estudos:grondin:tempo-e-ser-1987
INTENÇÃO DE “TEMPO E SER” NA ÉPOCA DE “SEIN UND ZEIT” (1987)
GRONDIN, J. Le Tournant dans la pensée de Martin Heidegger. Paris: PUF, 1987
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A retomada da problemática da terceira seção de Ser e Tempo ocorre no curso de 1927, cujo título sobre os problemas fundamentais da fenomenologia deve ser compreendido como uma investigação sobre aquilo que foi esquecido ou negligenciado pela disciplina.
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Foco no problema do ser em detrimento da fenomenologia expressa.
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Interpretação do título como exame das omissões históricas.
A primeira omissão fundamental atribuída à fenomenologia reside na ausência de questionamento sobre o ser do sujeito, mantendo-se uma definição reificada do homem apesar dos esforços de Wilhelm Dilthey, Edmund Husserl e Max Scheler para enfatizar o cumprimento dinâmico dos atos intencionais.-
Persistência do conceito de animal rationale.
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Crítica à coisificação do Dasein como suporte de propriedades.
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Obscuridade ontológica do conceito de realização ou Vollzug.
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Necessidade de uma ontologia do Dasein.
A segunda falha crítica da fenomenologia consiste no esquecimento da questão do ser, o objeto intencional por excelência, o que transforma o curso de 1927 em uma crítica radical à vertente oficial representada por Edmund Husserl e Max Scheler.-
Identificação do ser como a coisa mesma da fenomenologia.
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Foco do curso nas figuras históricas do ser.
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Possibilidade de uma autocrítica implícita à nova fenomenologia.
A elaboração da temática da temporalitas busca demonstrar como a constituição temporal do Dasein serve de horizonte e condição de possibilidade para a compreensão do ser e da ontologia, sem postular uma entidade transcendente inacessível.-
Distinção entre temporalidade do Dasein e temporalitas.
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Função da temporalitas como horizonte de compreensão.
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Dependência da tese central de Ser e Tempo em relação a essa resposta.
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Acesso ao ser através da temporalidade existencial.
A relação entre as duas dimensões temporais pode ser ilustrada pela distinção metafísica onde a temporalidade do Dasein atua como ratio cognoscendi da temporalitas, enquanto esta última operaria como a ratio essendi fundadora daquela.-
Caracterização da temporalitas como temporalização originária.
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Desvelamento do ser sobre o fundo da temporalidade humana.
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Prioridade fundacional da temporalitas sobre o Dasein.
A transição da temporalidade para a temporalitas marca o início do pensamento da virada ou Kehre dentro do próprio horizonte de Ser e Tempo, evidenciado pelo uso explícito do termo em um curso do semestre de verão de 1928.-
Prioridade do ser sobre o Dasein como temporalidade originária.
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Explicação posterior na Carta sobre o Humanismo sobre a retenção da terceira seção.
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Localização do nascimento do tournant na passagem para a temporalitas.
A radicalização do problema metafísico exige uma ontologia fundamental composta pela analítica do Dasein e pela analítica da temporalitas, sendo esta última o momento do revirement onde a ontologia retorna à esfera ôntica através da metontologia.-
Citação do curso de 1928 sobre a necessidade de interpretação temporal.
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Divisão da ontologia fundamental em duas analíticas.
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Definição da Kehre como o retorno explícito à ontique metafísica.
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Surgimento do conceito de metontologia no ponto de inflexão.
A aparição precoce do conceito de Kehre em 1928 desafia a cronologia estabelecida posteriormente por Martin Heidegger e sugere que a reflexão foi interrompida pelo envolvimento político da década de 1930 antes de ser retomada em 1937.-
Contradição com a datação fornecida na Carta a Richardson.
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Hipótese de obnubilação do pensamento pela frenesi nazista.
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Interpretação da data de 1937 como retomada da tarefa original.
O movimento da virada ontológica desemboca na metontologia, uma disciplina complementar que trata o ente em sua totalidade e visa parachevar a metafísica através de uma apropriação autêntica da existência.-
Coincidência entre o início da analítica da temporalitas e a Kehre.
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Tomada de consciência da determinação temporal da ontologia.
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Distinção e união entre ontologia fundamental e metontologia.
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Caráter ético ou teológico da metafísica da existência.
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Preparação para o dépassement-appropriateur ou Verwindung da metafísica.
A análise das extases temporais do cuidado revela a existência de esquemas horizontais adjacentes, onde a compreensão do ser do ente à mão exige a projeção sobre o horizonte da praesentia ou presença em sentido latino.-
Identificação do Woraufhin ou horizonte das extases.
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Tentativa de interpretação temporal do ente Zuhanden.
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Necessidade de um esquema temporal para a compreensão da manualidade.
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Uso do termo latino Praesenz para distinguir o horizonte do presente vulgar.
A distinção entre a praesentia como horizonte de encontro e o agora como característica do ente intramundano visa preservar a diferença ontológica e fundamentar a experiência do tempo vulgar na abertura originária da temporalitas.-
Relevância do dilema sobre a derivação do tempo.
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Manutenção da fronteira entre ser e ente.
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Prioridade da praesentia sobre a experiência do agora.
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Conclusão da análise ontocrônica com o horizonte esquemático.
O questionamento sobre os horizontes encontra seu termo na constatação de que a temporalidade do Dasein é uma autoprojeção pura e autônoma, não condicionada por fenômenos extratemporais, o que encerra o ciclo da fundamentação.-
Recusa da regressão ao infinito na busca por horizontes ulteriores.
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Caracterização da temporalidade como autotemporalização.
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Localização da liberdade originária no projeto de transcendência.
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Fechamento do sistema ontológico.
A aparente conclusão lógica do sistema ontológico fundamental levanta a questão sobre os motivos que levaram à retenção da terceira seção, considerando que o ciclo argumentativo parecia ter atingido seu fechamento.-
Indagação sobre a utilidade da não publicação.
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Expectativa frustrada da comunidade filosófica.
A decisão de não publicar a seção final de Ser e Tempo deve ser atribuída às dificuldades filosóficas intrínsecas ao próprio projeto, as quais foram percebidas por Martin Heidegger e impediram a execução imediata da tarefa.-
Impossibilidade de reduzir o problema a questões editoriais.
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Reconhecimento das emboscadas do pensamento pelo próprio autor.
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Necessidade de adiar a exposição de Tempo e Ser.
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