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Viver encarnado: sensações (1993)

RICHIR, Marc. Le corps: essai sur l’intériorité. Paris: Hatier, 1993.

  • Sobre as sensações:
    • Mesmo a sensação, facilmente redutível a um sinal físico, porta em seu caráter efêmero um excesso: a tendência do corpo a se esvanecer nas coisas.
    • Isto é manifesto na visão, no tato, na audição, no olfato e no gosto, cada qual com seu ritmo próprio.
    • Não se deve confundir o caráter efêmero das sensações (como fizeram empiristas/sensualistas) com a corruptibilidade do corpo.
    • Há nelas algo que, embora fortemente inscrito no tempo, escapa ao tempo, como mostra sua singularidade capaz de reaparecer na reminiscência (Proust, “Em Busca do Tempo Perdido”).
    • A dissociação das sensações em cinco sentidos é algo abstrato/analítico.
    • É preciso conceber que não há sensação que não seja um complexo de sensações, algo que Aristote (no “Tratado da Alma”) propôs pensar com o conceito de “senso comum”.
    • É melhor falar do “mundo sensível” como algo que se mantém em si mesmo em sua coesão, com um “excesso do sensível no próprio sensível”.
  • É em relação a este excesso que nosso corpo parece situado:
    • Através das sensações de seus próprios movimentos (cinestesias) e das sensações globais (cenestesias), também ligadas em complexos.
    • Nesta situação, longe de se esvanecer totalmente na auto-transparência, o corpo porta em si este excesso sobre si mesmo que, classicamente, é atribuído ao “vivido” ou ao “psíquico”.
    • O corpo não é apenas um instrumento mais ou menos adaptado, perecível; ele é também uma espécie de estátua ou estatura interior infinita e móvel, que o tira, apesar de seu ser-gerado, para o lado da incorruptibilidade.
    • Ele desafia seus limites factuais do aqui e agora: não apenas nas lembranças, mas também na antecipação (ansiedade, medo, desejo).
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