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obra:ga46:32-38

GA46 §§32-38

Zur Auslegung von Nietzsches. II. Unzeitgemässe Betrachtung “Vom Nutzen und Nachteil Historie für das Leben” (WS 1938-1939) [2003]

“Vida”

  • “Vida” funciona como domínio, medida e execução; designa tanto o ente em seu todo quanto o ente humano em particular.

“Vida” — Defensores e Caluniadores da Vida

  • A ambiguidade do termo “vida” — que nomeia ao mesmo tempo o ente em seu todo e a vida humana em particular — encobre uma relação essencial entre o ente na totalidade e o ser humano: o ente em seu todo é compreendido em seu ser pelo ser humano, e o ser humano é precisamente aquele que compreende e tem nesse compreender seu fundamento essencial.
  • Quando essa ambiguidade não é reconhecida em sua necessidade e origem, mas ainda assim é empregada como sob uma coerção, oculta-se nela um acontecimento fundamental: o esquecimento do ser, entendido como a incapacidade de se transpor para a relação com o ser e para a verdade do ser como fundamento essencial do ser humano; esse esquecimento do ser é consequência do abandono do ser, e esse abandono brota do próprio Ser como recusa.

História e Visão de Mundo

  • Quando a história é determinada a partir de uma visão de mundo e em função dela, isso é em si mesmo um acontecimento histórico de natureza própria; quanto mais decisivamente essa determinação é executada, tanto mais inequívoco é esse acontecimento.
  • A clareza dessa determinação exige o reconhecimento de que a história passa a depender totalmente da visão de mundo, tornando sem sentido falar em “liberdade” da investigação, pois tal defesa seria apenas uma concessão tardia a um ideal liberal já dado como superado — e um escravo condenado ao trabalho forçado permanece “livre” apenas no sentido de que precisa mover os membros para executar o que lhe foi imposto, o que não merece o nome de liberdade.
  • A colocação da história a serviço da visão de mundo precisa reconhecer que a “verdade” dessa história — como a de qualquer outra — é apenas aparência, e sua validade depende unicamente da força de imposição da visão de mundo, a qual, como construto da metafísica moderna, está vinculada a pressupostos nos quais ela nunca consegue penetrar e que, portanto, nunca pode submeter a um questionamento decisivo.
  • A força de imposição indispensável à visão de mundo é consequência do abandono do ser que lhe é essencial; por isso, ela precisa determinar a “história” inteiramente a partir da essência da historiografia e nunca pode compreender nem admitir a origem desta a partir da essência do Ser.

Do que se determina o Histórico?

  • O histórico não se determina a partir do a-histórico, do mero viver, mas a partir de uma tomada de posição em relação à vida — sendo que a própria vida, enquanto humana, toma posição em relação a si mesma —, o que remete, em última análise, ao próprio ser humano e ao seu realizar-se como tal.
  • O tomar-se a si mesmo — a historicidade, o ser histórico e a temporalidade — é o trazer as autênticas necessidades a um espaço aberto, fixando os objetivos de acordo com elas; é disso que resulta o ter “história” e o necessitar de historiografia.

A Copertenença dos Três Tipos de Historiografia e a Verdade Histórica

  • A copertenença dos três tipos de historiografia — em que um predomina sobre os outros, ou todos coexistem sob o domínio de um deles — coloca a questão sobre o que essa relação significa para a objetivação da história e sobre o que pode significar “objetividade” quando a historiografia é, como tal, uma forma de ordenação a partir da vida e em função dela.
  • Além dos três tipos, coloca-se a questão se existe uma historiografia objetiva em sentido próprio e como ela determinaria seu objeto; a isso se relaciona o tratado de Nietzsche sobre verdade e mentira no sentido extra-moral, do mesmo período.

Os Três Tipos de Historiografia como Modos da Relação Rememorativa com o Passado

  • A vida é em si mesma “histórica”, orientada para o passado, e o ser humano necessita da historiografia na medida em que a vida é em si “historicamente” constituída; o primeiro modo de pertença ao passado não é o conservar, o sofrer ou o querer libertar-se, mas o impulso em direção contrária — o aspirar, o projetar, o poder e o querer ir além de si mesmo, no fundamento da temporalidade.
  • A exigência da historiografia monumental brota da crença na humanidade e tem como pensamento fundamental mostrar o grandioso — como modelo, ensinamento e consolo —, o “clássico” e o “raro”.

Seção II

  • Os três tipos de “historiografia” são modos pelos quais o passado, enquanto tal, é re-presentado por um presente e para esse presente, sendo que em cada um deles há sempre um “compreender” que explica e apresenta o domínio projetado e posto de determinada maneira.
  • A questão sobre se existe uma forma especial de “historiografia compreensiva” leva ao problema dos “nexos de sentido”: como o sentido é estabelecido, como os nexos devem ser confirmados pelos “fatos” e como os próprios fatos só se tornam fatos por meio desses nexos — o que configura o círculo hermenêutico, o problema da “objetividade” e a historiografia como pesquisa.
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