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§6. A faticidade como ser-aí
§6. A faticidade como ser-aí em sua ocasionalidade. O hoje
O tema da investigação é a faticidade enquanto ser-aí próprio questionado em seu caráter ontológico, sendo sua determinação de ocasionalidade o hoje, o demorar-se sempre já no presente e apropriar-se dele, remetendo a interpretação a categorias ontológicas do ser-aí como o presente do agora, o impessoal e o ser e estar com os outros.
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A referência ao hoje reduz-se a mal-entendido fundamental de duas maneiras: quando se pretende tomar o hoje refletindo sobre as tendências mais interessantes do presente como passatempo ampliado, ou quando se interpreta a referência ao ser-aí como meditação profunda e infrutífera de um si-mesmo isolado, sendo ambos os casos formas de curiosidade pelo mundo.
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O estímulo para essa explicação provém do trabalho de Kierkegaard, cujos pressupostos, ponto de partida, modo de realização e meta são radicalmente diferentes, uma vez que se manteve como teólogo no âmbito da fé, fundamentalmente fora da filosofia, situação hoje diversa.
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O hoje enquanto modo da faticidade somente se determina em seu caráter ontológico a partir do fenômeno fundamental da faticidade, a temporalidade, que não é categoria mas existencial.
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O ser-aí move-se num modo determinado de falar de si mesmo denominado falação, na qual reside a compreensão prévia mediana e pública pela qual o ser-aí se toma e se conserva a si mesmo, interpretação que não lhe é acrescentada de fora, mas algo a que ele mesmo chega, do qual vive e pelo qual é vivido.
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A falação, enquanto medianidade pública acessível a qualquer um, fala de tudo com peculiar falta de sensibilidade às diferenças próprias, constituindo o modo de ser do impessoal, o ninguém que como fantasma acompanha o ser-aí fático e ao qual toda vida fática paga seu tributo.
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A interpretação delimita o âmbito a partir do qual o ser-aí coloca questões, funcionando como máscara pela qual ele se encobre para não se espantar diante de si mesmo, prevenção da angústia exemplificada pela carta de Vincent van Gogh a seu irmão, no período em que buscava seu próprio ser-aí e que terminou em loucura pela luta com seu ser-aí próprio.
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Hodiernamente, o estado da ciência e da universidade tornou-se ainda mais questionável, mas nada acontece além de brochuras e literatura sobre a crise das ciências, expressão da falação do espírito mediano e público, cujos modos de interpretar se destacam na consciência histórica e na consciência filosófica.
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