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Depraz

  • DEPRAZ, Natalie, et alii. À l’épreuve de l’expérience. Pour une pratique phénoménologique. Bucarest: Zeta Books, 2011
  • DEPRAZ, Natalie. La conscience. Paris: Armand Colin, 2001
  • DEPRAZ, Natalie. La Crise de l’humanité européenne et la philosophie (1935) Husserl. Paris: Hatier, 1992

DEPRAZ, Natalie. Comprendre la phénoménologie : Une pratique concrète. Paris: Armand Colin, 2012.

Ao refletir sobre as razões que me levaram a apresentar a fenomenologia a partir de sua relação com a prática e a fazer dessa relação a pedra angular da minha intuição filosófica, me vem à mente a frase de um amigo próximo que se esforçava para me colocar, como ele pensava, de volta no caminho certo da filosofia. “Por que”, ele me dizia, “mergulhar tanto na neurofenomenologia? Isso é filosofia para cientistas! A fenomenologia vai perder sua alma!!” Lembro-me também, nesse momento, na observação bastante razoável de outro amigo que, com boas intenções, me incentivava, em vez de me interessar pela experiência da oração do coração, a escrever uma monografia sobre os Stromates de Clemente de Alexandria, de modo a, segundo ele, demonstrar aos teólogos e filósofos universitários minhas competências hermenêuticas em teologia!

Por que esses conselhos, aliás bastante legítimos, me impressionaram por sua futilidade, ou melhor, me chocaram? Porque iam diretamente contra a intuição profunda que me animava, articulada em torno de dois temas-vetores: 1) a fenomenologia se beneficia ao se inspirar em outras disciplinas: nisso ela encontra sua renovação interna, garantia de sua vitalidade; 2) a fenomenologia, antes de ser a leitura e a interpretação de um texto, é, antes de tudo, uma experiência vivida, bem como seu relato descritivo por um sujeito singular. Defender tal intuição interdisciplinar e experiencial para a fenomenologia significava ir contra uma preocupação e um ideal de pureza disciplinar e de coerência hermenêutica que são compartilhados com tanta frequência que qualquer distanciamento em relação a eles seria imediatamente interpretado como uma desconfiança em relação ao modelo filosófico dominante. Aliás, o confronto com outras disciplinas, por um lado, e a consideração da experiência interna do sujeito, por outro, apontam na direção da prática, seja de outros sujeitos (outras âncoras disciplinares), seja do próprio sujeito (sua própria relação com a experiência), prática essa que é claramente entendida como diabólica: a fenomenologia perde sua alma nesse duplo desafio a si mesma, ela morre ao se experimentar!

Encontro aqui o próprio paradoxo que me guiará, como um fio condutor, em toda essa investigação da prova prática da fenomenologia. Por que, então, a fenomenologia assinaria sua sentença de morte ao aceitar, justamente, aderir à vida íntima da prática? Por que sua vitalização definitiva seria também sua alienação suprema? Mas, ao reconhecer essa desapropriação de si mesma (“perder a alma”), a fenomenologia talvez conquiste sua mais alta liberdade. É isso que gostaria de tentar demonstrar a seguir.

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