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A Questão do Ser (SZ §§1-8)

SMBT

Investigação Ontológica acerca do Sentido do Ser e Analítica da Existencialidade de Dasein

  • Questionamento fundamental sobre sentido do Ser como eixo central da obra Ser e Tempo em oposição à mera catalogação de entes particulares.
    • Necessidade de preparação metodológica para formulação coerente da pergunta pelo Ser, superando ausência de definições simplistas e imediatas na tradição filosófica.
  • Manifestação de compreensão pré-ontológica implícita nas atividades humanas cotidianas e na linguagem ordinária como ponto de orientação inicial para o pensamento.
    • Experiência do espanto e do maravilhamento diante da especificidade dos entes e da transitoriedade da existência, exemplificada pela percepção da natureza em sua crueza e vitalidade.
  • Distinção fundamental entre como o mundo se apresenta em sua diferenciação qualitativa e o fato de que o mundo efetivamente é, constituindo resposta afetiva ao Ser das coisas.
    • Recuperação da capacidade de estranhamento diante da realidade fenomênica como impulso originário para atividade filosófica autêntica em contraste com o romantismo adolescente.
  • Interação compreensiva com objetos e processos no mundo circundante revelando domínio prático sobre potencialidades e relações estruturais entre entes.
    • Uso do verbo ser na linguagem cotidiana como registro sistemático de capacidade humana para apreender entes enquanto entes em sua natureza distintiva.
  • Constituição de saberes ônticos por meio de tematização rigorosa de formas particulares de compreensão em disciplinas como física, biologia e estudos literários.
    • Emergência de crises conceituais nas ciências como catalisador para revelação de pressupostos ontológicos que fundamentam investigação de domínios específicos da realidade.
  • Papel da filosofia como clarificação crítica das articulações básicas da matéria, da vida e da linguagem, operando de forma parasitária e fundamental sobre ciências particulares.
    • Investigação das condições a priori para possibilidade de teorização científica e exploração de estruturas conceituais que precedem experimentação empírica.
  • Crítica à tradição metafísica ocidental pelo esquecimento do sentido do Ser e pela redução da diversidade ontológica a categorias simplistas como res extensa e res cogitans.
    • Problematização da distinção medieval entre essentia e existentia como conceituação superficial que negligencia modos de ser específicos de entidades não-objetificáveis.
  • Rejeição de dogmas tradicionais que consideram o conceito de Ser como universal vazio, indefinível ou puramente autoevidente por meio de abstração progressiva.
    • Defesa da unidade analógica do Ser em Aristóteles como tentativa de reconhecer interconexões subjacentes entre diferentes domínios da realidade sem negar sua diversidade categorial.
  • Insuficiência da lógica formal e do quantificador existencial moderno para capturar plenitude do significado do termo ser fora das estruturas de inferência dedutiva.
    • Crítica à confiança ingênua na notação lógica como espelho fiel da ontologia fundamental e necessidade de retorno à linguagem ordinária e à forma de vida subjacente.
  • Primazia de Dasein como ente que interroga e para o qual o próprio Ser constitui uma questão inalienável e central em sua constituição existencial.
    • Escolha de terminologia neutra para evitar contaminações teóricas de conceitos como subjetividade, consciência, espírito ou alma, permitindo reconstrução fenomenológica pura.
  • Caracterização da essência de Dasein como existência, definida pela capacidade de assumir posições diante de quem se é e de possibilidades de vida futuras.
    • Diferenciação entre modo de ser humano e ocorrência fáctica de objetos inanimados ou animais, cujas naturezas são fixadas por imperativos biológicos ou físicos.
  • Articulação entre compreensão existencial como análise de estruturas universais e compreensão existenciell como interpretação concreta e ôntica da própria vida.
    • Tripla prioridade de Dasein como condição ôntico-ontológica para possibilidade de qualquer investigação sobre Ser devido à sua relação íntima com mundo e consigo mesmo.
  • Método fenomenológico como via de acesso ao Ser dos entes, orientado pela máxima de retorno às próprias coisas e pelo desvelamento daquilo que se oculta no cotidiano.
    • Análise de logos como discurso que torna manifesto o que é dito e de phenomenon como aquilo que se mostra em si mesmo a partir de si mesmo.
  • Temporalidade como horizonte transcendental e sentido do Ser de Dasein, determinando toda forma de interpretação ontológica e projeção futura da existência.
    • Reconhecimento da historicidade intrínseca do pesquisador e necessidade de desconstrução da história da ontologia para liberar possibilidades de pensamento obscurecidas pela tradição.
  • Proposta de desconstrução como estratégia para revelar contingência histórica de verdades tidas como eternas e para resgate de intuições originárias da filosofia grega e kantiana.
    • Natureza inconclusa da investigação filosófica como reflexo da própria finitude e abertura de Dasein, rejeitando ilusão de sistemas absolutos e resultados finais definitivos.
  • Círculo hermenêutico como princípio metodológico que assume inevitabilidade de preconceitos e exige sua clarificação vigilante para aprofundamento da compreensão existencial.
    • Diagnóstico da inautenticidade como causa de erros históricos na apreensão do Ser, exigindo que pesquisa filosófica seja assumida como possibilidade existenciell autêntica do investigador.
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