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obra:ga42:4

§4

PRIMEIRA PARTE: PARA A POSSIBILIDADE DE UM SISTEMA DA LIBERDADE. A INTRODUÇÃO DO TRATADO DE SCHELLING (I. Abt., VII, 336-357)

PRIMEIRO CAPÍTULO: O conflito interno no pensamento de um sistema da liberdade. A introdução da introdução (336-338)

§ 4. Para a história da formação de sistemas na Idade Moderna

a) Primeiras configurações do sistema nos séculos XVII e XVIII

  • A história da formação de sistemas é a história da origem da ciência moderna, marcada por movimentos de contraposição, desvios e retrocessos, variando conforme as diferentes áreas (conhecimento da natureza, política, arte, filosofia).
  • Os sistemas de Descartes, Malebranche, Pascal, Spinoza, Hobbes, Leibniz e Wolff não podem ser alinhados em uma linha de desenvolvimento contínuo; alguns têm uma vontade sistemática clara, mas a execução é limitada (Descartes, Leibniz), enquanto outros têm uma execução completa, mas uma vontade sistemática mais externa (Wolff).
  • O único sistema completo e rigorosamente construído em sua conexão de fundamentação (Begründungszusammenhang) é a metafísica de Espinosa, exposta na “Ethica ordine geometrico demonstrata”, que trata de Deus, da mente, dos afetos, da servidão humana e da liberdade humana.
  • O sistema de Espinosa, por sua natureza geométrica e sua incorporação acrítica de conceitos escolásticos, torna-se um ponto de referência histórico para as discussões sobre o sistema, sendo frequentemente (e erroneamente) usado como modelo para o que seria um “sistema filosófico”.
  • A filosofia de Leibniz, pela inesgotabilidade de sua força sistemática, supera todos os outros sistemas do século XVII e XVIII, embora também esteja sujeita a mal-entendidos.

b) A determinação kantiana do conceito de sistema a partir da essência da razão. As dificuldades impulsionadoras em sua fundamentação e configuração

  • O Idealismo Alemão, embora vá além de Kant, só foi possível a partir da reflexão fundamental (grundsätzliche Besinnung) de Kant sobre a essência da razão (Vernunft), desenvolvida nas três Críticas.
  • Antes de Kant, a “ratio” era um termo ambíguo, confundindo entendimento (Verstand) e razão (Vernunft). Kant distinguiu a razão (Vernunft) como a faculdade superior dos princípios (Ideen), estabelecendo uma hierarquia em que o entendimento é subordinado à razão.
  • Para Kant, a razão é a faculdade das ideias, que são representações da unidade da totalidade de um domínio, como as ideias de Deus, mundo e homem. Essas ideias não são “ostensivas”, mas apenas “heurísticas” e “regulativas”, orientando a busca pela unidade sistemática.
  • A razão, portanto, é o “Vermögen des Systems” (faculdade do sistema), e o sistema é a unidade dos conhecimentos diversos sob uma ideia, uma conexão que não é um agregado aleatório, mas um sistema segundo leis necessárias.
  • A “Arquitetônica da razão pura” (Architektonik der reinen Vernunft) é a “arte dos sistemas”, a doutrina do que é científico (Scientifischen) em nosso conhecimento, mostrando que a razão é, em si mesma, sistemática.
  • Kant define a filosofia como “teleologia rationis humanae”, pois ela investiga os fins últimos (telos) da razão humana, que é a unidade sistemática do conhecimento; a filosofia trata daquilo que é dado pela natureza da razão humana.
  • Apesar de Kant ter demonstrado a necessidade do sistema, ele não conseguiu fundamentar completamente o sistema, pois as ideias (Deus, mundo, homem) são apenas regulativas, não tendo um fundamento (Grund) na própria coisa.
  • A questão sobre a unidade das ideias e a possibilidade de sua fundamentação permanece em aberto, como mostra a pergunta kantiana: “É admissível a divisão Deus e mundo?”.
  • Kant estabeleceu a exigência (Forderung) do sistema, mas deixou a sua efetivação em dificuldades essenciais, o que impulsionou o Idealismo Alemão a ir além dele, na tentativa de fundamentar o sistema de forma mais radical, a partir da própria razão como princípio criador.
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