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CARÁTER PROCESSUAL DA AÇÃO (CH:§32)

ARENDT, H. The human condition. 2nd ed ed. Chicago: University of Chicago Press, 1998.

* A instrumentalização da ação e a degradação da política em meio para outros fins não eliminaram a ação nem destruíram o domínio dos assuntos humanos, mas produziram, analogamente à transformação do trabalho e da obra no mundo moderno, a canalização da capacidade humana de iniciar processos novos para uma atitude ativa em relação à natureza, culminando em intervenções como as evocadas por Wernher von Braun ao definir pesquisa básica como fazer o que não se sabe que se está fazendo.

  • A eliminação aparente do trabalho levou à execução da obra como trabalho e ao consumo de objetos de uso como bens de consumo
  • A tentativa de tratar a ação como fabricação buscou superar sua incerteza e fragilidade
  • A capacidade de iniciar processos espontâneos foi deslocada para a exploração ativa da natureza
  • A ação passou a ocorrer no sentido literal dentro do domínio natural

* O desenvolvimento dessa atitude iniciou-se com o experimento, pelo qual os homens deixaram de apenas observar e contemplar a natureza para prescrever condições e provocar processos naturais, evoluindo para a arte de “fabricar” a natureza mediante criação de processos que não ocorreriam sem intervenção humana e culminando na capacidade de repetir na Terra processos que ocorrem no Sol, extraindo energias antes restritas ao universo.

  • O experimento substituiu a contemplação pela prescrição de condições
  • Processos elementares adormecidos foram deflagrados pela interferência humana
  • Criaram-se processos “naturais” inexistentes na natureza terrestre autônoma
  • A repetição de processos solares exemplifica a imposição de padrões humanos à natureza

* A transformação das ciências naturais em ciências de processos, inclusive de processos potencialmente irreversíveis, revela que a faculdade subjacente a tais desencadeamentos não é teórica ou contemplativa, mas a aptidão humana para agir e iniciar processos inéditos de resultado incerto, tanto no domínio humano quanto no natural.

  • As ciências passaram a tratar de processos em vez de substâncias estáticas
  • Processos sem retorno indicam irreversibilidade e irremediabilidade
  • A força cerebral não basta para explicar o desencadeamento desses processos
  • A ação constitui a capacidade de iniciar o novo e imprevisível

* O aspecto da ação que desencadeia processos imprevisíveis tornou-se decisivo na era moderna, marcando seu alargamento das capacidades humanas e sua nova consciência da história, sendo o conceito de processo o núcleo tanto da ciência natural quanto da ciência histórica desde Vico, pois natureza e história só podem ser concebidas como sistemas de processos porque o homem é capaz de agir e iniciar processos próprios.

  • A incerteza substitui a fragilidade como traço central dos assuntos humanos
  • A Antiguidade carecia de conceito adequado de história
  • Vico apresentou a história como “ciência nova”
  • As ciências naturais adotaram vocabulário semelhante ao das ciências históricas
  • A experiência fundamental que sustenta o conceito de processo é a ação
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