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Poema de Parmênides

JBPP

A origem do presente trabalho é uma tradução do Poema de Parmênides deixada por Jean-Jacques Riniéri, quando, em agosto de 1950, ele partiu de Paris para uma viagem à Holanda da qual não voltaria mais.

A tradução de Riniéri, revisada por Olivier Revault d’Allones, foi-me entregue em 1951 por Roger Stéphane, que me pediu para escrever algumas páginas de introdução.

O projeto de introdução acordado inicialmente transformou-se, ao longo dos anos seguintes, em uma reflexão quase incessante e muitas vezes desanimada diante das dificuldades cada vez mais formidáveis do texto de Parmênides. Essa reflexão me levou a revisar, do início ao fim, a tradução de Riniéri. A princípio, parecia que havia, sobretudo, a necessidade de completá-la. De fato, os Fragmentos IX, X, XI e XVIII não estavam traduzidos. Mas também faltava a tradução dos versos jo e 31 do Fragmento I e dos versos 60 e 61 do Fragmento VIII. Ora, a interpretação desses versos foi historicamente decisiva para o conjunto, pois é neles que se concentra toda a dificuldade do texto, cuja articulação eles determinam. Foi assim que um trabalho que, a princípio, pretendia ser apenas a revisão de uma tradução acabou resultando em outra tradução, caracterizada por uma situação diferente entre a δόξα e a ἀλήθεια, e entre o νοεῖν e o εἶναι.

Essa nova tradução é uma aventura que, sem dúvida, nunca teria sido empreendida sem a iniciativa inicial de Riniéri. Ela foi levada ao seu estado atual com a colaboração de Michel Gourinat, Francis Olivier e André Wormser.

Várias conversas com Martin Heidegger foram de ajuda inestimável no que diz respeito ao essencial.

Jean-Jacques Riniéri seguiu o texto proposto por Diels (Die Fragmente der Vorsokratiker, vol. I, 1912). Os Fragmentos são apresentados aqui de acordo com a ordem adotada por Walther Kranz na recente reedição da mesma obra (1952). O texto grego é o de Kranz, salvo algumas modificações (versos 7, 12, 19 e 36 do Fragmento VIII; cf. notas nas passagens indicadas).

Permitam-me acreditar que a interpretação proposta nas páginas a seguir permanece fiel à iniciativa e à paixão que levaram Jean-Jacques Riniéri à descoberta de Parmênides.

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