estudos:zambrano:signos
SIGNOS
ZAMBRANO, María. Claros del bosque. 4. ed ed. Barcelona: Seix Barral, 1993.
-
A percepção de signos e figuras na consciência noturna ou visionária revela indícios de uma razão fecunda e criadora que transcende a racionalidade abstrata e busca ser decifrada.
-
Manifestação de signos matemáticos, sagrados e artísticos.
-
Chamado para decifrar a razão seminal oculta.
-
Crítica ao desgaste dos termos “razão” e “semente” na tradição racionalista.
-
Recuperação do sentido estoico de razões seminais como logos vital.
-
A atenção aos signos naturais, como os encontrados em seres vivos, constitui uma forma de revelação das circunstâncias que reconduz o ser humano a uma paz primordial de habitante do universo, anterior à separação criada pela cidade.
-
Signos na natureza (mariposa, planta) que não são avisos utilitários.
-
Sentimento de paz e reconciliação com o cosmos.
-
Contraste entre a vida no universo e a vida protegida e limitada pela cidade.
-
O teto e a porta como marcos de separação entre o humano e o universo.
-
A lua exerce um domínio próprio sobre as águas e bosques, caracterizando-se pela avidez de dar luz refletida e de ser amada até a idolatria, simbolizando o amor absoluto.
-
Independência e rebeldia da lua em relação ao sol.
-
Luz lunar como reflexo sem fogo, distinta da luz solar.
-
Associação com a deusa Artemísia e a avidez de adoração.
-
Luz que gera venenos pálidos e sonhos, não vida solar.
-
A relação entre a lua e a cicuta exemplifica a adoração vegetal perfeita, onde a planta se volta extática para o astro, transformando a luz fria e refletida em veneno mortal.
-
Cicuta como planta sacra e adoradora da lua.
-
Postura de orante e êxtase da flor branca.
-
Conversão da luz lunar em veneno concentrado no caule.
-
Simbolismo da morte pelo pensamento frio, sem a chispa do fogo solar.
-
A Medusa, tanto no mito quanto na forma animal marinha, representa um esquema de pensamento puro ou sistema nervoso desencarnado, evocando o terror e a esperança de um saber absoluto e não condicionado pelos sentidos.
-
Medusa mítica como fonte de terror e origem de Pégaso.
-
Medusa animal como visualização de um cérebro ou pia-máter flutuante.
-
Sugestão de um pensamento anterior ou independente da encarnação.
-
Vínculo com o sonho originário e o terror abissal.
-
A cegueira congênita da vida impulsiona o desenvolvimento dos olhos, que são insuficientes e múltiplos, revelando a condição do ser humano como um cego que se sente olhado pelos mil olhos da noite.
-
Vida como movimento cego que precisa parar para ver.
-
Insuficiência dos olhos para ver o próprio corpo ou ser.
-
Sentimento de ser observado pela noite e pela luz oculta.
-
Anseio por uma visão plena que inclua o observador.
-
A instabilidade do devir e a insuficiência da finalidade para sustentar a pessoa exigem a mediação de um ponto absoluto, uma forma de identidade que transcende o tempo e o espaço.
-
Declínio natural do devir e da consciência.
-
Fracasso da finalidade e do futuro em conter a queda no tempo.
-
Necessidade de uma razão ou ponto mediador.
-
O ponto como identidade pura de fundo e forma.
-
O ponto, sendo inacessível e sem dimensão, opera um desprendimiento em quem o contempla, oferecendo a experiência de um viver puro e sem lugar, liberto da causalidade e da duração.
-
Natureza do ponto: não é lugar, nem causa, nem efeito.
-
Efeito de desprendimento do devir.
-
Profecia de uma vida intensa sem extensão temporal.
-
Experiência de transcendência sobre a cadeia de causas.
-
A transformação do ponto de referência em meta inalcançável exige uma abordagem de circunvolução, onde o conhecimento não viola o centro, mas gira em torno dele aceitando a relatividade e o tempo.
-
Risco de violência do entendimento ao tentar penetrar a meta.
-
“Dar voltas” como forma adequada de relação com o absoluto.
-
Fidelidade à relatividade da manifestação sem renunciar ao centro.
-
Distinção entre cercar e invadir.
-
Na experiência interior profunda, o “eu” percebido como ponto escuro pode transformar-se no centro de uma cruz formada pelo tempo e pela eternidade, onde o coração ocupa seu lugar verdadeiro de receptividade.
-
Sensação do eu como ponto escuro e imóvel.
-
Cruzamento do tempo sucessivo com a eternidade.
-
O coração como vaso vazio e centro passivo.
-
Vida verdadeira como extensão nessa cruz, superando a usurpação do eu.
-
estudos/zambrano/signos.txt · Last modified: by 127.0.0.1
-
-
-
-
-
-
-
-
-
