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DAMÁSCIO
AGAMBEN, Giorgio. Ideia da prosa. Tr. João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012, p. 21-26
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No ano 529 da nossa era, o imperador Justiniano, instigado por fanáticos conselheiros do partido anti-helênico, decretou o encerramento da escola filosófica de Atenas, fazendo de Damáscio, filósofo neoplatônico nascido em Damasco cerca do ano 470, o último diádoco da filosofia pagã, após tentativa frustrada de evitar o acontecimento por meio de funcionários da corte, recebendo apenas o salário de superintendente de uma biblioteca de província como compensação pela confiscação dos bens e rendimentos da escola, e levando-o, com seis colaboradores, a buscar refúgio na corte de Khosrô Anocharvan, onde os “bárbaros” salvaram a puríssima tradição helênica que os gregos, ou “romanos”, já não eram dignos de guardar
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édito imperial e partido anti-helênico
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Damáscio como escolarca e último diádoco
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confiscação dos bens e exílio na Pérsia
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tradição helênica preservada fora do mundo grego
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Já idoso, em Ctesifonte, o diádoco afastou-se das histórias maravilhosas e das aparições de espíritos, confiou a Prisciano e Simplício a tarefa de satisfazer a curiosidade filosófica do soberano com comentários e edições críticas, e recolheu-se com um escriba grego e uma criada síria para consagrar os últimos anos à redação de Aporias e soluções em torno dos princípios primeiros
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abandono das ocupações juvenis
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delegação a Prisciano e Simplício
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isolamento na parte norte da cidade
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decisão de escrever sobre os princípios primeiros
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A interrogação sobre a Coisa primeira, evocando Platão e a carta considerada importante até pelos cristãos, impõe-se como causa de todos os males e dor semelhante à do parto da alma, exigindo formulação rigorosa do problema do princípio único e supremo do Todo, da relação entre princípio e Todo, e da impossibilidade de admitir algo fora do Todo absoluto sem comprometer sua inteireza
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referência a Platão e à carta
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sofrimento como condição para encontrar a verdade
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alternativa entre princípio além do Todo ou parte do Todo
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tensão entre princípio, Todo e Todo absoluto
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Durante trezentos dias e noites de exílio em Ctesifonte, Damáscio alternou trabalho e crises diante da vanidade da empresa, reconhecendo a impossibilidade de tematizar o incompreensível ou dizer o incognoscível, rejeitando a sutileza do discípulo de Siriano e mestre Marino que propunha o acento agudo sobre ἕν, e concebendo finalmente a imagem do lugar totalmente vazio, superfície lisa como a eira de pedra branca às portas de Damasco, onde pensamento e linguagem separam grão e palha do ser
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consciência de não chegar a conclusões
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impossibilidade de compreender o princípio do pensamento
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crítica ao recurso ao spiritus asper
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imagem do lugar do lugar e memória da eira
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A palavra ἅλως, unindo eira e superfície da Lua ou do Sol, oferece expressão para o absolutamente inefável que não pode sequer ser afirmado como inefável, para o Uno que se furta a nome, discurso e distinção entre cognoscível e cognoscente, concebido como halo plano e liso, coisa mais simples englobante, Todo-Uno e Uno antes de Tudo
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ligação entre eira e linguagem astronômica
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recusa de qualquer composição de nome e discurso
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Uno como Todo-Uno
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Diante da tabuinha sobre a qual nada está escrito, evocando a comparação do livro sobre a alma entre intelecto em potência e tabuinha vazia, impõe-se a compreensão de que o limite último não é ser, lugar ou coisa, mas potência absoluta da representação, de modo que o Uno antes pensado como absolutamente Outro revela-se matéria e potência do pensamento, e o volume escrito torna-se tentativa de representar a tábua rasa onde nunca se escreveu nada, conduzindo à percepção de que conhecer a incognoscibilidade do outro é conhecer algo de si e permitindo vislumbrar um início a partir do que nunca poderá ser primeiro
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intelecto em potência como tabuinha
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Uno como potência do pensamento
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escrita como imagem do não escrito
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máxima sobre incognoscibilidade e conhecimento de si
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