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estudos:zarader:linguagem-2000

A LINGUAGEM (2000:58-61)

ZARADER, Marlène. A Dívida Impensada. Heidegger e a Herança Hebraica. Lisboa: Instituto Piaget, 2000.

  • A essência original da linguagem proposta por Heidegger rompe com a teoria ocidental do significado ao recusar a separação entre palavra e coisa, afirmando que nomear é fazer vir à presença aquilo que, antes de ser chamado, não podia ainda estar reunido como revelado no interior do das Offene.
    • A teoria tradicional distingue signo e significado.
    • Essa distinção institui a separação entre ordem das coisas e ordem das palavras.
    • Heidegger propõe outra aproximação do nome.
    • Nomear é chamar a coisa à presença.
    • O sendo não está plenamente presente antes de entrar na abertura.
    • Não há primeiro o sendo e depois a linguagem.
    • Só a linguagem permite ao sendo tornar-se ser.
    • A linguagem é condição de aparecimento do estando.
    • Na linguagem, o estando erige-se em presença.
  • Se a linguagem torna possível a instauração do ser, ela própria só se desdobra na medida em que já está à escuta de um apelo que não pertence à ordem linguística, mas que a funda, a saber, o apelo do ser, razão pela qual escuta e diálogo possuem uma dimensão vertical anterior à troca inter-humana.
    • A linguagem desenvolve-se apenas na escuta.
    • O apelo não é uma palavra humana.
    • Falar pressupõe ouvir.
    • A linguagem consagra-se a receber o que a reivindica.
    • O que a reivindica é o ser.
    • A voz do ser ressoa através da linguagem.
    • O diálogo horizontal pressupõe escuta comum de uma mesma voz.
    • O entendimento vertical fundamenta o entendimento das palavras.
    • A linguagem tem origem na conversação.
    • A linguagem ocorre como Geschehen dialógico.
    • A linguagem pressupõe o ser que permite sua ocorrência.
  • Não se trata de círculo, mas de movimento mediador constitutivo da essência da linguagem, pois a linguagem instaura o ser sem reduzi-lo à sua ordem e só pode fazê-lo porque já responde ao apelo do ser, de modo que não há ser sem linguagem nem linguagem sem ser.
    • A linguagem torna possível a abertura do ser.
    • O ser não é produto exclusivo da linguagem.
    • A linguagem é escuta, acolhimento e compilação.
    • O ser é revelador da linguagem.
    • A linguagem faz ser ao deixar o ser vir.
    • A função mediadora da linguagem cumpre-se plenamente na poesia.
  • A poesia é o lugar onde a linguagem permanece conforme sua essência mediadora, e o poeta, enquanto mensageiro, encarna essa mediação ao recolher sinais dos deuses e transmiti-los ao povo, assumindo a responsabilidade de guardião e velador do ser.
    • O poeta deixa a essência da linguagem desdobrar-se.
    • A linguagem une recepção e doação.
    • O poeta recolhe e transmite sinais.
    • Não inventa, mas recebe e comunica.
    • Recolhe o raio do pai na abertura do ser.
    • Partilha-o com os filhos da terra após apaziguá-lo.
    • Enfrenta a violência da relação direta com os deuses.
    • Media entre deuses e homens.
    • É guardião e velador do ser.
    • Pode ser chamado salvador do ser.
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