3.5 Próprio
WHITE, Carol J. Time and Death: Heidegger's Analysis of Being-upon-the-End. Edited by Mark Ralkowski; foreword by Hubert L. Dreyfus. Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2005.
3.5 A Temporalidade Própria
1. À resolução pertence necessariamente a indeterminação de todo poder-ser no qual o ser-aí foi faticamente lançado, e a resolução só está certa de si numa decisão resolutiva.
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“A indeterminação existenciária da resolução só se determina numa decisão resolutiva; mas ainda assim tem determinação existencial.”
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A resolução preliminar delineia a indeterminação do ser do ser-aí e do ser do que é de um modo que a vida no impessoal não faz, mas manifesta também o mundo do tempo do ser-aí, e não uma extensão ilimitada de possibilidades sem exigência alguma, pois o projeto da compreensão de si sobre o ser-culpado o prende e impede tais voos livres de fantasia.
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A consumação da propriedade, para a qual a resolução preliminar prepara, é a abertura do novo modo de ser que já se torna aparente nesse mundo, e a decisão resolutiva alcançada no instante traz de volta, figurada e literalmente na terminologia de Heidegger, à “terra”, aos limites do mundo e aos novos modos possíveis de ser que nele despontam.
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Ela abre a “situação” do ser-aí, o modo como seu próprio ser e o ser do que é podem ser em seu mundo.
2. Essa última etapa da resolução pode ser focalizada em sua estrutura extática.
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Decisão resolutiva própria: repetição no vigor de ter sido, instante no pre-sente e antecipação da morte no por-vir.
3. O pre-sente próprio é o “instante” (Augenblick), palavra que no uso ordinário significa “momento”, mas cujo sentido literal de “olhar de relance” Heidegger aproveita para indicar um tipo especial de vislumbre e seu caráter temporal, um lampejo em que não se está absorvido no trato com coisas particulares cujo ser é tomado como óbvio, mas em que se abre o ser do que é.
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O presente próprio como instante “deixa que seja encontrado pela primeira vez o que pode ser 'num tempo' como à mão ou simplesmente dado”.
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Aparece o que pode ser simplesmente dado e à mão, ou a natureza, o número, a linguagem.
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Em diferentes instantes, o ser revelou-se como physis, como criação de Deus, como sujeitos e objetos e como material para manipulação, além de numerosas variações filosóficas de cada tema.
4. A decisão resolutiva que surge da resolução e torna de novo determinado o poder-ser do ser-aí não é simples retorno à compreensão existenciária anterior e corriqueira do ser, nem retorno ao senso comum do impessoal em fuga da angústia, nem invenção ex nihilo de uma possibilidade “de outro mundo” criada pelo pensamento abstrato, sendo “precisamente o projeto que abre o que é faticamente possível”, o que exige uma revelação do ser do que é, e Galileu, por exemplo, não poderia ter visto as coisas como numericamente quantificáveis se as práticas culturais de fundo já não as deixassem mostrar-se desse modo.
5. A decisão resolutiva abre possibilidades do mundo que o impessoal não reconhecia como tais, e depois da angústia a resolução preliminar pode recair no mundo do impessoal ou tomar “posição” em relação ao ser por uma decisão resolutiva que desvela o ser do que é por trás de sua fachada.
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“A resolução só 'existe' como compreender e projetar a decisão resolutiva.”
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No salto de vislumbre que ocorre na decisão resolutiva, o ser-aí escapa da compreensão superficial do ser encarnada no impessoal e passa a compreender de modo novo seu próprio ser e o ser das coisas, “apropriando-se de novo” das possibilidades oferecidas pela temporaneidade do ser à medida que o ser do que é se desvela de novos modos.
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A decisão resolutiva é o ponto em que se cruzam a temporalidade do ser-aí e a temporaneidade do ser.
6. Para ser resoluto é necessário “recuperar uma escolha” do ser, não porque nenhuma escolha tenha sido feita, pois tanto a compreensão predominante do impessoal, na qual o ser-aí se encontra “de início e na maior parte das vezes”, quanto as novas possibilidades que surgem tacitamente nas práticas de fundo são “escolhas” no sentido atípico de Heidegger, tendo o ser-aí sempre feito uma escolha do ser, reconhecida explicitamente ou não, escolha que o determina como esse modo possível de ser e não outro, por exemplo como sujeito consciente em vez de animal falante ou imagem de Deus, significando a “recuperação” da escolha que o ser-aí “escolhe essa escolha, determinando-se como poder-ser a partir de seu próprio si-mesmo”.
7. Embora nem o ser-aí próprio escape completamente da escolha do ser já feita, partindo, por exemplo, da compreensão da Idade Média, escolher explicitamente essa escolha envolve algo diferente de simplesmente aceitá-la como “dado”.
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“Ao escolher a escolha, o ser-aí possibilita pela primeira vez seu poder-ser próprio.”
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Reconhecer o ser como “escolha” nesse sentido atípico, e portanto apenas como possibilidade, liberta o ser-aí para fazer do ser uma questão e revelar possibilidades encobertas pela medianidade superficial do impessoal.
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“Apropriando-se de novo” das possibilidades de compreender o ser encobertas pelo impessoal, o ser-aí torna-as disponíveis como possibilidades, “escolhendo” possibilidades em vez de apenas atualizar possibilidades dadas e libertando-as de seu ocultamento na compreensão cotidiana para que se possa ver explicitamente o mundo de modo novo.
8. À luz dos termos alemães, vê-se mais claramente por que Heidegger chama a abertura própria de resolução e seu resultado de decisão resolutiva, pois, como sugere o ent-, o ser-aí entra numa nova abertura, seguindo-se à abertura peculiar da angústia na resolução preliminar o novo vislumbre do ser na decisão resolutiva.
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Devem ser ignorados os sentidos de “resoluto” ligados à determinação voluntariosa, já que nem a angústia nem o vislumbre do ser podem ser queridos.
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Convém considerar o sentido óptico de “resolução” (resolution): um microscópio pode abrir algo como mancha indefinida, de modo análogo ao que a angústia faz com o que é, e o ajuste de sua resolução permite ver o que a coisa é.
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Pode-se pensar a decisão resolutiva também como “re-solução” da questão do ser: a resolução põe a questão do ser diante de nós, e a decisão resolutiva traz uma nova resposta ao foco.
9. Ser resoluto exige recuperar uma escolha, mas para tomar uma decisão resolutiva é necessário também “antecipar” a morte do ser-aí e “repetir” suas possibilidades de ser, sendo preciso voltar-se para os êxtases próprios do por-vir e do vigor de ter sido que liberam o vislumbre, isto é, a antecipação da morte e a repetição das possibilidades históricas do ser-aí.
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A angústia da resolução, que põe o ser-aí diante da necessidade de escolher ser si mesmo, “não implica que a existência já esteja assumida pela repetição na decisão resolutiva. Ao contrário, a angústia retorna ao estar-lançado como possivelmente repetível.”
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Esse retorno é o ricochete da antecipação da morte, de modo que a resolução remete às demais dimensões da temporalidade própria.
10. Embora sua importância possa parecer obscura, sobretudo nas leituras correntes do ser para a morte, a antecipação da morte como êxtase futuro e mais importante da temporalidade própria não é algo incidental ou “acrescentado” à resolução como reflexão posterior, sendo necessária para a abertura de uma nova compreensão existenciária do ser, a qual só pode vir quando o ser-aí se liberta do senso comum do impessoal pela resolução preliminar.
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A resolução “abriga em si o ser para a morte próprio como modalidade existenciária possível de sua própria propriedade”.
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“O caráter extático do porvir originário reside precisamente em que o porvir fecha o poder-ser, isto é, é ele mesmo fechado.”
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A antecipação da morte põe um “fim” à indeterminação do poder-ser do ser-aí resoluto, pois há modos pelos quais o ser-aí não pode ser.
11. A equiparação do êxtase futuro da temporalidade própria ao ser para a morte próprio foi cuidadosamente preparada, mas permaneceu misteriosa na maioria dos comentários em razão de uma leitura personalista de todo o texto de Ser e Tempo e da incapacidade de distinguir a morte existencial do ser-aí do falecimento de uma pessoa, e, entendida a morte como limitação da ec-sistência imposta pelo ocultamento do ser, compreende-se por que o porvir próprio envolve uma “antecipação” da morte e por que sua análise levaria Heidegger à historicidade e, segundo o plano original, ao sentido do ser em geral.
12. Sobre a função da antecipação, Heidegger diz que ela liberta para a morte própria e despedaça toda rigidez da existência alcançada.
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“Na antecipação, a liberdade para a morte própria é libertada das possibilidades que pressionam o ser-aí em sua decadência acidental, de tal modo que as possibilidades fáticas que se estendem diante da insuperável podem ser compreendidas e escolhidas.”
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“A antecipação abre à existência a possibilidade extrema de renunciar a si mesma e, assim, despedaça toda rigidez da existência alcançada em cada caso.”
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O modo como o ser-aí se toma em seu estado impróprio decaído é um “acidente” no sentido filosófico, apenas uma possibilidade particular de seu ser, em que se cai conforme onde e quando se nasceu, e apegar-se a ela fecha o ser-aí para seu ser essencial como sítio pelo qual o ser se revela.
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O ser-aí próprio, que compreende seu limite como o “aí” do ser, está pronto a entregar-se à abertura do ser.
13. Pela antecipação, o ser-aí adquire pela primeira vez a “totalidade” que Heidegger buscava ao investigar sua morte.
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“Na antecipação, o ser-aí pode pela primeira vez certificar-se de sua totalidade mais própria — uma totalidade insuperável.”
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A “certeza” aqui não é conhecimento explícito nem proposição indubitável, mas “a apropriação explícita do que foi aberto ou descoberto é ser-certo”.
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A apropriação explícita pode abrir-se no templo grego ou no símbolo da cruz, e não primária ou necessariamente no pensamento proposicional.
14. Heidegger descreve o poeta do século XIX Hölderlin como “precursor” (Vorläufer) da época moderna, que não pode ser “ultrapassado” em sua visão do ser.
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O precursor não “parte para um futuro”, mas “chega desse futuro”, de tal modo que o futuro vem a ser por meio dele.
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Está no limite da clareira, mas voltado para nós, e não para a escuridão além, deixando esse futuro vir até nós por seus vislumbres do ser.
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O poeta ou filósofo próprio tampouco pode ser dito “passado”, porque sua poesia assume seu lugar como vigor de ter sido e é continuamente reapropriada pelo ser-aí próprio futuro.
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Heidegger fala também do pensamento nietzschiano do “eterno retorno do mesmo” como um instante que conduz à apropriação da época moderna, privilegiando em ambos os casos os vislumbres desses criadores por vê-los como antecipações de sua própria explicação do ser-aí e de sua historicidade singular.
15. A antecipação da morte como fim pode ser iluminada também pela noção do salto primordial em que o ser se tornou questão na Grécia antiga, concebido como começo que contém seu fim oculto, sendo a antecipação da morte a antecipação desse fim, no qual o que estava oculto se revela.
16. A noção de “começo” e “fim” do ser-aí oferece uma imagem para seu modo próprio de existir como passado, o êxtase do vigor de ter sido chamado “repetição”, levantando a questão de onde o ser-aí obtém as possibilidades que revela no instante.
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“As possibilidades de existência abertas não são retiradas da morte.”
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A antecipação da morte liberta para uma revelação do ser, mas o horizonte do qual se tira inspiração para as possibilidades fáticas específicas não é o do porvir insondado e insondável.
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“Antecipar a possibilidade extrema e mais própria é voltar compreendendo ao 'sido' mais próprio.”
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Esse porvir envolve intrinsecamente um “vir a si” pelo “voltar ao” que foi, jogo verbal que depende da noção de que o porvir é um “por-vir” que “volta”.
17. Só se pode antecipar o fim do ser-aí voltando a seu começo, o salto primordial que contém o fim oculto em si, e a angústia preparatória da resolução não deixa apenas voltado para frente, para o vazio da morte ou o domínio do ocultamento do ser, mas faz o ser-aí voltar-se para o modo como está lançado numa abertura do ser como fonte de possibilidades repetíveis, noção que conduz naturalmente à historicidade do ser-aí.
18. Se a discussão sobre a natureza do vislumbre do ser-aí ou sobre o que ele “resolve” na decisão resolutiva parece vaga, expondo-se a uma leitura personalista em termos de decisões e ações individuais, pode-se defendê-la em parte pela diferença entre análise existencial e compreensão existenciária.
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“Na análise existencial não podemos, por princípio, discutir o que o ser-aí faticamente resolve em cada caso. Nossa investigação exclui até o projeto existencial das possibilidades fáticas da existência. Ainda assim, devemos perguntar de onde, em geral, o ser-aí pode tirar as possibilidades nas quais se projeta faticamente.”
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A questão de onde o ser-aí tira suas possibilidades é existencial, mas a de quais possibilidades o ser-aí efetivo tira, ou recebe, pertence à sua compreensão existenciária em seu “estar em relação” ao ser.
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Ser e Tempo tenta apenas descobrir a “condição existencial da possibilidade de seu poder-ser existenciário fático”, e a analítica existencial da Primeira Seção visava apenas “esboçar a estrutura formal” do ser-aí sem pressupor ou “vincular” a qualquer visão existenciária, permanecendo num nível abstrato.
19. Por querer manter a análise existencial distinta de qualquer investigação existenciária de uma compreensão particular do ser, Heidegger não oferece exemplos detalhados do ser-aí “repetindo” suas possibilidades históricas ao projetar uma decisão resolutiva efetiva, mas escritos posteriores indicam mais claramente que a abertura própria é rara e não é mera questão de atitude ou comportamento na vida, sugerindo a Introdução à Metafísica que o ser-aí próprio cria grandes obras de arte, a organização política de um Estado, poesia e também “pensamento” ou filosofia, obras que concentram uma nova compreensão do ser.
20. Presumivelmente, Heidegger teria oferecido exemplos concretos na inacabada Segunda Parte de Ser e Tempo, ao discutir a compreensão existenciária expressa nas filosofias de Kant, Descartes e Aristóteles, o que se vislumbra em observações sobre a tradição.
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“O começo aparentemente novo que Descartes propôs para o filosofar revelou-se como a imposição de um preconceito fatídico.”
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Tal “pré-juízo” sobre o que é só pode ser plenamente compreendido depois de “des-estruturar” (Destruktion) a tradição ontológica, e só então se pode compreender plenamente o que significa “repetir” a questão do ser.
21. A decisão resolutiva tomada na temporalidade própria é também o primeiro passo no caminho de volta à temporalidade imprópria, que Heidegger mais tarde chama “errância” (Irre).
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“… o deixar-ser do que é como tal no todo só ocorre de modo condizente com sua essência quando, de tempos em tempos, é assumido em sua essência originária. Então a abertura re-soluta para o mistério está a caminho da errância como tal.”
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Chega-se à errância quando a nova compreensão do ser se torna corriqueira, e o vislumbre do mistério do ser só permanece vislumbre enquanto o ser permanece uma questão.
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Responder à questão é tomar uma posição ou outra e, assim, fechar-se ao caráter especial do ser-aí como ente que faz do ser uma questão.
