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estudos:zimmerman:liberacao-1982

LIBERAÇÃO (1982:244-246)

ZIMMERMAN, Michael E. Eclipse of the Self. Athens: Ohio University Press, 1982.

  • No ensaio “Towards the Elucidation of Releasement: From a Dialogue on a Country Path about Thinking” (GA77), Heidegger apresenta a liberação como libertação da vontade própria e do pensamento objetivante, sustentando em diálogo entre um cientista, um acadêmico e um Professor que o pensar genuíno só começa quando o indivíduo se desvincula da intencionalidade do pensamento representacional.
    • O pensamento representacional impõe padrões aos entes.
    • Em 1927, Heidegger concebe o Ser como objeto temático da ontologia.
    • A filosofia é entendida como tarefa de esclarecer a compreensão do Ser.
    • A reapresentação transcendental-horizontal caracteriza a orientação anterior.
    • O horizonte é o campo onde os objetos podem aparecer.
    • O Dasein não é fonte do horizonte.
    • O horizonte é lado voltado de uma abertura envolvente.
    • A abertura é chamada Gegend ou Gegnet.
    • Gegend reúne a clareira de manifestação.
    • A clareira precede a subjetividade.
  • Sob o domínio do egoísmo e da vontade própria, o indivíduo toma-se como centro organizador dos objetos, mas na liberação descobre-se inserido em jogo sem centro, no qual a região lúdica se apropria da presença humana e os entes aparecem uns aos outros por meio dele.
    • O egoísmo cria isolamento ilusório.
    • O jogo de aparições não possui interioridade fixa.
    • A abertura plena requer superação do egoísmo.
    • A região apropria a presença do homem.
    • O liberado não se percebe como observador externo.
  • A liberação não pode ser alcançada por simples ato de vontade, pois o pensamento objetivador é já modalidade de querer, exigindo antes uma renúncia que envolve um traço de vontade ligado à resolutividade descrita em Ser e Tempo como autoabertura do Dasein ao aberto.
    • A vontade reforça a própria vontade.
    • O não-querer prepara a liberação.
    • O traço de vontade desaparece na liberação plena.
    • A resolutividade é autoabertura eigens ao aberto.
    • A liberação ultrapassa oposição entre atividade e passividade.
  • O não-fazer próprio do liberado não é inércia, mas poder de ação e determinação que se expressa como constância (Inständigkeit) e resistência (Ausdauer), caracterizando uma nobreza de espírito (Edelmut) que espera humildemente a revelação do Ser.
    • Fazer comum visa objetivos do ego.
    • O não-fazer não é abandono ou deriva.
    • A determinação consiste em permitir a não ocultação.
    • A constância cresce com a liberação.
    • A espera pode envolver atividade prática.
  • A liberação implica deixar os entes serem o que são, exemplificada na diferença entre cultivar a terra como mera matéria-prima explorável ou como fonte de vida a ser nutrida, sendo nobre aquele que, reconhecendo sua origem (Herkunft) na região das regiões (Ereignis), se deixa apropriar pela abertura fundamental.
    • O subjetivista explora a terra para lucro imediato.
    • O uso químico intensivo degrada o solo.
    • O liberado cuida da fertilidade e saúde da terra.
    • Esperar no Ser pode significar nutrir e cuidar.
    • A verdadeira nobreza está em tal espera.
    • O ego cede lugar à abertura mais fundamental.
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