estudos:polt:west-2006
WEST (2006)
POLT, Richard F. H. The emergency of being: on Heidegger’s contributions to philosophy. Ithaca, NY: Cornell Univ. Press, 2006.
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A distinção ontológica fundamental entre o ser (Seyn) e os entes exige a introdução do verbo arcaico wesen para descrever a atividade do ser, visto que o ser não “é” como um ente, mas “acontece essencialmente”.
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Separação entre Be-ing (Seyn) e beings (entes).
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Uso do verbo wesen (viver, habitar, atuar) como raiz de essência.
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Tradução proposta como “acontecer essencialmente” para verbalizar a essência.
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Natureza não-ontica do vigorar do ser.
O conceito tradicional de essência, derivado da ousia grega e da essentia latina, reflete a busca platônica pelo universal e a dicotomia entre o “o que” (essência) e o “que” (existência), distinções que Martin Heidegger subverte.-
Associação de essentia com Seiendheit (entidade/seridade).
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Foco platônico no koinon ou universal idêntico.
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Crítica à separação estática entre essência e existência.
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Redefinição da essência do Dasein como sua própria existência ou ter-o-ser-em-jogo.
A interrogação conjunta de ser, verdade e essência através do termo Wesung visa substituir a busca por abstrações atemporais pela experiência de um evento único de manifestação.-
Recusa de núcleos eternos em favor do acontecer temporal.
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Determinação do acontecimento essencial pela unicidade e não pela generalidade.
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Exemplo da poesia: escutar o evento único do poema em vez de buscar a ideia universal de poesia.
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Wesung como o modo próprio de o ser ter lugar.
A ênfase no momento único do Wesung não implica uma adesão ao anarquismo pós-moderno ou à dissolução de princípios, pois o evento inceptivo atua como uma fonte decisiva e fundadora de hierarquia e sentido.-
Debate com a leitura de Reiner Schürmann sobre a anarquia dos fenômenos.
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Caráter momentâneo, mas fundacional, do início (Anfang).
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Incepção como ruptura contingente que estabelece ordem e classificação.
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Distinção entre Ereignis e a reprodução de uma Ideia.
O caráter decisivo do Wesung emerge da urgência (Not) e não do arbítrio da vontade humana, estabelecendo uma necessidade que requer o engajamento profundo e o salto do ser humano no Dasein.-
Origem da necessidade na urgência ou emergência.
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Relação recíproca entre ser e Dasein.
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Dependência do ser em relação ao abrigo humano.
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Distinção entre decisão ontológica e livre arbítrio.
A divisão metafísica entre essência e existência é um derivado secundário do Wesung, que, na primeira incepção, manifestou-se restritivamente como Anwesung (presença), ocultando sua origem no tempo-espaço profundo.-
Raiz da distinção metafísica no próprio acontecer do ser.
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Experiência do ser como presença e representação.
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Caracterização da presença como um dom ou presente do Wesung.
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Esquecimento da fonte doadora.
A relação entre ser e entes é de simultaneidade e não de abstração, onde o acontecer essencial do ser não paira acima da realidade, mas precisa ser abrigado nos entes para que a verdade ocorra.-
Recusa da derivação abstrata do ser.
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Necessidade de abrigo nos entes e no Dasein.
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Engajamento do ser no acontecimento da verdade.
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Aprimoramento da unicidade dos entes pelo ser.
O desafio de traduzir wesen envolve o dilema entre criar neologismos que isolam o texto ou usar termos convencionais que arriscam mal-entendidos metafísicos, optando-se aqui pela manutenção do termo “essência” para preservar o confronto com a tradição.-
Crítica à “prosa torturada” resultante de expurgos linguísticos radicais.
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Necessidade de confrontar a primeira incepção (tradição) em vez de ignorá-la.
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Confiança na capacidade do leitor de transformar o sentido pelo contexto.
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Risco de interpretações irresponsáveis de frases isoladas.
A busca por alternativas de tradução para o verbo wesen revela as limitações de termos como “presenciar”, “desdobrar” ou “transpirar”, pois falham em captar a dimensão de propriedade e a necessidade de envolvimento humano.-
Rejeição de “presenciar” pois o ser não é uma entidade presente.
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Crítica a “emergir” ou “desdobrar” por sugerirem independência do observador.
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Apreço pela noção de “o que é mais próprio” (ownmost) de Emad e Maly.
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Preferência por “ter lugar” (taking place) ou “vigorar” (holding sway).
A dificuldade intransponível de tradução indica que Martin Heidegger atingiu o leito rochoso da linguagem, exigindo não apenas novo vocabulário, mas uma nova relação onde a nomeação do único tem primazia sobre a predicação universal.-
Insuficiência de conceitos de dicionário.
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Subordinação do universal ao evento único de apropriação.
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Primazia dos nomes próprios sobre os conceitos.
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Inversão onde a linguagem usa o homem.
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