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Nishida Kitarō

Nishida Kitarō (1870–1945)

Tiziano Tosolini, Prefácio de sua tradução de La logica del luogo e la visione religiosa del mondo.

O NOME DO FILÓSOFO JAPONÊS NISHIDA KITARŌ (1870–1945)

1. O nome do filósofo japonês Nishida Kitarō (1870–1945) ecoa hoje com certa frequência em círculos e debates acadêmicos internacionais, e superando em brevísimo tempo o preconceito histórico de uma filosofia ocidental que relegava a segundo plano todo contributo que se afastasse de sua milenar tradição, as reflexões de Nishida encontraram crescente acolhida entre estudiosos de todos os países e de toda derivação filosófica.

  • Tal abertura à filosofia contemporânea japonesa, da qual Nishida é pai, deve-se certamente ao seu fascínio distante e exótico, ao seu perseguir e propor sabedorias até então desconhecidas, ao seu deslocar o baricentro da reflexão do conceito de ser para o de nada absoluto.
  • No entanto, entre todos esses elementos, não se deve esquecer o que parece representar um aspecto peculiar na filosofia de Nishida, isto é, o seu dialogar com os pressupostos e os resultados elaborados pela filosofia ocidental mantendo, ao mesmo tempo, uma distinta pertença à própria tradição de pensamento japonês.
  • É aqui, com efeito, que brota a força de suas argumentações, a fadiga de inventar terminologias e vocábulos ausentes dos léxicos e dicionários da época, a perseverança em continuar a modelar um pensamento que aparecia original e inovador aos olhos dos próprios japoneses.
  • Graças à filosofia elaborada por Nishida, já não se tratava apenas de estudar obras e textos importados da Europa ou da América, de adaptar-se a disquisições lógicas ou metafísicas alheias e estranhas, mas de entrar em contato com o próprio modo de pensar japonês, com sua riqueza e profundidade espiritual.
  • O círculo de estudiosos que se reuniu em torno de sua figura (basta aqui recordar apenas os nomes de Tanabe Hajime e Nishitani Keiji) veio depois a desembocar naquela que foi chamada a Escola de Kioto, um ambiente filosófico cuja criatividade nascia e se alimentava justamente daquela profícua tensão instaurada entre pensamento japonês e filosofia ocidental.

2. O auditório a que Nishida se dirigia com seus escritos não era localizado ou identificado apenas com o Japão, pois sua filosofia desejava entrar na arena do debate internacional, ser interlocutor em pé de igualdade com outras tradições de pensamento, enriquecer com suas análises aquele intercâmbio de ideias e reflexões que definem a filosofia enquanto tal.

  • Entrar numa lógica de pensamento que assume como seu ponto de partida um fundamento que não está presente no interior de um discurso filosófico comum e consolidado significa fazer oscilar o conhecimento e o saber entre dois mundos interpretativos, avaliar as próprias assunções ou pressuposições metafísicas, ontológicas e religiosas à luz de um novo universo de sentido e significado.
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