GA76 Ameaça da Ciência
Leitgedanken zur Entstehung der Metaphysik, der neuzeitlichen Wissenschaft und der modernen Technik [2009]
* A Wissenschaft (ciência) moderna é colocada sobre liberdade plena, o que não significa arbitrariedade, mas depende do nexo interno das reflexões; a Voraussetzung (pressuposição) é algo provisório e ambíguo, talvez muito adiantado, e a suposta Bedrohung (ameaça) da Wissenschaft não se manifesta em sua má situação, mas justamente em seu nunca antes visto bom progresso, o que indica que ela não está mais na Wahrheit (verdade), mas apenas no Fortschritt (progresso).
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O procedimento busca um encontro de ambos os lados, compreendendo primeiro o que Kant diz, para então, a partir daí, perguntar como e de onde ele fala sobre a ciência, e então alcançar o fundamental, que deve ser experimentado por si mesmo.
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Não se busca a tranquilidade do mero pesquisar, mas o Wille (vontade) e a Möglichkeit (possibilidade) da Gestaltung (configuração) espiritual, onde o que vigora são as provas acerca do Wissen (saber) e a experiência que elevam acima da mera utilização, colocando antes dela a questão do enfrentamento e da sustentação da testemunha e da abertura do espaço do Deus.
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Apenas algo pequeno e provisório é pretendido, mas isso é decisivo: que naquilo em que a Wissenschaft se consome ainda reside um Outro, e que este Outro vigora de um modo que a consciência dos trabalhadores e envolvidos sequer pode suspeitar.
* O caminho se afasta do Nutzen (utilidade) e do Erfolg (êxito) como únicos critérios de interpretação e valoração, em direção ao âmbito da Wahrheit e do Da-sein (ser-aí) e da oculta história metafísica, através de possibilidades profissionais para a co-preparação unitária de um destino.
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O essencial neste círculo de trabalho é que ele se reúne por impulso próprio e de diferentes lados, exigindo por trás disso uma vontade determinada que desperta de experiências específicas, cabendo apenas a tarefa de conduzir essa vontade a um curso frutífero, esclarecendo-a e fortalecendo-a a partir do trabalho comum.
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Este Wille (vontade) é o Wille zur Besinnung (vontade para a reflexão) sobre a Wissenschaft, embora discussões sobre a ciência não sejam incomuns desde as inúmeras declarações dos últimos anos, especialmente desde Nietzsche, cuja reflexão o levou a deixar a universidade, o que constitui a decisão mais aguda contra a Wissenschaft da época.
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O que aqui reúne, no entanto, é que jovens pesquisadores e professores são impelidos, a partir do trabalho científico, a uma reflexão sobre a Wissenschaft, e o fato de este impulso tornar-se especialmente premente agora indica que experiências particulares estão sendo feitas e que estas agora se mostram em sua abrangência, revelando um estado de coisas muito sério.
* A Bedrohung (ameaça) da Wissenschaft não é a queixa daqueles que a veem em perigo porque o tranquilo funcionamento do que vinha sendo feito é perturbado, mas a ameaça mais aguda consiste em que a ciência moderna vai tão bem como nunca, sendo confirmada e encorajada em sua utilidade e produção de progresso, o que é o sinal de que ela mesma não está mais na verdade e renunciou ao saber essencial, apesar de todos os revestimentos “cosmovisivos”, que são apenas utilizações “disfarçadas” da ciência.
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Uma Bedrohung (ameaça) da Wissenschaft, como aqui entendida, também não vem da direção da aversão e desconfiança sempre recorrentes contra a ciência por parte daqueles que nela veem apenas um campo de atuação privilegiado de círculos intelectuais, sendo um erro pensar que essa desconfiança seria sanada pela demonstração da utilidade da ciência.
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A decisiva e real Bedrohung (ameaça) da Wissenschaft, no entanto, é quíntupla: primeiro, a ameaça vem da própria ciência e acontece por ela mesma, pois na ciência moderna o método tem um peso peculiar e a tendência a assumir a precedência sobre a própria coisa, o que leva à Technisierung (tecnologização) e à Spezialisierung (especialização), que não são avaliadas como falta, mas como posse e garantia de progresso.
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Esta Technisierung (tecnologização), porém, não é apenas um assunto das ciências matemáticas da natureza, mas igualmente das ciências do espírito, e através da precedência do método e de seu endurecimento em Technik (técnica), ocorre um crescente desligamento do Sachgebiet (domínio objetivo) como tal e, acima de tudo, a destruição da relação com o âmbito do Ser, de modo que, por exemplo, há biólogos que já não têm mais relação essencial com a natureza viva, nem historiadores da arte que tenham uma relação verdadeira com a obra de arte, destruindo assim a própria ciência a relação genuína do saber essencial com o ente.
Segundo, esta ameaça interna recebe hoje um agravamento essencial através de uma situação de emergência incomum do povo, na medida em que as ciências e seus procedimentos são imprescindivelmente utilizados na execução do plano de quatro anos, o que confirma a tendência à Technisierung (tecnologização) e organização e leva a um endurecimento de sua postura, sendo esta confirmação prática interpretada também como confirmação política.Terceiro, a destinação prático-técnica decidida da Wissenschaft já internamente tecnologizada tem como consequência que a ciência assim requisitada se vê vinculada às instituições que têm a tarefa de dominar a necessidade das necessidades vitais e da economia, ou seja, a Indústrie (indústria), que assume a ciência, processo que não é novo, mas está traçado na essência da ciência moderna, de modo que o Betrieb (empreendimento) científico há muito se aproximou do caráter da indústria.-
A Übernahme (assunção) da Wissenschaft pela Indústrie (indústria) significa o desligamento da Wissenschaft como instituição em sua forma de execução da Universität (universidade), processo que só se torna uma ameaça à Wissenschaft quando a universidade faz a antiga reivindicação de sua essência, mas ao mesmo tempo não lhe corresponde.
Quarto, o desligamento da Wissenschaft da Universität torna-se uma ameaça à Wissenschaft não pela mera transferência para a indústria, mas inversamente pela ausência da Selbstbehauptung (autoafirmação) da universidade alemã, que não significa endurecimento no que foi até agora, nem apenas e primeiramente alinhamento político, mas a vontade de colocar-se a si mesma em questão e, através disso e somente disso, reconquistar-se na tarefa própria e em uma forma superior, sendo o lugar onde a ciência mesma se assegura e constantemente se renova e supera a si mesma a partir de um saber originário sobre si mesma.Quinto, esta ausência de verdadeira Selbstbehauptung (autoafirmação) da universidade e, com ela, a ameaça à Wissenschaft é finalmente reforçada pelo fato de que a necessidade da educação política e da criação de uma reserva de liderança no Partido levaram a planos de longo alcance, como o novo plano da Hochschule (escola superior) científica, que não torna a universidade supérflua, mas pode fortalecê-la em sua atual falta de impulso interior, na medida em que a nova fundação a alivia da tarefa de estabelecer objetivos.-
No conjunto, a ameaça essencial da Wissenschaft não vem de quaisquer medidas políticas contra ela, nem da nova fixação de objetivos práticos para ela, mas primeiro e unicamente dela mesma e, em conjunto com isso, da impotência e da falta de vontade para uma renovação e transformação interiores, vindo, portanto, do fato de que se quer ter tranquilidade nela, em vez de passar para a inquietude do perguntar.
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O decisivo para o destino futuro da Wissenschaft não é de modo algum se a universidade atual, como local de abrigo do empreendimento científico até agora, será mantida ou não, mas unicamente se a vontade para a reflexão e a força do perguntar dos indivíduos chegarão àquela coleta, conexão e firmeza interiores, a partir da qual e somente da qual pode surgir uma nova fundação do lugar da pesquisa científica e do ensino que pesquisa.
* O que está ameaçado pelo emaranhamento no método é, primeiro, o desligamento do ente, não do objeto, pois este é justamente determinado pelo método e pelo fomento do progresso; segundo, o desligamento do próprio pesquisador da relação de si mesmo com o ente; e terceiro, o desligamento como sufocamento das forças originárias, a partir das quais a Wissenschaft deve ser saber essencial e sempre preparar e sustentar, excluindo-se a si mesma da fundação da verdade essencial do Dasein (ser-aí), para a qual ela só pode ser essencial como unidade originária fechada, em uma certa correspondência com a Kunst (arte).
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Pergunta-se para quê, se é suficiente dominar seus procedimentos e ter ocupado um âmbito no qual se produzem resultados, sendo supérfluo refletir sobre a ciência; mas e se as ciências, como saber essencial, é que carregam e configuram os âmbitos?
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A Wissenschaft está ameaçada em sua essência, que consiste em decisões e concepções; quer-se preservar a Wissenschaft em si mesma, porque ela deve criar saber essencial, sendo que uma ciência é científica apenas na medida em que é filosófica, avançando para a unidade do Ser mesmo para nela estar e preparar a grandeza de um destino.
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Se a vontade para a reflexão nos une, estamos no caminho certo, embora muito longo, que nunca mais devemos abandonar, mas este Wille (vontade) para a Besinnung (reflexão) sobre a Wissenschaft encontra imediatamente uma grande dificuldade: a questão de como tal reflexão pode ser iniciada, conduzida, exercitada e mantida, devendo ficar claro desde o início que a Besinnung não pode ficar aquém da exigência de rigor e objetividade, devendo, ao contrário, ter sua própria lei e ser subtraída à arbitrariedade da opinião casual e das meras ocorrências.
* Nenhuma Wissenschaft (ciência) pode saber de si mesma na forma de conhecimento por ela mesma executada, pois não se pode refletir sobre a Física com a ajuda do procedimento da Física, nem a essência da Matemática pode ser determinada matematicamente, nem a Geologia pode ser pesquisada geológicamente, mostrando-se aqui um limite interno da Wissenschaft: seu próprio método fracassa na reflexão sobre si mesma.
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A consequência usual deste fato, geralmente não suficientemente pensado, é que a reflexão sobre a Wissenschaft é deixada a uma reflexão casual e sem método ou simplesmente não ocorre, mas este limite interno não é uma falta, mas apenas a indicação de que nela jaz, ainda não desdobrado, um saber mais originário que lhe pertence e deve tornar-se vivo, se a Wissenschaft deve ter uma autoconsciência correspondente à sua própria essência.
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Sem esta autoconsciência, a Wissenschaft não pode saber o que quer e pode, talvez, apoiada em seus resultados, tornar-se praticamente dispensável, mas nunca pode fazer valer-se a si mesma como realidade espiritual, configuradora e educadora na história do povo e, com isso, na história do Ocidente e do mundo.
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A Besinnung (reflexão) sobre a Wissenschaft não é possível “cientificamente”, mas apenas com base e pelo caminho de um outro saber, que desde os tempos antigos se chama Philosophie (Filosofia), contra a qual, no entanto, há um preconceito, especialmente no âmbito da própria ciência, de que seria assunto de filósofos individuais, de seus pontos de vista e sistemas; no reino dos grandes pensadores, no entanto, todos pensam o mesmo, e a unidade e continuidade das questões essenciais é essencialmente maior do que em qualquer ciência, na qual há e deve haver progressos.
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Na Philosophie (Filosofia) não há progresso e, portanto, também não há retrocesso, mas apenas a força e a capacidade de dizer e pensar o mesmo de modo novamente originário, e a este Mesmo, que a Filosofia sempre considera, pertence também a Wissenschaft como um modo determinado de encontrar e fundar a verdade.
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Dentro da história da Philosophie, há pensadores de diferentes escalões, e Kant deu os passos decisivos na reflexão sobre a ciência moderna, estando em um ponto de virada peculiar da história ocidental e, especialmente, alemã, sendo sua reflexão essencialmente mais do que a reflexão sobre aquela ciência, determinando assim a história futura da ciência no século XIX e XX.
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Quem hoje reflete sobre a situação da ciência com visão ampla e livre de preconceitos deve chegar à conclusão de que, quanto mais forte e exclusiva for a exigência técnico-prática-política sobre a Wissenschaft, mais decididamente ela necessitará da Philosophie, se quiser suportar essa exigência.
* A “Krisis (crise) da Wissenschaft” consiste justamente em que ela se considera segura com base em seus progressos, exigindo-se que “o falatório sobre a crise da ciência deve silenciar”; a reflexão sobre a Wissenschaft, sendo filosófica, e a Philosophie o saber essencialmente inútil, não permite esperar utilidade imediata para a respectiva ciência, mas esta reflexão inútil não é sem significado, na medida em que nos dá a entender quem nós mesmos somos e devemos ser como pesquisadores e homens científicos.
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A autoconsciência da Wissenschaft é a Voraussetzung (pressuposição) de seus “progressos”, ou seja, revoluções, e a condição para avaliar a capacidade da ciência e inseri-la no todo do Dasein (ser-aí) histórico, possibilitando o saber sobre nossa posição e a direção do movimento.
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A “Wissenschaft” não existe, apenas ciências particulares; e onde as encontramos, por exemplo, a “Física” - os Institutos não são a Wissenschaft, mas uma instituição pertencente a ela; pergunta-se: por que experimentos, por que leis, por que Natureza “legal”, o que significa isso, e como o conceito moderno de Natureza se relaciona com o φύσις grego e com o Wissen como relação do homem com o ente.
* Assim como dentro da Wissenschaft um pesquisador não pode agir com nada, também na busca pela reflexão sobre a Wissenschaft não se pode proceder arbitrariamente, porque a própria Wissenschaft, a que a reflexão se destina, é histórica, devendo também a reflexão sobre ela ter sua história e, com isso, as instruções de procedimento para nós; o decisivo é apenas onde se começa, se se alcança o ponto de partida suficientemente frutífero e essencial e, acima de tudo, se o mantém e o desdobra em sua potência interior.
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A obra de Kant, “Metaphysische Anfangsgründe der Naturwissenschaft” (Fundamentos Metafísicos da Ciência da Natureza), tem seu precursor em Leibniz, e não se trata de mostrar que Kant não é original, mas que um pensador que contribuiu essencialmente para o desdobramento da física matemática se move em tal reflexão.
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O “Mathematische” (matemático) é o “Wissenschaftliche” (científico), e não a experiência, os fatos, o experimento; estes só são possíveis através daquele, sendo ambos inseparáveis, mas enquanto Leibniz ainda procede com uma sequência de definições, a obra de Kant tem sua base na “Crítica da Razão Pura”, na qual o modo e o caminho da reflexão sobre a ciência estão desdobrados e determinados.
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A partir do prefácio da obra, desenvolve-se a delimitação do conceito de “Natur” (Natureza), primeiro formalmente como uma forma, um modo de ser, e depois como o ente mesmo nesse modo, na maneira como é acessível, distinguindo-se Natur e Kunst (arte) e Natur e Geschichte (história), exigindo o conceito de Natureza um conhecimento por meio da razão de sua conexão.
* O Begriff (conceito) de Wissenschaft (ciência) implica a Darstellung (representação) ordenada de uma conexão de conhecimentos, e a Grundbestimmung (determinação fundamental) é o Sistemático, a ordem segundo Prinzipien (princípios), sendo que a ciência da natureza só é propriamente a racional, enquanto a histórica é apenas doutrina da natureza, não ciência.
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O Begriff (conceito) de Prinzip (princípio) – ἀρχή – é o fundamento, o “de onde” a partir do qual se ganham as proposições essenciais, e a Vernunft (razão) é a faculdade dos princípios da unidade das regras do entendimento sob princípios, como o princípio da energia ou da menor ação.
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A Natur (Natureza) é o princípio interno de tudo o que pertence ao Dasein (existência) de uma coisa, conduzindo consigo o Begriff (conceito) de Gesetze (leis), e este, o Begriff (conceito) da necessidade de todas as determinações de uma coisa que pertencem ao seu Dasein, de modo que a necessidade das leis está inseparavelmente ligada ao seu conceito e exige uma visão penetrante.
* Gesetz (lei) é Regel (regra), e a regra é a condição representada para a possível posição uniforme (síntese) de um múltiplo; a lei, por sua vez, é uma regra necessária, que não admite exceção, sendo as representações de tais condições que pertencem necessariamente ao Dasein (existência) de uma coisa.
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A tarefa e o Ziel (objetivo) da Física e da ciência da natureza é o conhecimento da Gesetzlichkeit (legalidade) da Natureza, que permite a previsão como uma consequência, mas a partir da intenção de dominação, onde Gesetzlichkeit (legalidade) significa, segundo Planck, uma conexão inquebrantável entre grandezas físicas mensuráveis que permite calcular uma quando as outras são conhecidas.
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A Arbeitshypothese (hipótese de trabalho), como um “salto do pensamento” e “fantasia”, e a relação entre Lage (posição) e Beschleunigung (aceleração) na lei do movimento planetário, onde a Kraft (força) = massa x trabalho e o Potential (potencial) ganham precedência, sendo determinante em toda formação de conceitos a Messbarkeit (mensurabilidade) do visado.
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A Gesetzlichkeit (legalidade) pode ser estatística ou dinâmica, e a questão da “Kausalität (causalidade)” e da “Unbestimmtheitsrelation (relação de indeterminação)” de Heisenberg são centrais para a reflexão sobre a ciência, que se volta principalmente para a Física, porque é por ela que a concepção moderna de Wissenschaft é essencialmente determinada.
* A Besinnung (reflexão) sobre a Wissenschaft se dirige ao Begriff (conceito) de Natur (Natureza) como a existência das coisas segundo leis, o que exige Gesetzlichkeit (legalidade) e Tatsächlichkeit (facticidade), e ao Begriff (conceito) de exakte Wissenschaft (ciência exata) e Strenge (rigor), onde Exaktheit (exatidão) significa mensuração quântica espaço-temporal.
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O Experiment (experimento) moderno visa a Gewinnung (obtenção) de “Tatsachen (fatos)”, e o Erklären (explicar) significa remeter ao conhecido; o Messen (medir) tem seus limites, como mostra a “Unbestimmtheitsrelation (relação de indeterminação)” de Heisenberg, e a questão transcendental investiga a Vergegenständlichung (objetivação) do ente.
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A Wissenschaft (ciência) é um modo do Wissen (saber) – a apropriação cognoscitiva (representante-fundamentadora) da verdade de um âmbito do Ser, sendo positiva (de um âmbito dado), streng (rigorosa) (vinculada à coisa e ao âmbito) e erklärend (explicativa) (no sentido de retorno a algo compreensível e conhecido).
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Nem toda Wissenschaft (ciência) é exakte (exata) Wissenschaft, se por isso se entende o compreender mensurante-explicativo; a exatidão é um modo possível, mas não necessário, da Strenge (rigor) da Wissenschaft, e as ciências do espírito, para serem rigorosas, devem permanecer inexatas.
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A Exaktheit (exatidão) pode significar tanto o caráter do método determinado pela coisa e pelo âmbito como tal, quanto a determinação do manejo no sentido do cuidado do método.
* O Erklären (explicar) nas ciências exatas remete a um “Bekanntes (conhecido)”, isto é, geral – a uma Regel (regra) na qual se expressa uma relação necessária entre fenômenos, e a ordem e a conexão incluem relações e a da sucessão – Kausalität (causalidade), onde tudo o que começa a ser pressupõe algo sobre o que segue segundo uma regra.
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A ciência mensurante-explicativa e o Experiment (experimento): a Física matemática exata não é exata porque experimenta, mas deve experimentar porque é posta como ciência exata, ou seja, porque o Vorgriff (pré-concepção) sobre a Natureza a estabelece como uma conexão de pontos de massa em movimento, determinável quantitativamente (segundo lugar e velocidade), onde o procedimento, o modo de rigor, é o Messen (medir).
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O Messen (medir) cotidiano é o “aus-messen” (medir) como a indicação de quão grande algo é, onde o Maßstab (padrão de medida) é aplicado ao que é medido; na determinação da grandeza, o Maßstab é o menor, e o que é medido contém e abrange o padrão, podendo também o que abrange tornar-se o padrão do contido, mostrando-se o Messen como a determinação “quantitativa” de uma “relação de grandeza”.
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Onde o Messen (medir) é a determinação de relações de grandeza, ele é fundamentalmente Bestimmung von Größenverhältnissen (determinação de relações de grandeza), e quando as “grandezas” se tornam muito “pequenas”, os instrumentos de medida devem se tornar muito “finos”, ou seja, adequados para captar as grandezas e relações de grandeza que crescem para o pequeno.
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Algo essencial é negligenciado quando se assume que Maßstab (padrão) e o que é medido permanecem independentes um do outro; no entanto, pode acontecer, no contexto da diminuição da grandeza, que o instrumento de medida e o que é medido sejam de tal tipo que, na relação de medida, “atuem” um sobre o outro e se modifiquem, especialmente quando se trata de medir o objeto segundo lugar e velocidade simultaneamente.
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O instrumento de medida, sendo de natureza instrumental, material e, portanto, da mesma maneira de ser, não é algo indiferente, tanto mais que o homem, como ser “corporal”, não pode descer abaixo de uma determinada ordem de grandeza, de modo que o instrumento de medida terá sempre que ser da natureza do utensílio e do terreno.
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O Entwurf (projeto) da “Natur” (Natureza) em sua pura quantitabilidade das relações espaço-temporais parece assegurar uma determinação definitiva e abrangente deste âmbito, no entanto, este Entwurf contém em si a Anweisung (instrução) para o Messen (medir) e, com isso, para o instrumento de medida e, portanto, para o terreno e, portanto, para a Geworfenheit (lançamento) do homem, sendo o Entwurf um geworfener Entwurf (projeto lançado), algo totalmente diferente da “Subjektivität (subjetividade)” das “qualidades sensoriais”.
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A Wahrheit (verdade) do Wissen, aqui da Wissenschaft, é fundada no Da-sein (ser-aí) do homem, e somente nela o horizonte é delineado, que torna o ente enquanto tal determinável, e a mera Vergegenständlichung (objetivação) do ente em qualquer direção do representar não é suficiente para, em seu âmbito, topar com a Entidade do ente.
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O decisivo da autointerpretação do Wissen moderno e da Wissenschaft em particular é que ela deixa a Vorgestelltheit (ser-representado) tornar-se a caracterização da Gegenständlichkeit (objetividade) e esta a Entidade, de modo que uma insuficiência da verdade e um não-alcançar o ente sequer se tornam experienciáveis, resultando, ao contrário, no arrastamento para o sempre mais longe, que, no entanto, deve lançar de volta, no limite do projeto, para a Geworfenheit (lançamento), sem que este acontecimento seja compreendido.
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A “Unbestimmtheitsrelation (relação de indeterminação)” de Heisenberg não é um conhecimento filosófico, mas um conhecimento da ciência natural, e é totalmente enganoso fazer dela uma “teoria do conhecimento”, embora ela toque uma questão que a doutrina anterior do conhecimento e da verdade não via, mas que a Física tampouco pode jamais tratar: a questão da Einrichtung (instalação) – Bergung (salvaguarda) da verdade no próprio ente.
* A “Unbestimmtheitsrelation (relação de indeterminação)” afirma que o produto das duas imprecisões na determinação prática de lugar e velocidade do elétron, multiplicado pela massa do corpo a ser observado, é igual ao quantum de ação h, onde lugar e velocidade são conceitos de medida, sendo necessário perguntar se o lugar é determinável sem referência à medida e o que significa o direito e o privilégio da mensuração.
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Não é a Kausalität (causalidade) que é derrubada, nem a Philosophie (Filosofia) refutada, mas a pretensão, supostamente justificada, da Física anterior de poder medir as conexões de maneira inequívoca e absoluta; a afirmação de Bohr de que aqui a separação entre objeto observado e sujeito observante começa a se confundir não procede, pois o instrumento de medida não é o sujeito observante e a separação não é uma separação, mas justamente a relação transcendental, e ela não se confunde, mas se torna “maior”.
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A “Unbestimmtheitsrelation (relação de indeterminação)” mostra que a previsão exata, absoluta e incondicional é impossível, mas esta impossibilidade não significa uma violação da lei da causalidade, apenas a negação da comprovação calculável univocamente determinada de sua validade pressuposta, pois a impossibilidade da previsão só tem sentido se a causalidade é pressuposta, ou então a “lei causal” é entendida como calculabilidade, caso em que a “lei” é inválida.
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A pergunta sobre o que isso significa não implica que nem tudo o que acontece pressupõe algo sobre o que segue segundo uma regra, mas apenas que a “regra” é determinável de várias maneiras, e a “Unbestimmtheitsrelation (relação de indeterminação)” mostra que a maneira da determinação (medida e mensurabilidade) é a maneira do Ser do ente e de sua possibilidade de ser, porque a Entidade é igual à Gegenständlichkeit (objetividade).
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A pergunta sobre a justificação desta concepção e em que limites ela é significativa, mas onde a distinção é necessária, aponta para o ponto em que a ciência da natureza passa a uma proposição fundamental sobre o ente enquanto tal – a Natureza como tal – e para a Kausalität (causalidade) da Natureza, ou seja, o Dasein (existência) das coisas segundo leis.
* A transição para a Frage der Transzendentalen (questão transcendental) mostra o limite interno da Wissenschaft, que é justamente o fundamento que a sustenta; a ciência da natureza visa, segundo a opinião comum, Tatsachen (fatos) e Gesetze (leis), mas o que é um fato e o que é uma lei, e qual é a conexão entre ambos e em que fundamento?
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A Natur (Natureza) – o todo da Natureza – não é experienciável e, no entanto, é pressuposta; a Tatsache (fato) não é simplesmente o observado ou o percebido sensorialmente, mas o observado como consequência de uma disposição experimental, e a Tatsächlichkeit (facticidade) do fato inclui tudo isso, de modo que a pergunta transcendental investiga a Ursache (causa) – a conexão de efeito, a persistência de algo, a mensurabilidade e o medido como uma determinação do próprio ente.
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A Gesetzlichkeit (legalidade) é a Natur (Natureza), que é pressuposta pela ciência da natureza e para ela, e com isso algo é reivindicado e retrocedido a algo que ela mesma não pode calcular com seus meios e em seu sentido, e que, no entanto, é necessário para ela; no sentido kantiano, isso está no Transzendentalen (transcendental), que tem como pressuposição que ente é o que é representado com certeza, que o objetivo do representar correto é o ente, e que a Richtigkeit (correção) é a Wahrheit (verdade), e a Wahrheit e o homem.
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Assim como para a Wissenschaft comum e sua autoconsciência só vale como conhecimento o que contém e fornece uma pré-dicção e calculabilidade, inversamente, só faz impressão na ciência no sentido de um limite o que não mais e o fato de que não mais se consegue no sentido desse cálculo, e talvez seja necessário ver limites totalmente outros, que não significam apenas uma parada e um “não-ir-além”, mas inversamente, abrem a visão para outros âmbitos – não para “mundos posteriores” sonhados, mas inversamente para aquilo que é mais real do que aqueles “fatos”: a própria Wissenschaft, porque ela carrega e fundamenta isso como Wissen e estar na verdade.
* A confusão do pensamento na ciência da natureza é exemplificada por Pascual Jordan, que exige como princípio para a reflexão epistemológica que toda proposição científica só possui conteúdo e sentido real na medida em que expressa relações e legalidades no material de nossa experiência experimental, o que significa que não há reflexão epistemológica, porque o “conhecimento” mesmo não é objeto de “nossa experiência”, sendo este “Positivismus (positivismo)” que nega toda possibilidade de conhecimento da essência e declara as observações e vivências experimentais como a única “Wirklichkeit (realidade)”.
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O “Positivismus (positivismo)” afirma que o seguro e permanente da ciência física está nos fatos experimentais, enquanto os conceitos e imagens de pensamento, para os quais os fatos são processados, podem se mostrar insuficientes com a ampliação do conhecimento factual.
* O Wesen (essência) da Tatsache (fato) é que algo está presente aqui e agora, lá e então, que algo se comporta de tal e tal maneira, sendo o “que” ele é, determinável pela comprovação na percepção sensorial imediata, que é um Experiment (experimento), repetível e verificável por todos; no entanto, o “que” do fato já visa uma Regel (regra) (o representado como condição de uma possível ordem) e, com isso, um âmbito de ordem.
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O “que” do fato contém relações regulares: quando isso, então aquilo; se isso, então aquilo; porque isso, portanto aquilo; de modo que a Tatsache (fato) é o “que” da validade dessas regras, e a Tatsächlichkeit (facticidade) não é simplesmente o que é apenas constatável, mas a constatação se realiza a partir dos Vorgriffen (pré-concepções) essenciais da questão e do que é exigido com ela, o Experiment (experimento), de modo que os fatos se orientam segundo o modo da facticidade, ou seja, da Gegenständlichkeit (objetividade) do respectivo âmbito e de sua comprovação.
* O outro, que pertence à Wissenschaft, não fora dela, mas que a sustenta e a determina, igualmente não questionado por ela, é nomeado de várias maneiras na ciência da natureza – definições, pressuposições, axiomas, hipóteses de trabalho, ideias, categorias, ideias-guia, imagens de pensamento, postulados –, mas a arbitrariedade da nomeação mostra que ele é reconhecido e imediatamente descartado, visando ao objeto e ao seu modo de tratamento.
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A reflexão sobre a Wissenschaft significa olhar para fora de si mesma, para o todo do ente, e esta reflexão é algo supérfluo, pois há décadas todo o progresso furioso segue seu curso sem ela, mas talvez o supérfluo seja o único essencial.
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A Wissenschaft – como ela é determinada – não é um acaso, mas uma decisão do homem sobre sua posição fundamental no ente, e com a concepção da Wissenschaft, seja expressa ou não, a decisão está tomada e a posição assumida; pergunta-se que posição a ciência atual ocupa e como ela se entende a si mesma.
* No prefácio dos “Metaphysische Anfangsgründe der Naturwissenschaft” (Fundamentos Metafísicos da Ciência da Natureza), o essencial é o retrocesso ao “a priori”, o puro “de antes”, que se mostra na experiência comum do que está presente; pergunta-se o que está aí – a Gegenständlichkeit (objetividade) do objeto – e aonde pertence e em que se funda o a priori, distinguindo-se, portanto, o “que” do a priori na experiência e a determinação essencial e a fundação do a priori e da experiência, ou seja, do homem (Da-sein).
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Em Roger Bacon, a “experientia” aparece sempre apenas como oposição ao argumento ex verbo, mas não a diferença entre experiri e experimentum no sentido do experimento moderno, ao qual pertence não apenas a intervenção “ativa”, mas essencialmente o Entwurf (projeto) – a questão como matemática.
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A palestra de Gerlach sobre a fundamentação da imagem moderna do mundo mostrou a confusão insuperável: ele elevou a Philosophie (Filosofia) como “dedução” contra a ciência exata da natureza como “indução”, mas depois falou apenas de hipóteses, deduções e experimentos mentais; disse que não se deve dizer o que é a Natureza e suas aparências, mas apenas observar, fazendo com isso justamente um Vorgriff (pré-concepção); tratou a Metafísica como um sonho voador no indeterminado, citando Kuno Fischer como testemunha, e, ao lado dessa pesquisa exata, colocou o “interior” e as vivências pessoais, sendo inteiramente sem história, apresentando Platão e Aristóteles como primitivos atrasados.
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A “experientia” e “experimenta” em Roger Bacon não significam “Experiment (experimento)”, nem mesmo 300 anos depois em Descartes, mas sim a “ἐμπειρία” aristotélica, a intuição sensorial imediata do múltiplo como tal, preparando o Nominalismus (nominalismo) – a virada da realitas como essentia para a realitas como singulare, sendo o primeiro passo expresso na haecceitas de Duns Scotus, mas apenas em Ockham, provando com isso que a Metafísica e sua mudança são a Voraussetzung (pressuposição) para a ciência da natureza matemática e sua Mathesis.
* O método transcendental – transcendental – é metafísico, ou seja, princípios ontológicos do objeto, e a Philosophie (Filosofia) é o saber imediatamente inútil, mas senhorial; tanto a superestimação falsa – de que se pode tirar algo dele e usá-lo – quanto a subestimação falsa – de que é abstrato – são razões para a desconfiança e o desligamento.
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No dia seguinte à palestra sobre “A ameaça da Wissenschaft” (como enredada em seu caráter técnico), o Ministro da Ciência do Reich anunciou que a nova Hochschule (escola superior) do Terceiro Reich – a Technische Hochschule (escola superior técnica) – seria incorporada à Universität (universidade), sendo este desenvolvimento, para usar as expressões atuais, “em última instância” inevitável, e reivindica-se este acompanhamento até o fim como “configuração criativa” da história, mas constrói-se e deixa-se ao acaso como as construções se comportam, uma vez que são projetadas sobre o vazio.
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