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estudos:niederhauser:niederhauser-2013-angustia-angst

ANGÚSTIA

JAN2021

Não apenas a morte, mas também a Angst (ou ansiedade, como costuma ser traduzida) desempenha um papel fundamental aqui, pois “(a)ngst individualiza o Dasein”. (SZ: 187/182 ta) A Angst não é nem um estado psicológico nem o medo, digamos, da morte. Em vez disso, a Angst, como sintonização fundamental, é “uma revelação distintiva do Dasein”. (SZ: 184/178) Para Heidegger, a sintonização não é um estado de espírito contingente, mas sim existencial. A sintonização determina o Dasein em seu ser. A revelação é o termo decisivo aqui. A Angst não tem um objeto, mas seu “diante do qual”, Wovor, é “o estar-no-mundo como tal”. (SZ: 186/180) A angústia, literal e estritamente, “se apodera” do Dasein apenas durante sua autointerpretação transcendental-hermenêutica. Considere a seguinte afirmação de Heidegger: “O nada diante do qual a angústia nos leva revela a nulidade que determina o Dasein em seu fundamento, que é, ele próprio, o estar-lançado na morte.” (SZ: 308/295 ta) Em vez de descrever a experiência de alguém em seu mundo da vida, a partir de uma perspectiva transcendental — ou seja, a partir da perspectiva do “Aquilo” da existência do Dasein¹⁷ —, isso significa que a concepção ontológica fundamental da angústia permite a Heidegger revelar o Dasein em seu nada. O fato de o nada permear o ser do Dasein, no entanto, não significa que não haja um eu. Isso aponta, antes, para a tensão essencial entre o ser e o nada, para a qual o Dasein se projeta antecipadamente e que é o que possibilita, em primeiro lugar, qualquer encontro entre os seres. Isso também aponta para o “não” do “ainda não” do êxtase do futuro que constitui predominantemente o horizonte de compreensão do Dasein. Ou seja, o Dasein está extaticamente (fora de si) voltado para aquilo que ainda não é, e esse movimento constitui o momento presente, graças ao qual o Dasein compreende a si mesmo e ao mundo. A análise da angústia (e da morte) revela o solipsismo do Dasein. Isso, no entanto, não significa que o Dasein seja “um sujeito-coisa isolado (transposto) para o vácuo inofensivo de uma ocorrência sem mundo”. (SZ: 188/182) Muito pelo contrário, destacar o Dasein, ou seja, separá-lo dos seres diferentes dele, revela de forma mais radical que o Dasein está sempre já no mundo e sempre já com os outros. Isso porque o destaque é uma abstração e é imediatamente remetido ao que o Dasein é. A abstração não pode permanecer onde está, pois, nesse caso, o resultado da análise seria vazio e formalista. Dito de outra forma, o solipsismo não é um resultado estático da investigação, mas uma abstração momentânea no curso da autoinvestigação do Dasein. A autoinvestigação do Dasein, então, retrata uma experiência de transcendência no sentido de uma experiência de finitude. Essa experiência coloca o Dasein, ao mesmo tempo, diante de sua própria finitude e diante do ser como tal em sua finitude. Aqui vemos a diferença marcante entre Epicuro e Heidegger. Para Epicuro, a análise fica aquém de um medo óntico da morte e interrompe a autoinvestigação do Dasein. Para Heidegger, a angústia propriamente dita é o que sintoniza fundamentalmente o Dasein para estar autenticamente no mundo e o impele a investigar mais a fundo.

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