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estudos:montavont:dupla-face-fenomenologia

Dupla Face da Fenomenologia

MONTAVONT, Anne. De la passivité dans la phénoménologie de Husserl. 1re éd ed. Paris: PUF, 1999.

  • A noção de uma dupla face da fenomenologia é introduzida para dar conta de uma tensão estrutural interna ao projeto husserliano.
    • A fenomenologia apresenta simultaneamente uma face estática e uma face genética.
    • Essa duplicidade não corresponde a duas doutrinas independentes, mas a dois modos de abordagem do mesmo campo fenomenal.
    • A dupla face exprime a necessidade de pensar conjuntamente estrutura e gênese, validade e origem, forma e vida.
  • A fenomenologia estática é caracterizada pela análise das estruturas de validade dos objetos.
    • Ela descreve os modos de doação dos objetos tais como são dados à consciência.
    • Seu interesse principal recai sobre a correlação intencional entre ato e objeto.
    • O foco é a constituição do sentido objetivo tal como ele pode ser tematizado e justificado.
  • A fenomenologia genética desloca a investigação para o processo de formação dos sentidos.
    • Ela interroga a gênese temporal das vivências e das estruturas intencionais.
    • O objeto não é considerado apenas como válido, mas como resultado de um processo de constituição.
    • A análise genética introduz a dimensão da história imanente da consciência.
  • A dupla face da fenomenologia não deve ser compreendida como simples sucessão metodológica.
    • A fenomenologia genética não substitui a fenomenologia estática.
    • Ela a pressupõe e, ao mesmo tempo, a excede.
    • A validade objetiva descrita estaticamente exige ser reconduzida às condições genéticas de seu surgimento.
  • A duplicidade fenomenológica corresponde a uma duplicidade do próprio fenômeno.
    • O fenômeno é ao mesmo tempo estrutura intencional e processo temporal.
    • Ele é aquilo que se mostra como sentido e aquilo que se forma como sentido.
    • A fenomenologia deve, portanto, assumir essa duplicidade sem reduzi-la.
  • A vida da consciência constitui o ponto de articulação entre as duas faces.
    • Do ponto de vista estático, a vida aparece como suporte das estruturas intencionais.
    • Do ponto de vista genético, a vida é o movimento originário de constituição do sentido.
    • A noção de vida impede que a fenomenologia se fixe numa pura análise formal.
  • A fenomenologia estática corre o risco de uma abstração excessiva.
    • Ao privilegiar a forma de validade, ela tende a neutralizar o devir da experiência.
    • O sentido aparece como já constituído, desligado de sua origem temporal.
    • Esse risco motiva a necessidade de uma abordagem genética.
  • A fenomenologia genética, por sua vez, enfrenta o risco inverso.
    • Ao enfatizar o processo de constituição, pode enfraquecer a determinação objetiva do sentido.
    • A validade corre o risco de dissolver-se numa pura facticidade histórica.
    • A articulação com a fenomenologia estática torna-se, assim, indispensável.
  • A dupla face da fenomenologia exprime uma exigência metodológica fundamental.
    • Pensar simultaneamente a objetividade do sentido e sua gênese.
    • Manter a correlação entre consciência constituinte e mundo constituído.
    • Evitar tanto o formalismo quanto o historicismo.
  • Essa duplicidade reflete, em última instância, a ambiguidade constitutiva da subjetividade transcendental.
    • A subjetividade é ao mesmo tempo polo de validade e fluxo de vida.
    • Ela constitui sentidos e é atravessada por processos passivos.
    • A dupla face da fenomenologia é, assim, o reflexo teórico do duplo modo de ser da consciência.
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