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GA17:19-24 – APOPHAINESTHAI

** b) A fala ostensiva (λόγος ἀποφαντικός) que revela (aletheuein) ou oculta (pseudesthai) o mundo existente ao afirmar (κατάφασις) e negar (ἀπόφασις); o horismos **

1. A determinação do que seja a kataphasis para Aristóteles exige um esclarecimento por meio de um desvio, uma vez que o logos não é ao modo de uma ferramenta, mas antes histórico e cresce por si mesmo, isto é, a partir do respectivo estado de descoberta de uma dada matéria, não sendo todo falar da espécie que consegue estender ou apontar algo ao modo de significar algo.

  • O único tipo de falar que é apophantikos é aquele em que ocorre algo como um aletheuein (um revelar): apresentar um ente como não encoberto, ou apresentar um ente de tal modo que, nessa ostensão, algo é “fingido” (pseudesthai).
  • O ocultar finge algo ao modo de apontá-lo; aletheuein e pseudesthai são os modos básicos pelos quais o logos, como apophantikos, aponta algo e, de fato, mostra um ente como ente.
  • Se o legein é realizado por aletheuein — revelar — então o logos é um logos apophantikos, isto é, nem todo legein (perguntar, ordenar, pedir, chamar a atenção) é “verdadeiro e falso”, sendo cada um deles, decerto, um modo de tornar algo claro — deloun — o que, contudo, não deve ser confundido com o desvelamento teorético, havendo hoje a tentativa de compreender todo saber em termos de juízos como modificações dele.

2. A sentença segundo a qual “haverá afirmação ou negação, se algo for a isso acrescentado” é interpretada como se uma sentença surgisse ao se acrescentarem palavras adicionais a um substantivo, estando, para Aristóteles, a prosthesis em contraste com a aphairesis (abstração), a qual significa retirar algo de algo e colocá-lo, assim retirado, sobre seus próprios pés, como faz a geometria ao ver a mera forma espacial à parte da coisa e manter apenas essa forma em vista.

  • Prosthesis significa concreção, mas o que foi retirado não é acrescentado de novo; ao contrário, o que é posto é posto como um ente.
  • A kataphasis atua além da mera phasis quando aquilo que é intencionado no falar é intencionado como um ente concreto, havendo um logos sempre que o falar é um falar com o mundo existente, de modo que, ao dizer apenas “estufa”, não se fala com base em alguma existência, mas se destaca a si mesmo da existência do mundo concreto.
  • Intenciona-se algo, ainda que seja irrelevante para esse significar se de fato há ou não estufas; o falar é um estar-com-o-mundo, algo primordial e anterior aos juízos, sendo a partir daí que o juízo deve tornar-se inteligível.
  • Há, na lógica, uma tradição de interpretar expressões como “fogo!” como juízos, quando de modo algum se trata de estabelecer simplesmente a existência do fogo, mas de fazer as pessoas saltarem de suas camas; o logos não implica, de modo algum, uma pluralidade de palavras, tendo a palavra sido originalmente uma nomeação, mas não a nomeação de um mero nome, e sim algo encontrado no mundo sendo dirigido tal como é encontrado.

3. Até este ponto, o logos foi caracterizado a partir de três lados: 1. do lado da phone meta phantasias; 2. do som significativo; 3. do deter-se.

  • O falar não é uma propriedade como “ter cabelo”, constituindo antes, em conjunto, a existência própria do homem, sendo o homem no mundo de tal modo que esse ente fala com o mundo sobre ele, não significando o “sobre” um julgar, residindo antes, por exemplo, no “hoje” do pedido: “por favor, venha até mim hoje”.

4. Tendo-se determinado phainomenon como aquilo que se mostra como imediatamente existente (sendo o mundo o que se tem em vista), o falar possui, em relação ao que assim existe, uma função especial, sendo o logos apophantikos o tipo de falar-com-o-mundo por meio do qual o mundo existente é apontado como existente, significando apophainesthai “deixar ver algo a partir de si mesmo em seu modo de existir”.

  • O logos apophantikos é apenas uma possibilidade ao lado de outras de falar sobre o mundo existente com palavras, dizendo Aristóteles, em De anima, que o logos é uma possibilidade de ser do homem que visa conduzi-lo à sua existência mais elevada possível (eu zen, viver bem).
  • Desse ponto de vista, poder-se-ia também dizer que viver é idêntico a ser-possível, a ter possibilidades bastante determinadas, falando Aristóteles aqui não mais de logos, mas de dialektos (falar com outros sobre algo) ou de hermeneia (chegar a um entendimento com outros sobre algo).
  • Emerge aqui uma definição fundamental do homem: ser homem significa o tipo de vida que se encontra na possibilidade de lidar com os pragmata, com o mundo como objeto de sua ocupação, e, de fato, o tipo de ser que pode falar, sendo esse ente, em sua praxis, essencialmente caracterizado como o ente que fala.

5. Aristóteles atribui grande peso à questão dos traços constitutivos da unidade do logos, alternando-se, para ele e para os gregos em geral, a determinação da unidade, do hen, com a determinação do ser específico de um ente, devendo a unidade do logos apophantikos ser desvelada sob dois aspectos: 1. quanto ao que é intencionado; 2. quanto ao significado factual.

6. Quanto ao primeiro aspecto, o logos apophantikos se distingue de onoma e rhema na medida em que o logos, no sentido de legein, deve ser definido demarcando-se da mera pronúncia de um nome ou de um verbo, opondo-se a todos os nomes o logos enquanto prosthesis.

  • O que é nomeado é, quanto ao seu ser, indiferenciado, ao passo que o que é intencionado no logos é caracterizado como existente, sendo o significar (Bedeuten), no caso de um nome, mero entretê-lo (Meinen) em sentido formal, ao passo que, no logos, trata-se da ostensão, do apontar o ente existente como existente.
  • Na Hermenêutica afirma-se que um verbo, dito meramente como palavra, é um mero nome, sendo algo intencionado, sem dúvida, mas nesse nome não se está confrontado com o ente e nada é decidido sobre a existência ou não existência do que é intencionado.
  • Esse ser indiferente nada diz sobre a coisa e sobre seu ser enquanto coisa, pois o “existir ou não existir” não é um sinal da coisa; se digo “estufa” e compreendo o que digo, aquilo que assim se compreende não está de modo algum determinado quanto ao seu caráter específico de ser.
  • O ser remático nada diz se tomado meramente por si; em si mesmo, o ser remático é nada, mas significa em algo como uma composição, sendo inerente a todo verbo, em seu significado próprio, que ele signifique o que é significado por ele estando em conexão com algo outro.
  • Por meio do ser remático, determina-se uma esfera de conexões possíveis, sendo essa determinação, ela própria, indeterminada, na medida em que não é uma determinação unívoca, havendo, no significado de todo verbo, uma referência definida a conexões pertinentes a uma dada matéria.
  • Um verbo tem de fato um caráter relacional, mas de tal modo que essa conexão referencial e seu ser são indiferentes, contrapondo-se a essa indiferença do ser o fato de que a existência é intencionada em todo logos.

7. Quanto ao segundo aspecto, o que constitui a unidade específica no caso do logos apophantikos é a kataphasis primordial e unitária, que caminha junto com a apophasis, ambas caracterizadas como apophansis (afirmação e negação).

  • Kataphasis: afirmar algo, a partir de algo outro, de algo; apophasis: negar algo isto ou aquilo, excluir algo outro dele, residindo na apophasis um duplo apo.
  • Os dois (o ser de algo e, com base nisso, a exclusão de algo outro a partir dele) não coincidem de modo algum, devendo esse fato da matéria, tal como efetivamente existe, ser retido em toda determinação ulterior, só então podendo algo ser negado dele ou, melhor, podendo algo outro ser negado dele com base nele, sendo apenas assim possível chegar a alguma compreensão do problema da negação.
  • Esses logoi são simples porque neles não ocorre nenhuma conexão de logoi, como ocorre, por exemplo, na sentença hipotética “se chover amanhã, não sairei”; embora o logos seja simples, ele contém um rhema que fala em relação a algo outro, não afetando o rhema a unidade primordial do logos, uma vez que nenhuma nomeação está contida no logos.
  • “As folhas são amarelas” não contém “são amarelas”; no logos, aquilo de que se fala é retido como existente, podendo, desse modo, o logos consistir em uma única palavra.

8. Quanto à posição do logos horismos (definição) nessas conexões, só quando visto de fora se tem aqui uma multiplicidade (homem, ser vivo), distinguindo-se o horismos, em contraste com o logos apophantikos ordinário, pelo fato de que aquilo que ele diz e significa (por exemplo, “o homem todo é…”) é atribuído ao homem não como existindo enquanto algo outro, dado o conteúdo de sua matéria, como quando o amarelo é atribuído às folhas.

  • Ao contrário, o que aqui é dito pelo logos de um ente é o próprio ente, sendo o ente existente aqui falado simplesmente em si mesmo (kath auto legomenon).
  • Na Metafísica, livro VII, capítulo 4, onde o horismos é analisado, avança-se mais longe do que em qualquer outro lugar na análise do imediato, não sendo essa posição avançada jamais retomada posteriormente.

9. No falar, o ser do mundo está aí como existente, apontado desde o fundamento, tomado em si mesmo, apresentando-se sua existência efetiva no ato de asserir, tornando-se aqui fundamental a correlação entre logos e eidos.

  • Eidos é o aspecto (Aussehen), isto é, para os gregos, um modo de distinguir-se equivalente a “assim é”; o que é falado como tal é também caracteristicamente designado como logos, podendo, para Aristóteles, logos e eidos ser substituídos um pelo outro.
  • Eidos é o ente existente no modo como ele se parece (aussieht); em alemão diz-se “assim és tu” (so siehst Du aus) no sentido de “assim tu és” (so bist Du).
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