estudos:zimmerman:heidegger-e-a-ecologia-profunda-deep-ecology-1990
HEIDEGGER E A ECOLOGIA PROFUNDA (DEEP ECOLOGY) (1990:241-244)
ZIMMERMAN, Michael E. Heidegger’s Confrontation with Modernity. Technology, Politics, Art. Bloomington: Indiana University Press, 1990.
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A crítica de Heidegger à tecnologia moderna por tratar a terra (Erde) como máquina ou matéria-prima levou à interpretação de seu pensamento como convergente com o ambientalismo e motiva a investigação de sua possível aplicação à ecologia profunda.
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A tecnologia moderna é vista como exploração da terra.
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Surge a questão da compatibilidade com a ecologia profunda.
A degradação ambiental crescente, manifestada em poluição, efeito estufa, desmatamento, desertificação, erosão, redução da camada de ozônio e extinção de espécies, levou reformadores a buscar limites ao industrialismo, enquanto os ecologistas profundos identificam como causa radical o antropocentrismo da cultura ocidental enraizado no cristianismo e na filosofia grega.-
Reformadores pretendem evitar o colapso da biosfera.
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Ecologia profunda considera o reformismo insuficiente.
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O antropocentrismo é apontado como origem da crise.
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Cristianismo e filosofia grega são identificados como fontes históricas.
Lynn White Jr. caracteriza o cristianismo como religião altamente antropocêntrica, e vertentes da filosofia grega, especialmente o estoicismo, reforçam a hierarquia da grande cadeia do ser, sendo que a integração dessas tradições com a metafísica grega possibilitou a revolução científica, posteriormente intensificada por Francis Bacon, Descartes e o Iluminismo, culminando na industrialização global associada a capitalismo e socialismo.-
O cristianismo enfatiza a centralidade humana.
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O estoicismo sustenta a superioridade humana.
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Francis Bacon defende o domínio científico da natureza.
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Descartes separa mente e matéria.
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O Iluminismo promete reorganização racional da sociedade.
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Capitalismo e socialismo impulsionam industrialização.
Para os ecologistas profundos, a superação do humanismo antropocêntrico em direção a um igualitarismo biocêntrico constitui condição para evitar a catástrofe ambiental, exigindo respeito a todas as formas de vida, tecnologias alternativas e modos de vida simples diante do crescimento populacional, do industrialismo e do risco nuclear.-
Entidades não humanas deixam de ser vistas como meras matérias-primas.
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O amor e respeito universais tornam-se necessários.
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Tecnologias alternativas e simplicidade são defendidas.
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Conflitos entre marxismo e capitalismo ameaçam com holocausto nuclear.
As convergências entre a crítica heideggeriana ao humanismo antropocêntrico e a ecologia profunda suscitam a pergunta sobre Heidegger como possível teórico ecológico, apoiada por sua noção de Geviert, sua defesa de deixar as coisas serem, sua reflexão sobre habitar e sua crítica à destruição tecnológica da terra.-
Heidegger propõe deixar as coisas serem.
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O Geviert envolve terra, céu, deuses e mortais.
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Habitar autêntico é tematizado.
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Ênfase no lugar local e na pátria.
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Defesa da guarda e preservação das coisas.
Apesar dessas afinidades, surgem problemas para a adoção de Heidegger pela ecologia profunda, incluindo antropocentrismo residual, dimensão reacionária ligada ao nacional-socialismo e antipatia pela ciência.-
O Dasein é apresentado como distinto e prioritário.
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Entidades só se manifestam na clareira aberta pelo Dasein.
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Heidegger supera o antropocentrismo remetendo ao ser como tal.
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Critica o naturalismo.
O envolvimento de Heidegger com o nacional-socialismo, sua aceitação de autoritarismo, sua linguagem sobre Volk e terra e suas visões hierárquicas suscitam reservas entre ecologistas profundos que rejeitam autoritarismo e comunitarismo sem liberdade individual.-
Heidegger rejeita racismo biológico, mas redefine enraizamento.
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Ecologistas profundos buscam evitar associação com mitologia fascista.
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A dimensão orgânica é reinterpretada por Heidegger.
A crítica heideggeriana ao naturalismo entra em tensão com a ecologia profunda, que vê a humanidade como produto evolutivo integrado à teia da vida e valoriza a ciência ecológica como guia para habitação adequada da Terra.-
A humanidade é entendida como animal evoluído.
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Interdependência orgânica é enfatizada.
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A ecologia científica fornece orientação prática.
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A recusa heideggeriana da dimensão orgânica mantém traços dualistas.
Consideradas essas ressalvas, os escritos de Heidegger oferecem elementos relevantes para reflexão ambiental, especialmente sua concepção da existência humana como cuidado (Sorge), em convergência parcial com Arne Naess ao afirmar que a humanidade realiza sua autenticidade ao permitir que outras entidades sejam o que são.-
A crítica heideggeriana estimula exame do antropocentrismo ocidental.
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A noção de humanismo superior pode contribuir ao debate.
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Arne Naess destaca preocupação ampla com condições de vida.
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A humanidade torna-se autêntica ao praticar cuidado.
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