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obra:ga28:ga28-3

GA28 – §3

Der Deutsche Idealismus

§ 3. O esclarecimento da tendência para a metafísica

a) A disposição atual para a metafísica

  • A tendência à metafísica não está apenas disfarçada na tendência antropológica: ela é difícil de ver e apreender em si mesma, o que se funda na própria natureza da metafísica, que pertence à natureza do homem mas permanece aquilo de que ele está mais distante e que continua sendo o mais questionável.
  • O uso popular da palavra metafísica já indica que se trata de algo último, que vai além de tudo, e que o caminho até ela é obscuro; não o conhecimento científico, mas a pressentimento, a intuição e a fé são as atitudes que a ela conduzem, e por isso metafísica tende hoje a ser equiparada à cosmovisão.
  • Falar em tendência à metafísica significa que o perguntar pelo todo e pelo último volta a ser mais vivo do que antes, que nenhuma explicação científica é tomada como definitiva e que se forma uma certa disponibilidade para tais questões, embora numa forma imatura e apressada.
  • Essa disponibilidade, porém, oscilante e insegura, faz com que tentativas apressadas se apressem em oferecer respostas: astrologia, teosofia, sabedorias orientais e cosmovisões modernizadas se apresentam sem que as próprias perguntas e seu direito tenham sido esclarecidos.
  • Na própria filosofia, a tendência à metafísica se manifesta numa peculiar reavaliação dos grandes pensadores: do neokantismo em direção a Kant, Descartes e Platão, e depois em direção a Leibniz, Plotino e Aristóteles, mas sem transparência quanto à essência e à origem da metafísica a partir do próprio filosofar.
  • É necessário esclarecer o conceito de metafísica por duas razões: para poder discutir a conexão interna das duas tendências e para entender o ponto de partida, o objetivo, o direito e os limites da filosofia no idealismo alemão.

b) Sobre o conceito de metafísica

  • O termo physis designa o crescimento, o que cresce e cresceu por si mesmo sem a intervenção humana, tudo o que sempre já se encontra aí e em meio ao qual se nasce e se é; no sentido mais amplo, abarca todo acontecer e destino como o ente no todo regido por ordenações determinadas.
  • O despertar do filosofar é o perguntar pela physis, pelo que ela diz de si mesma, pelo seu logos; quem faz essa pergunta não apenas conhece e narra, mas quer saber no fundo, o que exige uma paixão de entrega e uma amizade com todas as coisas no todo, de modo que o investigador da natureza deve ser filósofo.
  • Pelo próprio desenvolvimento do filosofar, o conteúdo da palavra physis sofre uma cisão em duas significações que se conservam desde então: a physis como o domínio do ente que tem em si mesmo o início e o fundamento de seu ser e do seu modo de ser, em distinção ao que a técnica humana produz; e a physis como a natureza interior de uma coisa, sua essência.
  • Esse duplo conceito de physis é o reflexo de uma dupla direção necessária do filosofar: em direção à essência geral do ente como tal, e em direção aos domínios particulares do ente; a primeira pergunta indaga o que faz o ente ser ente, o ser, enquanto a segunda considera o ente em sua totalidade como um todo ordenado.
  • Foram necessários séculos de filosofar na Antiguidade até que esse caráter necessariamente duplo do perguntar viesse à luz, e foi com Platão e Aristóteles que isso foi pela primeira vez claramente expresso; a prote philosophia é o perguntar pelo ser em geral e pelo ente no todo, embora a unidade entre essas duas direções não tenha sido fundamentada por Aristóteles.
  • As investigações de Aristóteles sobre a primeira filosofia não foram publicadas como escritos e livros, mas são elaborações de preleções sem uma conexão imediatamente visível, todas no estádio da pesquisa e da formulação de problemas; ao lado delas, as preleções sobre domínios particulares do ente mostram uma estrutura coerente e são mais acessíveis.

c) “Metafísica” como título acadêmico

  • A ordenação e reunião dos escritos aristotélicos se completou dentro de sua escola, chegando a uma forma definitiva no século I a.C., quando a filosofia já havia declinado de seu nível mais alto e se tornara um saber escolar fixo dividido em disciplinas: lógica, física, ética.
  • As investigações sobre a primeira filosofia, que tratavam dos problemas centrais do ser em geral e do ente no todo, ficaram sem classificação e sem título escolar; na perplexidade, foram ordenadas depois das obras sobre a natureza (ta physika), recebendo o simples título ta meta ta physika, que designa apenas o lugar técnico dos escritos na coleção.
  • O título não diz nada sobre o conteúdo e, ao contrário, nasceu da perplexidade diante desse conteúdo, sendo metafísica o título para uma dificuldade; mas logo a perplexidade foi esquecida e alguém teve a ideia de que o título também expressa bem o conteúdo, pois essas investigações vão além dos domínios particulares do ente, e meta significa não apenas post mas também trans.
  • Metafísica torna-se um título de conteúdo que designa a filosofia em sentido próprio, interpretando-a como conhecimento do supra-sensível e como um ir além do ente experienciável ao ser em geral e no todo; mas essa conversão não é inócua, pois orienta a interpretação das obras aristotélicas por dois milênios em uma direção muito determinada.
  • O que era problemático para Platão e Aristóteles converteu-se ao longo dos séculos em um edifício fixo e em um sistema, gerando novas formações sistemáticas culminando no idealismo alemão; o que em Aristóteles era começo de um problema tornou-se opinião escolar consolidada que prescreveu todo o desenvolvimento posterior da metafísica.
  • Até mesmo Kant, que pela primeira vez abalou o edifício da metafísica, ainda entendia o nome como adequado à coisa, definindo metafísica como a ciência que se situa fora e além do domínio da física; e talvez seja tempo de perguntar se o título de conteúdo também não é expressão de uma perplexidade ainda mais fundamental.
  • Fica evidente que em um dos domínios essenciais do espírito humano um nome acidental determinou a coisa por milênios, de tal modo que nenhuma dúvida surgia sobre se esse nome a atingia, e o que para os gregos era um problema vivo torna-se um assunto escolar fixo que oculta a verdadeira problemática.

d) Dois temas na história da metafísica

  • O primeiro motivo que formou a metafísica diz respeito ao seu conteúdo: a interpretação cristã do todo do ente organiza-se em torno de Deus e do não-divino, do universo como criatura, do homem livre com sua destinação eterna, distinguindo-se gradualmente as disciplinas da metafísica geral e da especial (Leibniz, Wolff, Kant, idealismo alemão).
  • O segundo motivo diz respeito ao método: como o mais geral e mais elevado, do qual todo homem tem interesse e que por isso tem a mais alta dignidade, a metafísica reclama o método mais rigoroso e universalmente válido; como o conhecimento não empírico mais rigoroso é a matemática, o método da metafísica torna-se o do conhecimento puro a partir de meros conceitos, razão, ciência racional pura do ente como tal e no todo.
  • Em Descartes, o método impõe certeza contra o erro, facilidade na evitação de tentativas inúteis, fecundidade no crescimento constante do saber e superioridade que alcança tudo que é acessível; o procedimento é o da razão, não da memória nem da comparação de opiniões transmitidas, determinando a Meditações e os Principia philosophiae.
  • Spinoza, a partir de Descartes, apresenta a primeira exposição sistemática no espírito da metafísica racional, sendo modelo para o idealismo alemão inclusive no metodológico; Leibniz tem uma posição intermediária, orientado pela lógica e pela teoria universal de conhecimento racional puro; Kant retoma o problema aristotélico na Crítica da razão pura, mas o idealismo alemão, nos problemas decisivos da metafísica, passa por cima dele e se dirige diretamente a Leibniz e Spinoza.
  • No idealismo alemão a metafísica torna-se teologia absoluta, saber de todo saber, autoconsciência absoluta; em Hegel a Lógica é o título para a metafísica como ciência absoluta da razão absoluta, ponto em que toda a tradição metafísica se absolutizou e concentrou.
  • Após Hegel a metafísica e a filosofia perdem força e segurança no perguntar, como um esgotamento da tensão metafísica; as tentativas atuais de chegar a uma visão de conjunto do mundo são confusas e carecem de qualquer problemática interna comparável à do idealismo alemão.
  • Não é por acaso que no âmbito da tendência à metafísica se busca conselho no idealismo alemão, mas esse retorno é determinado essencialmente pela intenção de superar o neokantismo, e as renovações do idealismo alemão carecem justamente do decisivo: não nascem de uma autêntica necessidade metafísica, mas tomam a metafísica já como resposta.
  • Nas aspirações filosóficas populares há ainda menos problemática real; contudo, a tendência em si, que é mais do que esses sedimentos que desaparecem por si mesmos, merece ser levada a sério e precisa que se desperte nela uma problemática, não através de um retorno à Antiguidade, mas reacordando a problemática onde ela se cristalizou.

e) A Fundação da Metafísica, de Kant

  • É preciso reconquistar Aristóteles e a filosofia antiga com a interpretação que cresceu da história posterior da metafísica; o problema da metafísica está presente na Antiguidade como possibilidade, mas não foi colocado, o que ocorreu pela primeira vez com Kant.
  • O idealismo alemão não tomou a problemática da metafísica como tal, mas construiu para si uma metafísica com o auxílio do que cresceu em Kant na fundamentação da metafísica; e o neokantismo, ao contrário, viu no essencial da solução kantiana a destruição da metafísica e a substituição pela teoria do conhecimento.
  • O essencial da filosofia kantiana como fundamentação da metafísica só é reconhecível quando essa problemática de uma fundamentação já foi desenvolvida e compreendida de antemão; então se vê o que Kant no fundo queria, mas também a fronteira interna de seus esforços e a impossibilidade de simplesmente retornar a Kant.
  • A metafísica tradicional era conhecimento do ente no todo a partir da razão pura; a fundamentação de Kant é uma Crítica da razão pura, determinação essencial do que é a nossa razão finita e do que ela como tal finita pode; a fundamentação da metafísica fecha-se com uma delimitação do que determina a razão pura finita, seu interesse supremo: o que posso saber, o que devo fazer, o que me é permitido esperar.
  • Kant acrescenta uma quarta pergunta ao campo da filosofia em sentido cosmopolita: o que é o homem, observando que no fundo tudo poderia ser referido à antropologia, pois as três primeiras perguntas se relacionam com a última; assim a metafísica seria referida à antropologia como disciplina fundamental.
  • A razão que pergunta pelo poder, dever e poder-esperar é em si finita, determinada por um não-poder, pelo ainda-não e por uma circunscrição do autorizado; uma razão que interroga sobre si mesma como tal é finita e quer assegurar-se de sua própria finitude, de modo que a pergunta pelo ser humano é a pergunta pelo ser da finitude do homem.
  • Atendo-se ao que Kant diz, a antropologia filosófica parece legitimada como disciplina fundamental; mas a ideia de uma antropologia filosófica é em si indeterminada e tem uma fronteira interna, pois se a filosofia própria é metafísica, uma antropologia, só por ser antropologia, não é capaz de levar a cabo a fundamentação da metafísica.
  • Kant não diz por que as três primeiras perguntas se referem à quarta, usando apenas o condicional, e em vão se busca que Kant se pronuncie sobre o papel possível da antropologia; quando se considera o que acontece em Kant, e não o que ele diz, a fundamentação abala a própria antropologia de Kant e mostra que ela fundamentalmente não basta.
  • A questão não é buscar a resposta sobre o que é o homem, mas antes perguntar em que sentido, em virtude da tarefa de uma fundamentação da metafísica, é preciso perguntar pelo homem: essa pergunta, exatamente quando deve constituir a fundamentação da metafísica, não é uma pergunta antropológica, sendo necessário primeiro descobrir de que modo Kant pergunta necessariamente pelo homem.
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