SURPREENDENTE! COISAS FAZEM SENTIDO! (2011)
The Heidegger Circle Annual, 1 (2011): 1-25.
Com o surgimento do ser humano, o significado surgiu no universo, e nada mais foi o mesmo desde então. Pela primeira vez nos 13,7 bilhões de anos do cosmos, as coisas não estavam mais apenas “lá fora”, mas tornaram-se significativamente presentes (anwesend). Pelo que sabemos, apenas os seres humanos podem questionar as coisas, reconhecê-las pelo que são em si mesmas, nomeá-las, falar sobre elas em solilóquios ou diálogos e até mesmo falar sobre essa conversa. Uma vez que o homem é possuído pelo fogo prometeico do intelecto e da linguagem, a história humana começa como um complexo desdobramento de vidas significativas.
O foco filosófico de Heidegger nunca se desviou de die Sache Selbst, o fato surpreendente de que, com a existência humana, o sentido irrompe em um universo que, de outra forma, seria sem sentido. Ao longo de sua carreira, ele permaneceu fixado na dupla questão de (1) a presença significativa (Anwesen) das coisas e (2) acima de tudo, o que permite que tal presença significativa aconteça (das Anwesenlassen). Esta última é o que Heidegger chamou de sua questão básica ou Grundfrage. Se a filosofia começa com o espanto, então a άρχή — a origem e a ordenação — de todo o pensamento de Heidegger era a maravilha das maravilhas: que as coisas fazem sentido.
