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obra:ga56-57:7

§7

Zur Bestimmung der Philosophie. 1. Die Idee der Philosophie und das Weltanschauungsproblem (post war semester 1919); 2. Phänomenologie und transzendentale Wertphilosophie (SS 1919); 3. Anhang: Über das Wesen der Universität und akademischen Studiums (SS 1919) [1987]

§ 7. O problema axiomático fundamental

No fundamento de todo conhecer repousam conceitos, princípios fundamentais e axiomas últimos, tanto nas ciências indutivas quanto nas dedutivas, sendo apenas em virtude desses axiomas, enquanto leis normativas, que algo pode ser demonstrado a partir dos fatos e que as ciências se tornam ciências, de modo que estes conferem o impulso originário (Ur-sprung) ao conhecimento e a ciência que os toma por objeto é a ciência originária, a filosofia, cujo problema consiste precisamente na validade dos axiomas.

  • Limitando-se por ora aos axiomas teóricos (lógicos), com exclusão provisória dos éticos e estéticos, tais axiomas configuram-se como normas, leis, princípios, isto é, ligações de representações cuja validade precisa ser demonstrada.
  • Surge aqui de novo a dificuldade própria à ideia de ciência originária, pois os axiomas não podem ser deduzidos de princípios mais gerais, sendo eles mesmos os primeiros princípios, nem derivados indiretamente dos fatos, já que são pressupostos na própria apreensão de um fato como fato e no percurso metódico da indução.

O reaparecimento dessa dificuldade, característica da tarefa de fundação da origem e do começo, indica que já se opera no âmbito da ciência originária, tendo sido a psicologia o ponto de mediação, sem se perceber, das ciências particulares até essa esfera, precisamente porque o caráter comum de toda conhecimento enquanto processo psíquico conduziu a ela como ciência natural do psíquico, paralela à física.

  • O passo rumo a uma nova legalidade no psíquico já introduziu no domínio da ciência originária, isto é, em seu índice, a circularidade de sua fundação, revelando essa outra legalidade como indício de um problema autenticamente científico-originário, isto é, filosófico.
  • Permanecem, contudo, inteiramente não esclarecidos os conceitos de psíquico, lei e norma, nada explicando, nesse estado bruto do material conceitual, como o psíquico pode submeter-se a dupla legalidade — a das ciências da natureza e outra distinta — nem como, regido por leis naturais, permanece acessível a um tipo diverso de normatividade.

Com a introdução dessa nova legalidade na esfera psíquica, os conhecimentos, enquanto fenômenos psíquicos, passam a ser considerados verdadeiros na medida em que possuem validade, isolando-se entre eles uma classe privilegiada — os conhecimentos verdadeiros — cujo valor particular só se torna compreensível na medida em que a verdade é, em si mesma, validade e, como tal, algo dotado de valor.

  • A filosofia ocupa-se da validade dessas ligações de representações que, indemonstráveis em si mesmas, fundam com evidência imediata toda demonstração, o que reabre a questão de como essa evidência imediata dos axiomas deve ser demonstrada e por qual método.
  • Ainda que formulada de modo impreciso, essa posição do problema já assume forma mais concreta que as tentativas anteriores, tornando visível que a problemática dos princípios últimos e axiomas pressupostos por toda ciência particular é singular e jamais poderá ser objeto de uma ciência particular.
  • As ciências particulares distribuem-se segundo a multiplicidade e especificidade dos conhecimentos, enquanto a filosofia tem por objeto a unidade destes, isto é, seu sentido unitário enquanto conhecimento, de modo que, mesmo aperfeiçoadas e unificadas ao extremo, as ciências particulares jamais deixariam de pressupor a questão do sentido do conhecimento em geral e da validade dos axiomas nelas aplicados.

Permanece, por fim, em aberto como a filosofia deve demonstrar a validade desses axiomas, segundo qual método, uma vez que estes representam um novo tipo de leis no âmbito do psíquico, impondo-se antes de tudo a tarefa de descrever o psíquico e as legalidades nele contidas.

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