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estudos:mitchell:jogo-espelhos-geviert-2015

JOGO DE ESPELHOS DO GEVIERT (2015)

MITCHELL, Andrew J. The fourfold: reading the late Heidegger. Evanston (Ill.): Northwestern university press, 2015

O jogo de espelhos do quádruplo que reúne os quatro também os separa. Essa reunião espaçada dos quatro deve ser instanciada, e essa instanciação é a coisa. A reunião espaçada dos quatro impede que essa coisa instanciada se feche em si mesma, liberando-a para o mundo. Essa reunião espaçada dos quatro é, consequentemente, a coisa da coisa. Tornando-se coisa dessa maneira, a coisa renuncia a qualquer pretensão de objetividade e repousa em sua própria natureza delimitada como coisa. A coisa é, consequentemente, leve, receptiva ao que vem, repartida para ela. Sua leveza também pode ser entendida temporalmente, como uma permanência que dura apenas um pouco. Mas esse pouco tempo é necessário para que haja qualquer permanência, qualquer coisa e, portanto, também qualquer mundo. O quádruplo que se reúne na coisa não se reúne em torno de um polo inerte; ao contrário, o quádruplo se reúne em uma interface relacional, que se abre para o mundo: “Os quatro são uma reciprocidade, unindo-se desde o início. As coisas permitem que o quádruplo dos quatro permaneça entre si [bei sich verweilen]. Esse permanecer coletivo é o ser-coisa da coisa. Nomeamos o quádruplo unificador do céu e da terra, dos mortais e das divindades, permanecendo na coisa da coisa: o mundo” (GA 12: 19/PLT 197, tm). A coisa está, portanto, intimamente ligada ao mundo.

Heidegger pensará essa relação no momento do quádruplo não simplesmente como algo da parte da coisa, mas também como um movimento da parte do mundo. É tanto um gesto quanto uma concessão. A relação assim articulada é uma linha de diferença, mas não uma diferença (Differenz) que se estenderia entre partes isoladas; é antes uma diferenciação (Unterschied) que primeiro dá cada um ao outro: “A diferenciação [der Unter-Schied] permite que o ser da coisa repouse no mundo do mundo. A diferenciação expropria a coisa para a calma do quádruplo. Tal expropriação não rouba nada à coisa. Em vez disso, ela primeiro eleva a coisa ao seu próprio ser: ela permite que o mundo permaneça” (GA 12: 26/PLT 203, tm). Pensar a coisa em sua relação com o mundo é pensar essa diferenciação “singular” entre coisa e mundo (GA 12: 22/PLT 200, tm).

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