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estudos:zarader:espirito-geist-2000

ESPÍRITO (2000:224-225)

ZARADER, Marlène. A Dívida Impensada. Heidegger e a Herança Hebraica. Lisboa: Instituto Piaget, 2000.

  • A análise de Derrida sobre o tratamento heideggeriano do espírito (Geist) revela um movimento que, partindo da delimitação das determinações grega e cristã do pneuma e do spiritus, culmina em um pensamento do Geist como algo mais originário, associado à chama e deslocado para o idioma alemão.
    • Derrida mostra que Heidegger retrocede do spiritus para o pneuma e, em 1953, transpõe os limites do pneumático em direção ao fogo, reconhecendo neste a via para um pensamento do Geist mais originário, para além das determinações onto-teológicas.
    • O problema do espírito, simultaneamente original e derivado, é abordado por Derrida a partir da deslocação de sua essência dita original, que passa de um retorno ao vocábulo grego para uma transposição do grego ao alemão, uma dissimetria não explicitamente sublinhada, mas cumprida por Heidegger.
    • A razão pela qual Derrida considera essa dissimetria irredutível é que o alemão se apresenta como a única língua capaz de nomear a excelência superlativa do espírito, partilhando essa capacidade com o grego apenas até certo ponto, mas sendo, em última instância, a língua em que o espírito acaba por nomear a si próprio.
  • Derrida destaca que, apesar da radical diferença entre as duas aproximações do espírito (ar e fogo), Heidegger as reenvia a um elo de derivação, no qual a determinação do espírito como spiritus e pneuma é derivada de sua essência mais originária como chama.
    • Heidegger não rejeita simplesmente a determinação do espírito enquanto spiritus e pneuma, mas antes deriva-a, afirmando a dependência do sopro, do vento e da respiração em relação à chama.
    • A precedência do Geist como chama implica que o espírito não é originariamente pneuma e spiritus, mas que estes derivam daquela essência mais fundamental.
  • A chama, apresentada por Heidegger em 1953 como a resposta à questão sobre o espírito, constitui a essência originária finalmente atingida, uma “origem antes da origem” que não estava aberta na inauguração grega do pneuma.
    • A chama é reconhecida como a essência originária do espírito, embora não estivesse aberta na inauguração grega do pneuma.
    • Essa essência é caracterizada como uma “inicialidade mais que primaveril”, uma origem anterior à própria origem pensada pelos gregos.
  • O primeiro gesto de Derrida consiste em relembrar e levantar minuciosamente o plano dos complexos movimentos do texto heideggeriano sobre o espírito, um gesto que é inseparável de um segundo, no qual ele faz aparecer esse plano em seu caráter problemático.
    • Derrida realiza um levantamento minucioso do percurso heideggeriano, compondo os movimentos complexos do texto em relação à questão do espírito.
    • Esse primeiro gesto de relembrar é inseparável de um segundo, em que Derrida não se limita a atualizar o plano, mas o faz aparecer no seu caráter problemático.
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