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obra:ga16:dilthey:responsabilidade

Escolha de responsabilidade (GA16:BH:264-265)

Existe uma maneira autêntica de se colocar diante dessa morte iminente que não seja definida pela publicidade, mas sim uma maneira pela qual o Dasein se coloca diante de si mesmo como, em cada instância, individual, mais próprio e meu? Trata-se de apreender a atualidade dessa possibilidade e de se apegar a ela. Enfrentar uma possibilidade significa compreendê-la como possibilidade. Suportar a possibilidade da morte significa mantê-la presente de tal forma que ela se apresente diante de mim exatamente como é — indefinida em seu “quando”, certa em seu “isso”. Permitir que essa possibilidade persista como possibilidade e não transformá-la em realidade, digamos, por meio do suicídio, exige correr em direção a ela com antecipação. Aqui, o mundo recua e desmorona no nada. A possibilidade da morte significa que um dia eu partirei deste mundo, que um dia o mundo não terá mais nada a dizer, que tudo aquilo a que estou apegado, tudo com que me ocupo e tudo o que me diz respeito não terá mais nada a me dizer e não será mais de utilidade para mim. O mundo a partir do qual posso viver, então, não estará mais lá. Tenho que aceitar essa possibilidade por conta própria. Isso mostra que a possibilidade de escolha já é dada ao Dasein. O Dasein pode, a qualquer momento, comportar-se de tal forma que escolha entre si mesmo e o mundo. Ele pode tomar cada decisão com base no que encontra no mundo, ou pode recorrer a si mesmo. A possibilidade de escolha do Dasein é a possibilidade de se recuperar de seu estado de perda no mundo, ou seja, de sua publicidade. Ao escolher a si mesmo, o Dasein escolheu ao mesmo tempo a si mesmo e a própria escolha. Mas ter escolhido a escolha significa estar decidido. Avançar antecipando-se significa, portanto, escolher; ter escolhido significa estar decidido — decidido não a morrer, mas a viver. Essa escolha e esse estar decidido são a escolha da responsabilidade que o Dasein assume por si mesmo, de tal forma que, em minha ação, eu me torno responsável por cada uma de minhas ações. Escolher a responsabilidade por si mesmo significa escolher a própria consciência como a possibilidade de que o ser humano é, de maneira adequada e autêntica. O erro da fenomenologia (Scheler) reside em sua compreensão equivocada da estrutura propriamente antropológica da ética kantiana. Kant percebeu que o sentido básico do Dasein é a possibilidade, ou seja, ser ele próprio possibilidade e ser capaz de aproveitá-la. Mas escolher a consciência significa, ao mesmo tempo, tornar-se culpado. Como Goethe disse certa vez: “Aquele que age está sempre sem consciência”. Toda ação é, ao mesmo tempo, culpa. Pois as possibilidades de ação são limitadas diante das exigências da consciência, de modo que toda ação bem-sucedida resulta em conflitos. Escolher a autorresponsabilidade é, portanto, tornar-se culpado em sentido absoluto. Na medida em que eu verdadeiramente sou, torno-me culpado sempre que ajo. (BH:264-265)

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