linguagem: a vontade de poder)”. Cfr. Crepúsculo dos ídolos, “Incursões de um intempestivo”, n. 38, “Meu conceito de liberdade”. Liberdade e guerreiro.
78. Sobre Jünger
Jünger pensa belicamente, no sentido de guerra de batalha de desgaste (cfr. “A luta como vivência interior”) e de um “arte da guerra” “mais elevado” (desenvolvido em um metafísico) (81). A pergunta não é pela derivação psicológica dos pensamentos, mas em que sentido e sobre que fundamento essas experiências se elevam a experiência de mundo, tomando pé na posição fundamental metafísica de Nietzsche, e se e como são fundantes.
79. Sobre Jünger
O fato de que é um estado intermediário e trânsito (190/91, 81, part. 196 e segs.). Sim – mas onde e entre quê? Outra coisa, essencialmente diferente de Jünger e Nietzsche. O que Jünger vê como estado intermediário pertence já ao que transcorre. Jünger pensa ainda sobre “segurança” e “estabilidade” na humanidade e no “real” em si. Não um “entrecato” (90) no mesmo drama, mas o entre entre “drama” e evento. Jünger fala da diversidade de duas épocas (época copernicana), e no entanto esta não existe – apenas uma aparência dela (cfr. Trabalhador, texto, p. 25, observação), suscitada porque o que antes se aventurava apenas em parte, agora passa a seu inigualável acabamento, que é “outra coisa” precisamente no mesmo, na confirmação do vigente (subjetividade, eficácia, ser como maquinação). A aparência da diversidade da época do trabalhador frente à burguesa torna-se clara onde Jünger expõe suas caracterizações através de mera inversão (cfr. Trabalhador, 284, sobre “luxus”). A “inversão”, à qual Nietzsche já sucumbiu, delata o aferrar-se ao único uno. O enredo de Jünger no metafísico mostra-se decisivamente porque ele pensa em “figuras”, o que é a adoção do pensamento fundamental de Nietzsche da tipologia e do “ultrahomem”, pertencente à inversão do platonismo. O corpo é o fio condutor não só do homem, mas do ente em totalidade. A figura em geral e o είδος adequadamente entendido, o parecer no qual a essência foi posta e se mostra, não é ideia como perceptum moderno! – é metafísico! O homem como a figura e o tão somente figurativo é modernamente metafísico. Nenhuma das inversões de Jünger mostra a diversidade do que advém, mas a igualdade e o acabamento desse modo.
80. O propósito de Jünger em O trabalhador
“fazer visível uma nova realidade”, mostrar o real que se torna visível à luz de um pré-juízo sobre realidade. Mas Jünger não pergunta se o real que mostra é a realidade, se e como esta se torna decidível. E suposto que isso “seja” o real, é então essa realidade o que propriamente “é” e “acaeee”? O âmbito da decisão se encontra em outra parte e não é detectável por uma rigorosa “descrição”. A mirada histórica de Jünger alcança apenas a modernidade – diferença para ela e em seu interior – dependendo inteiramente dela, nunca estando por cima.
81. Fé de Ernst Jünger
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“E esta é nossa fé: que o surgimento do trabalhador equivale a um novo surgimento da Alemanha” (Trabalhador 25, 1932). Jünger tem ainda hoje esta fé?
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O que pertence a esse surgimento do trabalhador? Que, acima da organização e disciplina meramente voluntária (da mobilização total), se tornem visíveis e firmes “novos valores” e “insígnias”.
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A mobilização total e o domínio do trabalhador não devoram a exigência de “valores”?
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Não são “valores” e “valor” (que Jünger deixa indeterminados) o que justifica um surgimento e outorga de sentido (Hojas y piedras, 212 e seg.)?
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Não é a busca de valores e o agitar-se pela “doação-de sentido” o máximo enredo no elementarismo (acabamento da subjetividade)?
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Como Jünger se posiciona com respeito a essa “fé” em Hojas y piedras (1934, p. 212 e segs.) e o que dizem sobre isso os Acantilados de mármore?
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O que é Alemanha?
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Pode dar-se um surgimento onde primeiro se realizam a organização e a técnica da técnica da vontade e novos ordens, e onde então, depois, se prove como “palavra mágica” um “sentido” e “valor”? Ou não tem que ser reconhecido nesse processo o da devastação? (Ceguera e limite de Jünger.)
82. Visão da modernidade de Jünger
Jünger não vê que a época do trabalhador (a época moderna) é apenas a extrema continuação e acabamento da modernidade. Ele vê nisso o “trabalhador” assumindo o domínio, um novo ordem e novos valores. Mas “valores” e “figura” são a forma mais elevada de subjetividade, com tudo o que ela abarca: asseguramento, planejamento, o mecânico e o orgânico, e a “figura”, ou seja, a “ideia”, agora não é apenas “subjetiva”, mas toda objetivação é objetividade. O subiectum, a “ideia” de si mesmo (cfr. “Conceito” e “ideia” de Hegel).
83. Sobre a posição fundamental de Jünger
A reivindicação de liberdade como reivindicação de trabalho. A reivindicação de doação-de sentido (cfr. Trabalhador, 65, nota). Doação-de sentido é adjudicar respectivamente um sentido. Mas de onde isso: que haja em geral “sentido”? Que projeto pressupõe?
84. Posição fundamental de Jünger. Esquema e atitude fundamental
“A fé no sentido deste nosso mundo” “é a característica de toda atitude que ainda possui futuro” (59). O que significa aqui “sentido”? Como “fé no sentido” – “asseguramento”? Fé na pertença ao próprio âmbito do respectivo “tempo” próprio, à “obra” e às forças “criadoras”. Esquema: mundo – como espaço de poder, sua íntima necessidade.
85. Insuficiência de Jünger
Significa que questões essenciais – as da “história”, ser e história, ser e verdade (direito) – não são perguntadas. Jünger não vê e não quer ver o nihilismo incondicional, apelando a pautas completamente anticuadas:
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da comparação historiográfica, para salvar a igual condição da época do trabalho (cfr. p. 217).
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da “legitimidade” para “justificar” ainda este domínio e oferecer qualquer sentido a todos, enquanto a incondicional autorização de poder tem que ter por sem sentido toda legitimação (217).
86. A subjetividade
O pensamento do “vencedor”, que escreve a história e determina o que é a “arte” (204). A subjetividade e toda a nomenclatura de herói, guerreiro, crente, sacerdote, etc. – “trabalhador” – funesto em sumo grau.
87. Razão e consciência
Cálculo e técnica. Razão – faculdade dos princípios, conceitos da razão, conceitos de totalidade. Primazia do representar e da objetivação.
88. Subjetividade e objetivação. “Realidade”
Não é decisivo que o “homem” devenga ponto central, nem que o “mundo” seja dominado. Tudo isso é consequência da verdade do ser como segurança do asseguramento da eficácia do real. Verdade do ser no sentido do soltar ao abandono do ser, ou seja, autorização do poder como tal. O poder é o “ser” e não requer portador algum; ele “porta” enquanto arroja ao ente e à maquinação. “Heroísmo”. Só real – “realismo”. “Subjetividade” = “vida” – o elementar, “organismo”. Consciência. Ratio. Não o-posições, mas da mesma essência.
89. Elementarismo
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Faz a “si mesmo objeto”, si mesmo.
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“Crê” na fé.
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Recai nesse extremo ao mesmo tempo no vigente (por exemplo, Ernst Jünger), pensando antropologicamente (“raça” conforme à técnica e à subjetividade, “o organismo” e sua “força”), e buscam “novos valores” como o pensamento nietzscheano de “valor”.
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Não se reconhece o fundamento de tudo isso, mentindo-se que “o homem mesmo seja no íntimo informado sobre a situação” (Hojas y piedras, 213), e não o é. [Subjetividade – certeza – verdade – abandono do ser!]
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O fundamento dessa essencial exclusão de saber é o “elementarismo” (sua inasibilidade), que como oposição só conhece a “razão” e a consciência. Cfr. Nietzsche: devir = ser! A inasibilidade do elementarismo consiste em que se pode remeter a todo momento à dependência “do espírito” com respeito ao “corpo” e da “vida” com respeito ao elementar, e essa remissão é evidente em sua “verdade”. A inasibilidade é um permanente reservar o direito sobre esse fundamento, que vigora como decisivo apenas onde algo é demonstrado empiricamente através de fatos e outro âmbito do perguntar e do ser permanece desconhecido. O “elementarismo” e a aparência do “dinâmico” e do “substancioso” – e no entanto vazio! Fraqueza da fuga ao heroico! Por toda parte se invoca a evidência como critério e finalmente o consentimento de cada qual, defendendo a correção como única forma de verdade (correção e subjetividade). Essa inasibilidade é a obstinação plenamente enceguecida na subjetividade – ofuscamento. 5a) A primazia do real (platonismo invertido) não exclui “valores” e “ideais”, mas os inclui como “expressão” e como doadores de sentido. Quem se agita pela doação de sentido parte do sem sentido e carente de sentido. O que significa “sentido”? a. “Sentido” – o que entendemos em algo; b. “Sentido” e “finalidade” – meta, o “para quê” atuamos e ofertamos. Portanto, a “verdade”. Mas é isso um suplemento ou algo apenas acrescentado? Ou é apenas primeiro plano (metafisicamente pensado) do que no fundo não admite falta de sentido e doação de sentido? 5b) Cegueira através da posição de sujeito do homem. Cegado – já não poder ver. Quando a cegueira é completa e fundamento da atitude, então ofuscamento; quando a cegueira já não é reconhecida como tal. Na cegueira, vê-se ainda e vê-se apenas uma coisa em determinada luz e para nada outra – faculdade de ver precisamente aqui, reivindicada, mas não experimentável enquanto máximo enredo no elementarismo. Cfr. a busca de “valores”. Cfr. fé de Ernst Jünger!
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Como superar o ofuscamento? c. É imediatamente possível? Só de modo que o “ver” seja desobstruído para o que precisamente reivindica como o abarcado (entidade; verdade; ser como eficácia; verdade como certeza e segurança; utilidade). d. Mas admitir ao abarcado como tal, o que não só até agora não é visto, mas o que em geral não é captável com os “olhos” vigentes. e. Que nem sequer se trata já de “ver”, mas de um modo fundamental do ser humano. f. Que esse ser humano não é o primeiro, mas que, como pertencendo à verdade do ser, está transferido ao ser (transformação no ser-aí). Porque o “elementarismo” é apenas explicação positivista de tudo desde o pantano originário, e isso a realização do máximo olvido do ser, contra o qual a metafísica da figura é também olvido do ser, mas, no entanto, o ente em totalidade não é simplesmente nivelado na essência.
