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CLAREIRA
ZAMBRANO, María. Claros del bosque. 4. ed ed. Barcelona: Seix Barral, 1993.
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O claro do bosque apresenta-se como um centro ao qual nem sempre se pode entrar, oferecendo-se como reino habitado por uma alma que o guarda e cuja lição imediata consiste em não buscá-lo nem buscar nada determinado nele, sob pena de desviar-se por analogias como a do templo.
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A entrada não depende de decisão voluntária.
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O pássaro orienta pelo chamado da voz.
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O lugar surge como instante único e irrepetível.
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Nada prefigurado deve ser procurado.
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O claro assemelha-se a um templo não construído pela ação humana, mas aberto por uma presença que excede o esforço do homem, de modo que qualquer intervenção deliberada o transforma em praça e não em templo.
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O humano esforço deve apagar-se.
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As imagens divinas parecem impressões do próprio ser divino.
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O templo verdadeiro apaga o traço do construtor.
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O claro responde com nada e vazio à busca intencional, exigindo suspensão da pergunta e aceitação do negativo do êxtase para que a oferenda imprevisível se manifeste sem ser devorada pela nada.
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A pergunta insistente faz desaparecer a presença.
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O êxtase provoca temor e fuga.
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A referência a Dante e Beatriz exemplifica a retirada ante a revelação.
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A intrusão impede a dádiva.
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No claro escondido e acessível surge o tremor do espelho, onde a plenitude apenas se anuncia como visão oblíqua e descontínua, na curvatura conjunta de luz e tempo que testemunha a redondeza fragmentada do universo.
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A luz manifesta-se como reflexo curvo.
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O tremor é irisamento da luz.
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A descida da luz não violenta o último refúgio.
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O arco-íris nasce entre sombra e espessura.
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O jogo da luz e do ar sustenta os cores até seu desvanecimento, revelando um céu descontínuo que é também um claro.
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O céu move-se imperceptivelmente.
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O desvanecer não elimina a presença.
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Os cores sombrios tornam-se lugares privilegiados da luz recolhida que se manifesta junto ao fogo na rama dourada oferecida à divindade ausente, convocando o amigo do bosque a mover-se de claro em claro até o horizonte.
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A divindade partiu ou ainda não chegou.
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O movimento é circular e expansivo.
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Nenhum centro desdiz o anterior.
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Na lejanía surge figura quase corpórea que não é signo, sugerindo reino onde significante e significado coincidem e onde luz e tempo não se refletem nem se curvam.
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Nada funciona como signo.
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Amor e natureza não se separam.
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Vida e tempo não transcorrem com derrota.
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A visão distante do centro promete não apenas nova imagem, mas meio de visibilidade onde pensamento e sentir se identifiquem sem anulação recíproca.
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A imagem torna-se real.
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Não há perda mútua entre pensar e sentir.
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A busca conduzida como método orienta-se por essa nova visibilidade que unifica conhecimento e vida.
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O percurso assemelha-se a método de pensamento.
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O ímã é lugar de conhecimento vital.
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Todo método surge como um Incipit vita nova marcado por alegria inaugural, mas o que se apresenta manifesta-se na descontinuidade, deixando vestígios fragmentários de ordem remota acessível apenas na passividade do entendimento.
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A clarté cartesiana ecoa como alleluia.
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O fragmento conserva órbita invisível.
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O conhecimento passivo implica padecimento contínuo.
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O método pretende continuidade enquanto a consciência é descontínua, produzindo disparidade entre viver consciente e procedimento metodológico.
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Método pertence à consciência.
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A vida não coincide com sua regularidade.
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O método nasce de instante de lucidez que vivifica a consciência e, quando reduzido ao conhecimento objetivo, torna-se instrumento lógico insuficiente para abarcar a totalidade da vida.
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A lógica não acompanha continuamente o viver.
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O ser desamparado ameaça rebelião ou inércia.
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Somente um método que se faça cargo da vida inteira, inclusive das zonas avassaladas ou nascente, poderia responder a essa condição, embora não possa reivindicar continuidade e arrisque perder-se nas profundidades ou na claridade superior.
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Deve abranger todas as zonas da vida.
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Não pode manter pretensão linear.
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Pergunta-se como sustentar-se na claridade.
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O Incipit vita nova significa alegria de um ser oculto que encontra meio adequado para viver, exemplificado por Descartes, Santo Agostinho e Dante, como repercussão descontínua de um único instante que desperta centro do ser.
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O centro pode ser da mente ou do ser inteiro.
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O amor decide quando entra em jogo.
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Ronda o risco de ser tomado por mística ou poesia.
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O percurso pelos claros do bosque assemelha-se ao trânsito pelas aulas, onde a palavra ouvida manifesta destino e a descontinuidade do saber espelha a própria descontinuidade do viver e do tempo.
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A voz é mais imediata que a escrita.
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A atenção decai e abre claros.
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O tempo transcorre em saltos.
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O silêncio permanece.
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O claro não conduz à pergunta clássica pelo ser, mas suscita clamor que brota da ferida aberta pela passagem invisível, pois a esses lugares não se vai para perguntar.
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A pergunta é substituída por clamor.
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A invisibilidade desperta busca não interrogativa.
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Aquele que abandona as aulas pode acabar percorrendo claros em busca do mestre invisível que se oculta na claridade, podendo descobrir em hondonada secreta o lugar onde se recolhe o amor ferido.
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O mestre é único e se esconde.
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A busca conduz a segredo.
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O amor permanece sempre ferido.
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