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estudos:richardson:wohnen-2003

Wohnen

2003:583-584

O conceito de “habitar”, para Heidegger, nos é familiar, não apenas a partir de “A Coisa”, onde vimos que o Homem habita na proximidade do Ser, mas também a partir das interpretações de Hölderlin, onde aprendemos que o poeta habita na proximidade da Fonte. Não é grande surpresa, portanto, ouvir que a habitação é “a estrutura fundamental do Ser” do Estar-ali, ou seja, a maneira pela qual o Estar-ali permanece, reside, é. Isso comporta duas dimensões: a abertura para o Ser em sua Unidade polivalente (“… os mortais estão no (Ser polivalente), na medida em que eles (584) habitam. …”); o relacionamento com os seres, ou seja, as coisas, com as quais, desde o início, o Ser-ali inicia sua permanência, e, de fato, inevitavelmente assim o faz. As antigas formas saxônicas (wuon) e góticas (wunian), das quais deriva a palavra alemã para “morar” (wohnen), sugerem, além disso, a noção de “tratar com consideração” ou “cuidar de” algo, o que traduzimos como “cuidar”, já que essa palavra é usada em referência a um vigia, zelador ou pastor com suas ovelhas.

Ora, “… a característica fundamental da morada é essa (função de) cuidar. …”, o que se realiza em ambas as dimensões do Ser-ali: ontologicamente, na medida em que “… cuidar significa: guardar (o Ser polivalente) em seu estar-presente. …”; onticamente, na medida em que “… a morada, como cuidado, preserva (o Ser polivalente) ali onde (o Lá-ser) estabelece sua permanência: nas coisas.” Portanto, o Lá-ser cuida do Ser em seu vir-à-presença por meio dos seres, na medida em que permite que esses seres sejam como seres. Observe como essa concepção de morada coincide completamente, em seus aspectos essenciais, com o que SZ chamou de “no-ser” do Lá-ser como estar-no-Mundo.

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