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obra:ga42:7

§7

PRIMEIRA PARTE: PARA A POSSIBILIDADE DE UM SISTEMA DA LIBERDADE. A INTRODUÇÃO DO TRATADO DE SCHELLING (I. Abt., VII, 336-357)

PRIMEIRO CAPÍTULO: O conflito interno no pensamento de um sistema da liberdade. A introdução da introdução (336-338)

§ 7. A exigência de novos princípios para a questão do sistema. A fórmula de oposição superior entre necessidade e liberdade

a) A questão sobre sistema e liberdade como estado da filosofia

  • A questão da compatibilidade entre liberdade e sistema só pode ser decidida se for desenvolvida a partir da própria coisa (Sache selbst), não apenas a partir de argumentos históricos; a filosofia mesma é esse estado de oposição entre liberdade e necessidade.
  • A filosofia, como um querer supremo do espírito, é em si mesma um “ultrapassar-se a si mesma” (Übersichhinauswollen), um chocar-se com os limites do ente e, ao ultrapassá-los, perguntar pelo Ser (Seyn). Ela é, portanto, um conflito interno entre a necessidade do ente e a liberdade de transcender.
  • A tarefa fundamental não é filosofar “sobre” a oposição entre necessidade e liberdade, mas compreender que a filosofia é a própria unidade viva desse conflito, o “e” que os une.
  • A invocação do irracional (Irrationale) como refúgio diante da dificuldade é uma fuga covarde (feige Flucht) enquanto não for a consequência de uma verdadeira impossibilidade de avançar pelo caminho do conceito, apenas após o mais alto esforço do questionamento.
  • O texto mostra que a conexão entre o conceito de liberdade e o todo da visão de mundo é a “mola propulsora inconsciente e invisível” (unbewußte und unsichtbare Triebfeder) de todo esforço para o conhecimento, e sem esse conflito, a filosofia e todo querer superior do espírito sucumbiriam na morte (Tod).

b) Sobre o conceito transformado de natureza e necessidade em Schelling. Liberdade humana em contraposição à necessidade em Deus como a única e suprema

  • Schelling afirma que é hora de o “conflito superior, ou melhor, o conflito propriamente dito, o de necessidade e liberdade”, vir à tona, pois essa é a “mais íntima Mitte da filosofia”.
  • O conflito superior não é apenas uma substituição de termos (Natur por Notwendigkeit), mas uma transformação da própria oposição: a natureza não é mais vista como algo desprovido de espírito, e a liberdade não é mais vista como algo desprovido de natureza, ou seja, algo meramente subjetivo.
  • A nova oposição, entre necessidade e liberdade, eleva a questão da liberdade para um patamar mais alto, onde a luta não é mais pela independência do homem em relação à natureza, mas pela sua independência em relação a Deus.
  • Agora, a questão não é mais apenas a da liberdade humana contra a natureza, mas a do homem contra o fundamento do ente em sua totalidade, ou seja, contra a necessidade suprema que reside no próprio Deus.
  • Essa mudança exige novos princípios para a questão do sistema, uma nova delimitação e articulação do domínio sistemático, onde a liberdade não é mais um fenômeno localizado, mas a força que perpassa e unifica todas as esferas do ente, chegando ao homem como o ponto de sua mais alta tensão.
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