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estudos:caron:registros-doacao-peos-ii-3-2

multiplicidade dos registros de doação (2005:1599)

PEOS

  • Desprender a multiplicidade dos registros de doação não é progredir para a profundidade, mas para um pensamento sempre mais originário da origem.
    • O objetivo é que o si-mesmo não se contente em olhar sua estrutura do exterior, mas possa sentir-se fundamental e finalmente infundido por ela.
    • A démarche em “Tempo e Ser” [GA14] está em relação direta com a questão da essência do homem.
    • A estrutura do si-mesmo sendo o próprio ser, melhor pensar o ser equivale agora a melhor pensar o si-mesmo.
    • Fazendo assim retorno para o Es do Es gibt, encontra-se a dimensão originária dentro da qual tudo adquire o fulgor de sua presença.
    • O ser confundindo-se com seu próprio processo de advento, é esse advento que deve ser levado ao pensamento.
    • A intenção é ver nele aquilo em que tudo é retomado e tudo desaparece para advir ao seu próprio e ser enviado à presença.
    • A démarche de Heidegger, que foi a de todo seu pensamento, conduz do si-mesmo à estrutura do si-mesmo.
    • Conduz da estrutura do si-mesmo ao ser.
    • Conduz do ser ao Ereignis.
    • No seio do Ereignis, a realidade humana é agora absorvida, retomada em sua essência desdobrante.
    • Desse modo, ela pode atingir-se em seu próprio.
    • Instalando-se naquilo que o retoma, o homem é sem cessar remetido a si mesmo como relação ao ser, e ao ser como relação àquilo que o envia a si mesmo.
    • A última palavra de Heidegger consiste em abrir o pensamento como uma morada para o Ereignis.
    • A tarefa do pensamento é dar-se ao dom e absorver-se no Es gibt.
  • Essa démarche progressiva-regressiva encontra seu acabamento na conferência “Tempo e Ser”.
    • Ela conclui numa comunhão do si-mesmo e do dom, afirmando que só resta uma coisa a dizer: das Ereignis ereignet, há o “il y a”, o dom dá, o Acordo concede.
    • A palavra do si-mesmo não se tornando doravante senão o porta-voz da Palavra.
    • Pensar o ser propriamente demanda que se abandone o ser como fundo do estado, em favor do dar que joga em retirada na liberação do retiro, isto é, em favor do Es gibt.
    • O ser, enquanto doação, não é repelido fora do dar.
    • O ser, desdobrar-se-em-presença, torna-se totalmente outro.
    • Enquanto deixar-se-desdobrar-na-presença, ele tem seu lugar na liberação fora do retiro.
    • Mas enquanto dom dessa liberação, ele permanece retido no dar.
    • É precisamente esse dar que deve ser acolhido em seu mistério pelo pensamento.
    • É sobre esse dar que nosso pensamento, que busca o fundamento da realidade humana ou o da estrutura do ipse, deve debruçar-se.
    • O objetivo é pensar o dom em estado puro e encontrar a partir dele o Ereignis.
    • Desse modo, o pensamento vê a si mesmo como inscrito na essência do dom e constata sua própria estrutura como a resposta dada que deixa ser o dom.
    • Nosso objetivo é pensar a dispensação enquanto tal para ver como seu gesto, que é dom puro articulado como Ereignis, retoma nele o si-mesmo e realiza todo pensamento do si-mesmo.
  • “Tempo e Ser” estabelece dois registros de doação: o ser no estado, e o deixar ser no ser.
    • O ser dá-se no estado, mas a palavra “ser” não exprime em si mesma esse dom nem seu ser-desdobrante.
    • A palavra “ser” possui em si mesma a possibilidade de sua própria incompreensão e uma margem suficiente de indeterminação.
    • Essa margem permite que o pensamento metafísico acabe por ocultar sua dimensão de eclosão.
    • A metafísica em geral não pensou o ser como vinda em presença.
    • Ela não apreendeu a temporalidade em obra no ato de jorramento que é o ser.
    • Pensando o ser fora do processo de presentificação que faz advir o presente no aberto, o pensamento metafísico abandonou a dimensão de emergência da temporalidade.
    • Ele reteve do tempo apenas a forma que ele toma no presente que faz surgir, a saber, a duração.
    • A temporalidade, reduzida à simples duração do presente e cortada de seu movimento originário de pôr em presença do presente, só foi então considerada como perdurância no seio do devir.
    • A vontade própria do pensamento metafísico sendo a de recobrir o velamento e manter, tanto quanto possível, o presente no aberto, o conceito de tempo rapidamente se encontrou subsumido sob o ideal de um presente que não mais passaria.
    • A essência do tempo é assim pensada em geral como um presente subsistente, um presente que dura e se mantém sempiternamente no aberto, como uma quantidade de duração.
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