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estudos:sheehan:ex-sistencia

EX-SISTÊNCIA (2015, 135-136)

SHEEHAN, Thomas. Making Sense of Heidegger: A Paradigm Shift. Lanham: Rowman & Littlefield, 2015

(…) O termo de Heidegger para qualquer instância concreta e pessoal de abertura hermenêutica é Dasein, ao passo que a sua palavra exata para a “essência” ou estrutura ontológica de qualquer ex-sistência concreta e pessoal é Existenz ou Da-sein (normalmente com hífen, mas Heidegger nem sempre é coerente). Traduzo ambos os termos igualmente como ex-sistência (ex-sistence) (o contexto diz se se trata de Dasein ou Da-Sein/Existenz), intencionalmente mal escrito e hifenizado de modo a chamar a atenção para a etimologia da palavra: ex + sistere: “ser feito para estar à frente (de si próprio) e para além (do que quer que se encontre)” – isto é, estar “aberto”. Aquilo em que se está à frente e para além é o sentido como tal e, como base para isso, a clareira. Notamos que o verbo sistere não significa “estar de pé” (pelo seu próprio poder, por assim dizer), mas “ser feito estar de pé”, o que, no caso presente, chama a atenção para a inexorável abertura-lançada tanto de uma ex-sistência como estrutura ontológica quanto de uma ex-sistência como própria vida pessoal.


  • A terminologia distingue Dasein como cada instância concreta e pessoal de abertura hermenêutica e Existenz ou Da-sein como a essência ou estrutura ontológica dessa ex-sistência, sendo ambos vertidos como ex-sistência para salientar a etimologia ex + sistere — “ser feito estar adiante e além” — que indica o estar aberto para a significatividade enquanto tal e, como seu fundamento, para a clareira, sublinhando ainda que sistere significa “ser posto de pé” e não simplesmente “estar de pé”, o que evidencia a condição inexorável de abertura-lançada tanto da estrutura ontológica quanto da vida pessoal.
    • Dasein designa a ocorrência concreta e pessoal da abertura.
    • Existenz ou Da-sein nomeia a estrutura ontológica dessa condição.
    • A ex-sistência implica estar adiante de si e além do que se encontra.
    • A abertura dirige-se à significatividade e à clareira.
    • A noção de “ser feito estar” ressalta a dimensão de lançamento.
  • A distinção entre ex-sistência pessoal e ex-sistência estrutural é decisiva porque a primeira se refere ao viver adiante em possibilidades concretas, enquanto a segunda indica a essência como possibilidade, de modo que ser Dasein significa já ter excedido estruturalmente a si mesmo como atualidade, configurando o ser humano como ἐπέκεινα, um excesso, o que conduz à afirmação de que a possibilidade está acima da atualidade e à inversão da tradição metafísica clássica representada por Aristóteles, Agostinho e Tomás de Aquino, segundo a qual o movimento humano visa a plena atualização à imagem de Deus como ato puro, modelo também presente em Platão com ἔρως, em Aristóteles com κινεῖ ὡς ἐρώμενον, em Gregório de Nissa com ἐπέκτασις, em Agostinho com donec requiescat in te e em Hegel com o desenvolvimento e realização do Espírito.
    • A ex-sistência pessoal envolve possibilidades concretas vividas.
    • A ex-sistência estrutural define a essência como possibilidade.
    • O ser humano é caracterizado como excesso, não como mera atualização.
    • A primazia da possibilidade inverte a hierarquia clássica entre ato e potência.
    • A máxima μηδὲν ἄγαν cede lugar a πὰν ἄγαν como princípio do ser humano.
    • A tradição que privilegia a atualização culmina na ideia de realização plena do Espírito em Hegel.
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