Chuang Tzu
Carlo Saviani. El Oriente de Heidegger. Barcelona: Herder, 2004
1. O INTERESSE POR CHUANG-TZU
1. A primeira confrontação documentada de Heidegger com o taoísmo é o episódio narrado por H. W. Petzet sobre a conferência “Vom Wesen der Wahrheit”, proferida em Bremen em 8 de outubro de 1930, onde Heidegger, ao final da exposição, teria dito, após uma pausa: “Quem quiser saber mais sobre o que foi dito aqui, que leia o Chuang-tzu”, indicando assim uma consonância entre sua meditação sobre a verdade e a não-essência e o pensamento do filósofo chinês, que já conhecia através das traduções de Martin Buber e Richard Wilhelm, e este episódio demonstra que, já em 1930, Heidegger via no pensamento taoísta um interlocutor capaz de ressoar com suas próprias questões filosóficas fundamentais.
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A longa assiduidade de Heidegger ao Chuang-tzu fica atestada por episódios esporádicos, como a referência, em um seminário privado em Bremen em 1949 sobre “Palavra e Imagem”, ao relato “O suporte das campanas” contido no Chuang-tzu, que foi discutido juntamente com passagens de Agostinho, Heráclito, uma conferência de Klee e um dístico do próprio Heidegger, indicando que o texto taoísta era considerado pelo filósofo como uma fonte de pensamento em pé de igualdade com a tradição ocidental.
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Além disso, em uma conferência proferida em Comburg em 18 de julho de 1962, Heidegger citou integralmente o relato “A árvore inútil” do Chuang-tzu (na tradução de R. Wilhelm), o que demonstra que seu interesse pelo pensamento de Chuang-tzu não foi um episódio isolado, mas uma presença constante ao longo de sua trajetória intelectual, alimentando sua meditação sobre a utilidade, a essência e a relação do homem com o ser.
