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GA76 Modernidade

Leitgedanken zur Entstehung der Metaphysik, der neuzeitlichen Wissenschaft und der modernen Technik [2009]

Os Conceitos Fundamentais da Metafísica — Observação Preliminar e Elucidação a partir dos 'Conceitos Fundamentais' das Ciências

A Neuzeit

  • A pergunta sobre se a Neuzeit (modernidade) já ficou para trás ou se nossa era é apenas ainda 'mais nova' remete à questão fundamental sobre onde estamos — e toda a consideração só tem sentido pela força da Besinnung (meditação); aqui apenas como Vorbereitung der Besinnung (preparação da meditação).
    • O que aqui se apresenta como mera Betrachtung (observação) são puras afirmações — mais essenciais do que Richtigkeiten (correções), caso intervenham no âmbito da verdade; muito do que se diz é un-richtig (in-correto) no horizonte da correção, mas deve ser recolocado e apreendido de modo contrário.
  • Não é primeiramente essencial o que esse Weltbild (imagem de mundo) tem como conteúdo — mas que agora pela primeira vez algo como Weltbild surge e é determinado; não se pergunta pela 'origem', mas pela Begründung (fundação) — as condições essenciais, geschichtlich (historicamente), criadoras de história, independentemente de quão longe e de modo puro cada vez se realizam.
    • Aqui apenas uma denkerische geschichtliche Besinnung (meditação pensante histórica), da qual se pode talvez dizer que seja historisch falsch (historicamente falsa) — tanto melhor: historische Richtigkeit enthält keine geschichtliche Wahrheit (correção histórica não contém verdade histórica).
  • A delimitação cronológica por séculos orienta-se pela Auffassung (concepção) e interpretação do Wesen der Neuzeit (essência da modernidade) e pelo ponto de vista e de orientação da interpretação — quanto mais essencial a apreensão dessa era, tanto mais ampla a envergadura de sua cronologia.
  • A Seiendheit (entidade) como Gegenständlichkeit (objetividade) e Machenschaft (maquinação) determinam uma interpretação determinada da verdade e assim do Sein em geral — Richtigkeit (correção) e Gültigkeit (validade) tornaram-se valores em si, ambos relacionados à Gegenständlichkeit.
    • Ao mesmo tempo, isso, no fundo machenschaftlich (maquinativo), desdobrou-se ele mesmo machenschaftlicamente: organização da ciência.
  • A pura Objektivität (objetividade) não está dirigida à verdade, mas à fabricação de uma Richtigkeit que se fecha contra todo perturbação (posicionamento de metas de outro tipo) — a ciência de algum modo serviçal — politisch-völkisch (política-étnica) — não é nenhuma oposição àquela, mas ambas de modo diferente a mesma coisa, ambas caracterizadas pelo Verzicht (renúncia) à questão da verdade — ambas apenas a consequência do machenschaftlichen Wesens (essência maquinativa).
    • Ambas por isso, após breve e aparente antagonismo, concordantes agora: isso dá a certeza de que a ciência ajuda imperturbável na última expansão da Machenschaft, de que dela cada vez menos um saber é de esperar, porque nunca o foi; a força criativa originária da arte, da fé e do pensar, já eficaz mas ainda não expressamente reconhecida, contribuiu para elevar 'a ciência' a um papel especial no final do século XIX (cosmovisões científicas etc.).
  • Na medida em que 'a ciência' agora se organiza definitivamente como peça integrante da 'Technik', a verdade sobre ela não foi contudo conquistada — pois de um lado ela se instala novamente no papel de fator cultural que tinha até então, e de outro impede a Besinnung (meditação) sobre o saber no sentido essencial; com o reconhecimento político que lhe é concedido se está satisfeito e ao mesmo tempo se salvou propagandisticamente diante do público a pretensão à Kulturfähigkeit (capacidade cultural).
    • O que porém ocorre por trás de tudo isso circunscreve apenas a relação da ciência com o saber — pois agora, sob a aparência do reconhecimento do saber, toda autêntica Wissenswagnis (ousadia do saber) — do perguntar — é impossível, porque previamente tornado supérfluo: e a Angst vor der Fragwürdigkeit des Seyns (angústia diante da questionabilidade do Seyn) sabe-se assegurada.
  • Por trás do escudo protetor da legítima 'luta' contra o 'Intellektualismus' assegura-se a covardia diante de todo esforço por uma Wissensentscheidung (decisão de saber) ou mesmo apenas de sua preparação.

Ciência de Jornal e de Rádio

  • Quando algo assim surge, a maioria pensa apenas, se pensa algo: que a ciência seria aqui aplicada a domínios que até então se moviam apenas à margem do saber científico, e o círculo das disciplinas alargado — isso é uma ilusão; o processo é completamente outro: o que parece ser domínio marginal torna-se Grundwissenschaft (ciência fundamental), isto é, determina — ainda que para a maioria não reconhecível — o futuro caráter das 'Geisteswissenschaften' (ciências do espírito); (vgl. 'Geographie').
  • A 'Zeitung' (jornal) não é tanto objeto e tema, mas o Weise des Vorgehens (modo do proceder) — Veröffentlichung (publicação), 'Publizistik', Propaganda — isso não como forma indiferente, mas o que decide o que e como pode ser conteúdo da ciência; igualmente a Maschinenwissenschaft (ciência da máquina): não 'máquina' como objeto, mas o Como do proceder — as denominações a partir do Wesen des Vorgehens (essência do proceder) são agora pela primeira vez wesenstriftig (essencialmente pertinentes) — a Zusammengehörigkeit (co-pertinência) de ambas.

Ciência e Pensar

  • A pergunta sempre renovada sobre a utilidade e o ruinoso 'da ciência', cuja idolatria se intensifica diariamente — torna-se ao mesmo tempo clara a Ohnmacht (impotência) do Denken (pensar) e do Dichten (poetar) diante desse processo unheimlich (inquietante), que deve ser repensado no âmbito do Seins-Geschickes (destino do ser) — mas o que fazer? Em todo caso: nada; toda resistência torna-se escravidão diante do supostamente combatível.
  • É necessário aprender que o pensar mesmo é um Tun (agir), mas um agir que nada produz, que antes ajuda a preparar o lugar, o lugar para a possível Besinnung no Weltaugenblick (instante mundial) em que o mundo calculante desmorona em sua própria Ödnis (desolação) e fica farto do Fortschritt (progresso) — e esse preparar não seria também um wirken (atuar)? E não persegue uma utopia? — a resposta é: não.
    • É a Einsicht (visão) na Endlichkeit des Daseins des Menschen (finitude do Dasein do homem) — que se abre somente à Langmut des wartenden Denkens (longanimidade do pensar aguardante) — necessário é o esperar e a transmissão de tal esperar, com renúncia a planos, modelos, ao operativo e à mera informação; o difícil e inabitual desse modo de pensar se oculta em sua Einfachheit (simplicidade), em seu Unscheinbaren (não-aparente), cujo brilhar nada comparável conhece.
    • Ainda cresce, isto é, prolifera a errônea opinião de que o homem faz a si mesmo e que o modo de seu agir é produção e processo — também a Anti-Kunst (anti-arte) ainda pende na concepção moderna de arte; somente quando os que experienciaram o Dichterische (o poético) chegarem à palavra, o pensar estará salvo diante do assédio destruidor da ciência moderna.

Sobre a Atual Weltveränderung (Transformação do Mundo)

  • Apresentar tais considerações como as usuais representações pessimistas de gente envelhecida que não acompanha mais o tempo não é hoje mais permitido — vale ver a einzigartige totale Weltveränderung (única total transformação do mundo), mas o homem a 'verá' somente quando tiver encontrado para isso a palavra certa, o que exige por sua vez que ela seja buscada; isso não se logra sem pensar — e esse torna-se, no entanto, cada vez mais raro em meio aos calculadores universais.

'Ciência' e Universidade

  • Enquanto se discute sobre Grundordnungen (ordenações fundamentais), isto é, se titubeia em vazias questões de organização, consuma-se uma decidida irrupção da Soziologie (sociologia) no âmbito das 'Geisteswissenschaften' — a última barreira contra a Alleinherrschaft (domínio exclusivo) 'da ciência' no sentido de 'science' é removida; a Industriegesellschaft (sociedade industrial) faz-se régua para a medição do que a universidade deve se tornar — a Sinnlosigkeit (insensatez) triunfa; para o Nachdenkenden (o que medita) não faz mais sentido participar; tanto mais necessário torna-se para os poucos, sem publicidade, salvar a stille Macht des Geistes (silenciosa força do espírito) que se subtrai às medidas da mera razão.
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