Clivagem do Ser
ZERKLÜFTUNG DES SEINS
1. A Clivagem do Ser
2. Clivagem
Profunda e ampla (amadurecendo para dentro) e amadurecendo o ser.
3. A abertura fundamental das modalidades
Possibilidade – os perigos – para uma libertação do Da-sein. Realidade – o acidental do que é corrente e vigente – vigência presente. Necessidade – “decisão” – apropriação da guerra e, com ela, da tarefa passada – coação – para quê? O encantamento da limitação que retroage: nação – raça. Mas tudo isso não como curiosidade e virtuosismo da situação ordinária, mas como circunvisão e guarda do ser – não como manifestação de uma tomada de posição, não como construção de “uma filosofia”, mas como abertura do próprio ente – encaminhando para este um acontecimento do ser.
4. A “unidade” da clivagem
“Unidade” é apenas uma indicação, e perigosa, pois atrai para o terreno da mediação formal. O que importa ver: o caráter de queda, por exemplo, do real no possível, o inevitável da necessidade, justamente o acontecimento da essência: como o ser essencia e essencia. Na interpretação dessa essência, deve-se recorrer ao ôntico e tomar imagens dele? Sim e não.
5. O projeto que suporta a clivagem
A clivagem não é algo a ser encontrado em algum lugar, nem pode ser lida em conformidade com um domínio regional do ente. Portanto, o projeto deve ser ousado para o ente em sua totalidade – a partir de um lançamento que deve ser originalmente suportado e levado ao que é suportado. O que é suportado do ente é ele mesmo tonalizante e formador. A medida do projeto que suporta está no próprio ser. A pré-questão contida em si, não a partir de uma modalidade, mas a partir da essência pré-modal do ser.
6. O brilho completamente desbotado da clivagem
A saber: a unidade do diferenciado, e esta ainda mais exteriormente na proposição: síntese – diérese (um – múltiplo). Aqui a essência formal da clivagem – mas, como tal, não reconhecida nem compreendida. Ser enquanto um – inicialmente mesmo com a exclusão do múltiplo. O um como mais próximo permanece o único – e este mais próximo único torna-se e permanece o que constantemente é primeiro determinante em toda a subsequentemente conceitualidade do ser.
7. Clivagem como desencobrimento do lançamento
No lançamento – a virada originária para a extensão da visão no abismo próximo – a exposição na necessidade (apertamento). Cuidado – na terribilidade do ser (não em qualquer preocupação arbitrária pelo ente).
8. Lançamento e necessidade (ver Clivagem e Modalidade)
O lançamento é a virada originária do ente (Da-sein) para o ente. E com isso é a virada para o estar-entregue – este mesmo, volúvel – ou seja, fazendo ser necessidade a todo tempo e em todo lugar. Somente nessa necessidade pode se erguer, e se ergue, a libertação da liberdade. Esta virada originária é em si clivagem. Em que medida? Necessidade – e o “não”. Virada originária – o “contra” originário do ente contra ele “mesmo” – Da-sein como encerramento.
9. Clivagem no ser é o caráter fundamental da essência do ser (Espaço-Tempo)
O estranhamento – como o ek-stático – o “rasgo”. A essência como tonalidade (Stimmung). Onde o ser essencia, aí há tonalidade.
10. Clivagem e a terribilidade do ser
A clivagem não deve ser invalidada em oposições com as quais se joga e se desvia. A partir da clivagem, a irreconciliabilidade da duração que se alonga deve irromper.
11. A insurgência do “é” na clivagem
O “é” – como o mais próximo (por quê?) enunciado do ser – logo o coloca em repouso (ser como aparecer – aspecto – estrutura – presença), mas, conforme sua proveniência da clivagem, traz consigo modos análogos: o “era” e o “será” – os tempos dos verbos de dizer. Assim, a clivagem é desviada para todos os lados, e já inicialmente – o acontecimento do ser permanece oculto; as modalidades são determinadas pelo desvio através do “é” (modalidade do juízo) e reunidas de modo obscuro e infundado.
12. Modalidades – o fútil
13. Liberdade e finitude e a clivagem
Possibilidade, realidade e necessidade. Liberdade e finitude. A diferença entre bem e mal – nulidade, e apenas onde esta, aí o “âmbito” (“abertura”) da possibilidade, realidade e necessidade. Essa clivagem interna na essência da liberdade, e essa clivagem, como a transcendência que constitui a temporalidade – a essência mais íntima da finitude e do mundo. Essa clivagem é a ek-stática e o acontecimento como jogo – donde – do jogo do mundo. A discórdia e a ruptura entre dever e realização é apenas algo derivado.
14. Liberdade e modalidade
Concessão de vinculação, originalmente no próprio projeto do ser, mas não apenas deixar-se determinar (fundamento – causa), isso é a consequência.
15. Clivagem e irrupção do Da-sein
Clivagem e abismo – origem do fundamento. Clivagem como irrupção da obscuridade (Schelling) – a forma fundamental do desencobrimento. O primeiro iluminar-se é o escuro. A onda interna da temporalidade, na qual sua unidade ek-stática (mundo) não chega propriamente ao mundificar-se (pobreza de mundo). Ocultação não disso e daquilo, mas ocultação daquilo que ela mesma “é” e “carrega”.
16. Clivagem e a ruptura no ser
O ser como ruptura (unidade pressuposta de modo errôneo). A ruptura é tomada imediatamente como identidade de unidade e multiplicidade em cada ente enquanto tal. Essa ruptura se expressa em proposições – na linguagem – como contradição. A ruptura torna-se visível primeiramente, e até agora unicamente (Hegel), na contradição – na necessidade de que esta se dê. Ela não se dá porque a proposição entra em contraposição, mas porque as proposições em si desencobrem e visam ao ente, com base na compreensão do ser.
17. Clivagem – Modalidade – Ruptura
A ruptura no próprio ser não pode ser apreendida apenas a partir da contradição, mas deve ser rastreada até sua origem transcendental-temporal. E aí se mostra: a ruptura provém da clivagem. E esta é a clivagem do ser em possibilidade e realidade – o quê e o que, de tal modo que estas são apreendidas inicialmente de modo exterior e a partir do logos. As modalidades, em sua ruptura (a forma fundamental da unidade no isolamento do Da-sein), deixam primeiro surgir essas rupturas. Ruptura e Nichtung originário.
18. Clivagem – Modalidade e diferença ontológica
Tudo isso pertence originariamente junto, ou seja, surge conjuntamente. Porque o ser é em si clivagem, por isso também a ruptura de ser e ente (methexis, chorismos). Onde o ente enquanto tal – com o ocultamento do ser enquanto tal – aí já está “decidido” entre Assim e Não-assim, Que e Se – sem que estas sejam reconhecidas como tais.
19. Verdade e ambiguidade do ser
Por que ambiguidade? Porque ser “do” ente, e porque ser “do” (para o) compreender (methexis, chorismos). Enquanto essa ambiguidade não for tomada radicalmente, não se compreende por que tanto o idealismo quanto o realismo são igualmente falsos e verdadeiros.
20. Permanência-do-ser e mesmidade. Cuidado
O ser permanece junto de si, melhor: é o estar-junto-de-si, e como permanência de seu si-mesmo, ou seja, ele mesmo em mesmidade clivagem. A mesmidade do Da-sein é a permanência-do-ser; ser “é” enquanto permanência.
21. Possibilidade – Realidade – Necessidade. Clivagem e desamparo
Como esses três se reúnem? Pertencem eles conjuntamente? Originam-se apenas da clivagem originária do ser? Em que reside esta? No tempo? O tempo manifesta-se como fragmentação, e a fragmentação petrificada = clivagem. Isso é o mais originário da temporalização do ser – sua “essência” – verdade. Não-estar-no-mundo. Descrença como desamparo.
22. Compreensão do ser e chorismos. Clivagem
A compreensão do ser como permanência é o chorismos existente. O Da-sein do chorismos é o Da-sein, não o sujeito humano. As ideias estão em outro lugar que o ente – isso deve ser mantido em sua rudeza e, no entanto, transformado e problematizado desde o fundamento.
23. Possibilidade – Realidade. Clivagem, Nichtung, Finitude, Liberdade
A “causalidade” deixa apenas uma determinação específica da realidade no campo da “natureza”.
24. Clivagem. Modalidade – Temporalidade – Tonalidade
Clivagem no estado de ânimo da angústia – como tremor de tudo o que é relacional. O tremor e o estremecimento da possibilidade e da realidade um contra o outro – seu surgir e desaparecer. Não o temporal contra o eterno, mas a temporalidade originária como “temporalização” do eterno.
25. Ser como clivagem
Por isso, deve-se dizer que também o ser essencia como um ente? – o que seria um horror para uma ontologia absoluta – Hegel. Desse horror ainda se teve muito medo, porque se dá razão muito facilmente à objeção formal: se se diz “ser é presença”, então o ser torna-se ente! Certamente – torna-se algo presente. Mas a questão permanece: como deve ser compreendida essa proposição e esse “é”?
26. Clivagem e temporalidade. Modalidade
A temporalidade é a permanência da clivagem e, justamente, a “reunião” do “e” para o conjunto do possível e do real.
27. Ser – Clivagem e o “não” originário – Origem da negatividade
28. Possibilidade – Realidade. Clivagem
Na “consideração”, o “afastar-se” das possibilidades – mais profundo e originário: o saltar para longe da possibilidade em geral e da realidade. Isso – que não há nenhuma “flutuação” para o Da-sein, porque ele compreende o ser e, com isso, aquela clivagem.
29. Lançamento – Abandono (Decadência)
Escolha – Liberdade – Ser-livre como irrupção da clivagem. Liberdade e compreensão do ser. Se permanecemos no abandono – e assim também nada compreendemos dele enquanto tal e dentro dele “buscamos” a verdade, ou se escolhemos a decisão – nos tomamos de modo a compreender o Da-sein e chegar ao ser – possibilidade de bem e mal. Esse ou-ou mais originário para o bem e o mal só vem a estar de um lado e assim recebe seu caráter de decisão.
