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28. Metafísica

HEIDEGGER, Martin. Méditation. Tr. Alain Boutot. Paris: Gallimard, 2019.

XXVIII. O CONCEITO DE METAFÍSICA NA HISTÓRIA DO SER

98. O pensamento da história do seer distingue-se radicalmente do questionamento metafísico ao interrogar o seer a partir de si mesmo e não a partir do ente, configurando-se como um pensar que é conduzido ao seu próprio pelo seer (Er-denken) e que, por isso, jamais fornece respostas, mas permanece em escuta da voz tranquila do silêncio.

  • A metafísica representa o ente a partir da enticidade sem jamais questionar o seer enquanto tal, ao passo que o pensamento da história do seer questiona a partir do desdobramento essencial da verdade do seer.
  • O termo Er-denken não designa invenção arbitrária, mas o fato de o pensamento ser trazido ao seu próprio pelo seer, distinguindo-se da re-presentação metafísica.
  • A pensamento pensante não responde por essência, pois toda resposta viria apenas do que o questionamento alcança ao se pôr em escuta, ao passo que a ciência e o cálculo exigem sempre respostas antecipadas.
  • O caráter obrigante desse pensamento não provém de fundamentações racionais, mas da assinação abissal a decisões simples que libertam o homem para o Da-sein.

99. A questão do ser na história do seer interroga a verdade do seer como a única resposta possível, mantendo-se instantemente na clareira do acontecimento apropriador (Ereignis), o que permite que o ente, pela primeira vez, não seja mais explicado a partir de suas prestações ou de sua origem, mas encontre fundamento a partir do próprio seer.

100. A coapropriação entre o projeto representante do ente em sua enticidade e a determinação da essência do homem como animal rationale constitui o fundamento inquestionado de toda metafísica, cujo limite interno reflete de modo ainda opaco o acontecimento apropriador, somente esclarecível no projeto que se lança livremente no Da-sein.

101. Os projetos representantes do ente em sua enticidade compartilham uma mesma história sem possibilidade de explicação mútua, ao passo que o projeto da verdade do seer, por exigir a mutação do homem de sujeito a Da-sein, requer uma explicação que supere toda pretensão calculadora e funde o litígio no desdobramento essencial do próprio seer.

102. A metafísica esquece o seer precisamente por questionar apenas a enticidade do ente e nunca o seer e sua verdade, sendo esse esquecimento duplamente esquecido de si mesmo, de modo que apenas ao nomeá-lo a verdade do seer já se torna efetiva como rememoração na clareira do seer.

103. A dificuldade em diferenciar seer e ente, apesar de essa diferença sustentar toda a metafísica desde a origem grega, decorre do fato de o seer permanecer velado como possibilidade de sua própria verdade, o que constitui um recusa que provém do próprio seer e não uma simples produção subjetiva ou categorial.

  • O seer parece apenas a figura evanescente do ente, sendo representado segundo as mesmas formas usadas para representar o ente, o que impede que seja experimentado em sua dignidade de questão.
  • A diferença torna o acontecimento apropriador inacessível, podendo ser mal interpretada como evento subjetivo ou produção humana, sobretudo na determinação transcendental do a priori.
  • A diferença entre seer e ente só se torna essencial quando a questão da verdade do seer supera a metafísica, tornando-se então caduca como distinção meramente representacional e servindo apenas de intermezzo na transição.

104. A φύσις designa o reinar que se desabrocha como desvelamento (Entbergung) e velamento (Verbergung) simultâneos, sendo mal-compreendida quando reduzida a “natureza” ou “sensibilidade”, e sua articulação com a άλήθεια jamais alcançou clareza fundacional, o que exige uma preparação rememorativa capaz de relacionar-se ao comecimento a partir de si mesmo.

  • O desabrochar deixa o ente epifanizar-se na estabilização da entrada em presença chamada “reinar”, ao passo que o νοῦς e o λόγος recolhem perceptivamente esse desvelamento.
  • A φύσις se retira ao deixar vir à luz o que é desvelado, o que indica que todo desvelamento provém de um velamento anterior pertencente à essência inicial.
  • A metafísica, ao ultrapassar os entes por natureza (φύσει ὄντα) em direção ao seu princípio (άρχή), não faz senão confirmar e ajuntar o desvelamento do ente sem jamais experimentar o próprio espaço-tempo do seer.

105. A “forma” grega (εἶδος, ἰδέα) não é fenômeno óptico, mas designa metafisicamente o estar instalado em si mesmo na pura entrada em presença, sendo o privilégio grego ao visível decorrente da correspondência entre o ótico e a essência da φύσις, e não de uma suposta inclinação “visual” dos gregos.

106. Pensar o seer como φύσις distingue-se de experimentar a φύσis enquanto ser, sendo somente o pensamento da história do seer capaz de reconhecer que a φύσις pertence essencialmente ao próprio seer, ainda que historicamente o conceito grego tenha se dispersado em múltiplos significados que ocultam mais do que revelam etapas essenciais da metafísica.

107. A φύσις, como entrada em presença que se desabrocha, abre a diferenciação entre ente e seer ao frisar o ente como presença constante, o que constitui o ajuntamento fundamental sobre o qual se assenta a re-presentação metafísica sem jamais saber sua dívida ao próprio seer.

  • O projeto do ente em vista da enticidade assume o desvelamento do seer sem nada saber da essência desse desvelamento.
  • O re-presentar experimenta-se como pensamento de algo que precede o ente, situando o seer como o mais constante e, por isso, a primeira entrada em presença, o que constitui propriamente a metafísica (τὰ μετὰ τὰ φυσικά).
  • A metafísica, entendida posteriormente apenas como doutrina, reduz o seer a objeto frente ao qual o ente aparece “mais ente”, ainda que o seer mantenha legitimidade superior como causa e condição prévia da representação.

108. A metafísica, pensada a partir da história do seer, ajunta o desvelamento do ente projetado como enticidade sem saber do caráter temporal da entrada em presença, o que se consuma na πρώτη φιλοσοφία aristotélica compreendida em unidade onto-teológica e conduz, através de Kant, Schelling, Hegel e Nietzsche, à onto-teologia da metafísica moderna.

  • A πρώτη φιλοσοφία de Aristóteles antecede a posterior distinção entre ontologia e teologia racional, unindo o ὂν ᾗ ὄν à άρχή primeira sem separação disciplinar.
  • O χωριστόν designa a pura entrada em presença separada de toda alteridade, e o άκίνητον designa a estabilização na constância isenta de mudança, ambos culminando na figura metafísica do nunc stans e do eterno retorno do idêntico.
  • No início e no fim da metafísica falta a diferença entre seer e ente, embora de modos distintos, sendo essa diferença, apesar de infundada, a jointura que torna possíveis princípios, causas e valores ao longo de toda a história metafísica.
  • A metafísica é incapaz de resguardar o seer numa pensar essencial e de fundar o Da-sein, permanecendo a humanidade impossibilitada de abrir o espaço-tempo de uma história verdadeira enquanto a metafísica exercer seu poder sobre o ente.

109. A conferência “O que é metafísica?” ultrapassa a determinação da enticidade do ente ao experimentar algo que nunca é ente, mas faz o ente erguer-se pela primeira vez em seu aberto, sem contudo nomear expressamente o Da-sein a partir do qual se questiona a verdade do seer.

  • A proposição “o ser e o nada são o mesmo” é entendida hegelianamente como enticidade vazia, ao passo que, do ponto de vista da história do seer, o nada aniquilante procede da essência do seer como recusa.
  • A pergunta “por que há em geral ente e não antes nada?” significa metafisicamente a busca de uma causa, mas, na perspectiva da história do seer, questiona por que o ente obteve primado sobre o seer reduzido a apêndice.
  • O livro sobre Kant e a conferência sobre a metafísica coapropriam-se ao tentar, a partir da metafísica, tornar visível a meta-metafísica e assim tornar legível a questão já posta por seer e Tempo.

110. Aristóteles compreende decisivamente a φύσις como οὐσία τις em Metafísica Δ 4, muito embora a οὐσία seja, segundo sua provenança essencial, antes uma modalidade determinada da própria φύσις, permanecendo ainda transparente nessa relação a presença cujo desdobramento essencial provém de si mesma, mesmo quando ποίησις e πρᾶξις passam a integrar as determinações do ser ao lado dos φύσει ὄντα.

111. A metafísica deve ser entendida, em sua essência historial, como uma apreensão compreensiva (θεωρεῖν) da φύσις enquanto άρχή do ente, ainda que a entrada em presença que se desabrocha apareça num aberto já aberto, de modo que toda metafísica visa a “verdade” como nome primeiro e último do seer sem jamais fundá-la.

112. A questão da verdade como aberto não-velado não é posta no início porque esse aberto nomeia a própria essência da φύσις e do ser do ente, tornando-se questão do conhecer apenas depois da fixação da interpretação inicial da enticidade, ainda que a verdade deva ser pensada, na história do seer, como fundante do próprio conhecer.

113. A άλήθεια, entendida como abertura sem velamento, e a άτρέκεια, entendida como retidão sem distorção, designam o que se mostra sem ser desfigurado, permanecendo inteiramente em sua essência e voltando-se para quem o percebe, sendo a partir disso que se compreende, em pensamento contrário, a essência do ψεῦδος.

114. O seer recebe ao longo da história da metafísica múltiplas determinações — desabrochar, recolhimento no λόγος, percebido no νοεῖν, visto na ἰδέα, acabado no τέλος, causa primeira criadora, representado com certeza, objetividade do objeto, racionalidade incondicionada — sendo a metafísica, em sentido estrito, o ajuntamento historial do ente em sua totalidade a partir da enticidade e da verdade inquestionada do seer, cuja figura extrema é o abandono do ente longe do seer.

115. A metafísica começa secretamente com o início do pensamento ocidental como φύσις-άλήθεια, mas só se instaura propriamente com Platão e Aristóteles a partir da diferenciação entre ὄντως ὄν e μὴ ὄν, encontrando seu fechamento consumado em Hegel, cuja Ideia absoluta suprime e ao mesmo tempo mantém infundada a diferença entre seer e ente.

  • O comecimento e o começo da metafísica não coincidem, do mesmo modo que sua consumação e seu fechamento não se recobrem.
  • Nietzsche, ao pensar o caos como afirmação incondicionada da vida, não reconquista a φύσις, mas realiza o acabamento do começo enquanto inversão do platonismo, permanecendo por isso vinculado ao início da metafísica.
  • A metafísica interpreta sua própria história a partir do horizonte de sua jointura, ao passo que, do ponto de vista da história do seer, o que vem depois aparece como elaboração degradada do comecimento.

116. A questão do seer, tal como reformulada pela pensamento da história do seer, difere radicalmente da tradicional questão ontológica e metafísica, ainda que reutilize esses títulos escolares, o que obscurece a intenção mais própria de fundar o Da-sein como fundamento historial da clareira do seer.

  • Na conferência “O que é metafísica?”, o que continua sendo chamado de “metafísica” já não pertence de fato à metafísica tradicionalmente entendida.
  • É impróprio falar de “metafísica do Da-sein” ou de “ontologia” e “transcendência” no sentido tradicional, pois esses títulos designam algo inteiramente outro, justamente aquilo que neles se encontra superado.
  • A “ontologia fundamental” é um expediente indicativo que exige uma interpretação a contrapelo, sob risco de tudo se confundir caso se permaneça preso ao quadro esclerosado do pensamento metafísico.

117. A metafísica questiona o ente enquanto ente (ὄν ᾗ ὄν) sem jamais questionar o próprio ᾗ, cuja explicitação como νοῦς ou razão marca o ponto de báscula em que a pensamento transitória deve reconhecer o pertencimento desse desdobramento ao próprio seer, dissolvendo assim toda subjetividade e toda determinação do homem como animal rationale.

118. O ὄν ᾗ ὄν é visado em sua pura entrada em presença sob perspectiva teorética que conduz à άρχή e à αἴτια, sendo dessa orientação inicial pela φύσις que surge tanto a ἰδέα quanto a αἴτια como explicação ôntica, retomada por Aristóteles ao ligar essencialmente a φύσις τις à investigação da primeira filosofia.

119. A θεωρία determina-se a partir da ποίησις e da πρᾶξις ao visar antecipadamente a άρχή e o ὄν enquanto οὐσία, constituindo uma produção que deixa o ente entrar em presença a partir de si mesmo, sem contudo constituir-se como gênero de fazer ou de agir, culminando na θεολογικὴ ἐπιστήμη como forma mais alta de relação ao ente.

120. A conexão entre a determinação do ὄν ᾗ ὄν como κοινόν e a θεολογικὴ ἐπιστήμη recebe, na tradição cristã, separação disciplinar ausente entre os gregos, resultando num ombreamento do seer pelo ente cuja causa reside no fato de a verdade do seer ter sido deixada infundada, sendo o “a priori” a forma mais nítida desse caráter de apêndice.

121. A metafísica apreende o seer ora como enticidade ou ἰδέα, esvaziada e completada pelo ente, ora referida retroativamente ao homem como sujeito, oscilando permanentemente entre essas duas possibilidades sem jamais evitar que o ente, marcado pela estabilização na constância, se torne hegemônico e instale a enticidade como fabricação.

122. A metafísica pensa o seer como enticidade e presença constante, reduzindo-o posteriormente à objetividade e privando-o de clareira, de modo que ele se torna o conceito mais vazio e o simples ruído vocal aniquilado pelo ente considerado como o único eficaz, ao passo que o ente é apreendido sempre a partir de um antecedente que o explica e o disponibiliza.

123. A infinitude e a eternidade fornecem a medida metafísica que torna o “finito” essencial, mas a ênfase historial na “finitude” significa antes o salto na verdade do seer, na qual a essência do seer se esclarece a partir de seu fundamento abissal, não devendo o seer ser confundido nem com um ente nem com algo “nulo” no sentido criatural.

124. O princípio de contradição pensa uma impossibilidade da própria enticidade do ente, cuja validade não é subjetiva, mas decorre do horizonte do νοῦς que compreende o seer como presença e constância, sendo Hegel, ao ampliá-lo correlativamente à Ideia absoluta, a confirmação suprema desse princípio como fundamento da metafísica.

125. A história da metafísica constitui, ela mesma, a história da história do seer, exigindo, para ser compreendida, libertar-se do projeto historiográfico hegeliano que a interpreta retrospectivamente a partir de seu próprio acabamento, fixando assim na consciência histórica a soberania da jointura entre ser e pensamento.

126. Aristóteles ocupa posição dupla na história da metafísica, sendo ao mesmo tempo o acabamento do que antes era estranho — a φύσις como ἐντελέχεια — e o começo do que depois se tornará banalidade, sendo apenas na pensamento da história do seer que as posições metafísicas fundamentais podem ser experimentadas em sua dimensão historial.

127. A posição metafísica fundamental de Leibniz revela-se notavelmente na repraesentatio, que constitui o sujeito enquanto monas ao apresentá-lo e colocá-lo diante de si, preparando, através da rationalidade incondicionada, o fundamento sobre o qual repousam Kant, o idealismo alemão e Nietzsche.

  • A essência da monas deve ser compreendida a partir do recolhimento na entrada em presença e da estabilização na constância, ambos irradiados pela repraesentatio.
  • O saber das verdades necessárias (identitates) funda os atos reflexivos da monade humana, configurando um círculo que Leibniz jamais reconheceu nem fundou por não interrogar a verdade do seer.
  • A metafísica leibniziana permanece infundada por não se arriscar no abismo sem-fundo da verdade do seer, seja qual for a leitura adotada quanto ao primado do homem na ordem da doação do ente.

128. A demonstração crítica kantiana da impossibilidade da metafísica especulativa consolida plenamente, no sentido platônico inicial, a metafísica como jointura do ente em totalidade, legando ao idealismo alemão a inconjuncionalidade da conjunção entre conhecimento especulativo absoluto e efetividade absoluta.

129. O derradeiro sobressalto da metafísica corresponde à história da hegemonia incondicionada da fabricação, pressentida por Nietzsche sem que sua pensamento possa compreender-se como acabamento da metafísica, não podendo esse sobressalto ser superado por negação direta, mas apenas mediatamente, deixando a metafísica alcançar seu próprio acabamento através do outro comecimento.

130. O renascimento erudito da “ontologia” na época do esquecimento incondicionado do seer difunde apenas a aparência da questão do seer tal como pensada pela história do seer, cumprindo a função historial de afastar essa questão do alcance da metafísica, do mesmo modo que as “visões de mundo” reforçam, por via oposta, o soterramento dessa mesma questão.

131. A “visão de mundo” constitui um surgimento degenerado da metafísica, possível apenas em sua fase de acabamento, caracterizando-se pelo primado do ente, pela fixação de fins e ideais, pela organização calculada de meios e por uma relação anistorial com a história, ainda que se apresente como profundamente pessoal e individual.

  • As visões de mundo movem-se no ajuntamento próprio da metafísica ao relacionarem-se a Ideias convertidas em valores e ao exigirem tomadas de posição da existência subjetiva.
  • As visões de mundo apropriam-se de conceitos e princípios metafísicos sem saber de sua origem ou de seus limites, encontrando seus critérios naquilo que “a vida ensina”, o que explica sua inclinação biologizante.

132. A “mística” constitui sempre um limite que a própria metafísica estabelece para si ou contra si, sendo equivocadamente projetada como período anterior ao pensamento grego, e servindo, junto à computação fabricante do ente, para obstruir a transição do primeiro comecimento metafísico ao outro comecimento.

133. A transição do primeiro ao outro comecimento não pode ser realizada senão por meio de um salto abrupto, sem mediação nem continuidade de progresso, opondo-se irreconciliavelmente o acabamento da metafísica, enquanto interpretação da essência como valor, à pensamento que pensa a verdade do seer como acontecimento apropriador (Ereignis).

134. A interpretação historial das diferenças entre seer e ente, entre quid est e quod est, entre a pluralidade das άρχαί e entre ὄντως ὄν e μὴ ὄν demonstra que o pensamento do seer como enticidade não constitui comecimento nem representação natural, mas resulta da recusa originária de fundar a verdade do seer, recusa que fez amadurecer a hegemonia da fabricação característica da modernidade e que já anuncia, sem sabê-lo, o outro comecimento.

135. Os passos do caminho percorrido articulam-se progressivamente desde a questão do juízo, validade e verdade até a ontologia fundamental de seer e Tempo, passando pela compreensão do seer como pro-jeto lançado, pela determinação da enticidade como constância e entrada em presença ligada ao tempo, e culminando na mutação do seer pensado através da verdade, sendo cada passo não um mero avanço, mas sempre um passo outro rumo ao salto da transição.

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