User Tools

Site Tools


estudos:sheehan:vida-como-possibilidade-e-auto-abertura

VIDA COMO POSSIBILIDADE E AUTO-ABERTURA (2015, 139-140)

SHEEHAN, Thomas. Making Sense of Heidegger: A Paradigm Shift. Lanham: Rowman & Littlefield, 2015

Na sua forma mais básica, a vida é um impulso natural para estar em curso para além de si, um desdobramento contínuo de si (Sich-zeitigung), de modo a aparecer num novo eidos, que por sua vez gera cada vez mais possibilidades, incluindo a sua possibilidade sempre presente de morte. Na medida em que a vida consiste em trazer constantemente algo novo de si, é um processo natural de revelação. A razão? A vida é uma espécie de physis (Sich-Zeitigung: auto-desdobramento), e physis é um tipo de kinesis (um ser-movido), e kinesis é um tipo de metabole (mudança pela qual algo oculto vem à luz), e metabole é um tipo de aletheia. Physis/kinesis = metabole/aletheia, o processo único de uma coisa natural trazer de si mesma o que estava até então escondido.

Mas o ser vivo não é lançado ou apropriado em quaisquer possibilidades. No fundo, é uma Selbst-Ermöglichung, uma capacitação de si mesmo, no sentido em que é a própria possibilidade de se tornar o seu próprio si-mesmo futuro-possível. Um ser vivo cria naturalmente o seu próprio “para quê” (Wozu) e coloca-se a si mesmo nele, permanecendo sempre consigo mesmo como a fonte deste impulso. Ao contrário de uma ferramenta, que obtém a sua capacidade de servir um objetivo do seu fabricante, os seres vivos produzem a sua própria capacidade de alcançar o seu “para quê”. São atos de devir que se auto-promovem.


  • Para Heidegger assim como para Aristóteles, a vida, seja enquanto ζωή de plantas e animais ou enquanto βίος humano, encontra-se essencialmente vinculada às próprias possibilidades, de modo que sua atualidade consiste em um Entheben in das Mögliche, um elevar-se e projetar-se no possível, sendo a efetividade do vivente estar capturado em possibilidades de si mesmo.
    • Vida como elevação ao possível.
    • Atualidade entendida como estar-enredado em possibilidades.
    • Possibilidade pertencendo à essência do vivente em ato.
  • Em sua forma mais elementar, a vida é um impulso natural de encaminhar-se para mais de si mesma, um desdobramento contínuo (Sich-zeitigung) que se manifesta em novos εἶδος e gera possibilidades sempre renovadas, inclusive a possibilidade constante da morte, constituindo-se como processo natural de desvelamento na medida em que ϕύσις enquanto κίνησις é μεταβολή e, como tal, ἀλήϑεια.
    • Vida como auto-desdobramento temporal.
    • Surgimento de novas configurações (εἶδος).
    • Morte como possibilidade sempre presente.
    • ϕύσις/κίνησις identificada a μεταβολή/ἀλήϑεια.
    • Processo unitário de trazer à luz o antes oculto.
  • O vivente não é lançado ou apropriado em possibilidades arbitrárias, mas constitui-se fundamentalmente como Selbst-ermöglichung, auto-possibilitação pela qual se torna a própria possibilidade de seu futuro possível, estabelecendo seu próprio Wozu e projetando-se nele enquanto permanece consigo como fonte de seu impulso, diferindo do instrumento que recebe externamente sua finalidade e capacidade de uso.
    • Vivente como ato auto-habilitador.
    • Estabelecimento interno do Wozu.
    • Permanência consigo como origem do impulso.
    • Distinção entre vivente e instrumento.
estudos/sheehan/vida-como-possibilidade-e-auto-abertura.txt · Last modified: by 127.0.0.1