Narcisismo
FUCHS, Thomas. Das unersättliche Selbst: Phänomenologie des Narzissmus. Erscheinungsort nicht ermittelbar: Suhrkamp Verlag, 2026.
1. Concebida inicialmente como simples artigo destinado a esboçar alguns pontos de partida para uma contribuição da psicopatologia fenomenológica à pesquisa sobre o narcisismo, a investigação partiu da constatação de que essa disciplina ainda não oferecera nenhum aporte sistemático ao tema.
2. O aprofundamento do tema revelou dimensões cada vez mais amplas e exigiu o confronto com aspectos e contribuições sempre mais numerosos e fundamentais de diversas disciplinas, evidenciando que metáforas e conceitos centrais da discussão sobre o narcisismo, sobretudo os de espelho, vazio e autoestima, careciam de crítica, explicitação e fundamentação fenomenológicas, tarefa que já não cabia num artigo e da qual emergiu progressivamente um conceito fenomenológico-existencial do narcisismo como núcleo da obra.
3. O interesse pelo narcisismo nasce, de um lado, da necessidade prática de compreender fenomenologicamente melhor os contextos clínicos e, de outro, da inegável e crescente importância social do fenômeno, independentemente de sua epidemiologia, pois, ainda que seja tema da moda e estimule contribuições mais ou menos fundamentadas, persiste a necessidade legítima de compreender melhor uma forma de subjetivação que parece marcar essencialmente a época atual.
4. A problemática narcisista fundamental da autoestima e do status, ligada ao vivenciar e ao aparecer corporais, concerne a todos de modo existencial, pois a autoestima é essencialmente uma relação corporal-afetiva consigo mesmo que marca e determina originariamente a vida, e ninguém possui autoestima inteiramente estável nem lida sempre otimamente com suas oscilações, recorrendo também pessoas sem transtorno de personalidade narcisista, por vezes, a estratégias narcisistas para enfrentar a falta de autoestima, já que nem sempre é fácil ser verdadeiramente amigo de si mesmo, como dizia Aristóteles.
5. A problemática narcisista diz respeito ao ser humano enquanto tal e situa-se por isso entre as disciplinas, sem pertencer exclusivamente à filosofia, à psicologia, à psiquiatria ou à sociologia, impondo-se a tentativa de apreender o narcisismo pela raiz a partir de uma perspectiva fenomenológico-corporal e existencial voltada para aquilo que, em última instância, é comum a todos.
6. A elaboração da obra contou com a contribuição de diversas pessoas, entre elas Ceren Dogan, Serena Gregorio e Werner Balzer, dos participantes dos encontros no Instituto Psicanalítico e no Seminário Filosófico de Heidelberg, onde a abordagem foi apresentada e discutida, e de Philipp Hölzing, da editora Suhrkamp, por seu empenho no acompanhamento do manuscrito desde a primeira leitura até a impressão.
