estudos:werner-marx:sentido-eternidade-da-ousia
SENTIDO DE ETERNIDADE DA OUSIA
MARX, Werner. Heidegger and the tradition. Theodore Kisiel. Evanston: Northwestern Univ. Pr, 1971.
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A filosofia aristotélica reconhece a perecibilidade dos entes no reino sublunar mas orienta-se fundamentalmente pela experiência visual da ordem estruturada e do movimento rítmico do cosmos.
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Experiência básica do nascer e perecer (genesis kai phthora).
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Visão do ouranos como imagem de ordem e limite.
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Movimento regular dos planetas e revolução periódica.
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A concepção da realidade como uma síntese entre ser e devir permite a Aristóteles resgatar o ente perecível para a realidade eterna ao identificar nele uma essência imutável que não está sujeita à geração.
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Rejeição da visão platônica do ente perecível como não-ser.
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Imutabilidade da forma ou ousia (ex: casa, saúde).
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O artista produz a figura, não a forma em si.
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A superação do dualismo platônico ocorre através da ideia decisiva de que a essência eterna está presente apenas no ente concreto perecível ou synholon, levantando a questão sobre o significado desta eternidade situada.
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Permanência da essência homem através das gerações.
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Ousia presente apenas no composto perecível.
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Necessidade de definir a eternidade no reino do movimento.
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A discussão sobre a essência do tempo na Física determina a eternidade dos entes aei onta negativamente como aquilo que não é englobado nem medido pelo tempo.
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Distinção entre entes no tempo e entes fora do tempo.
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Caráter de não ser periechetai (englobado).
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Determinação a partir do ponto de vista da mensuração temporal.
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A compreensão dos entes no tempo como sujeitos ao poder destrutivo do tempo domina o pensamento ocidental até a inversão proposta por Heidegger, que concebe o tempo como o poder do ser.
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Tempo como causa de envelhecimento e esquecimento.
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Isenção da ousia em relação a esse poder destrutivo.
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Heidegger e a alteração radical do sentido de ser e tempo.
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A definição aristotélica do tempo como número do movimento segundo o antes e o depois estabelece uma concepção quantitativa baseada na observação da rotação celeste contínua e divisível.
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Tempo como arithmos ou quantidade contada.
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Requisito de movimento ordenado e ilimitado (apeiron).
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Referência primária à periphora ou rotação celeste.
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A dependência do tempo em relação ao espaço e à magnitude na visão clássica contrasta com a tentativa heideggeriana de fundar o espaço e a medida na temporalidade originária e qualitativa.
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Experiência do tempo através da sucessão de pontos no espaço.
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Crítica heideggeriana ao tempo vulgar ou quantitativo.
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Tempo originário como condição de possibilidade do Dasein.
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O entendimento do tempo como quantum mensurável implica uma indiferença total em relação ao conteúdo dos eventos, derivada da estrutura do ponto-agora que é sempre o mesmo e sempre outro.
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Tempo como receptáculo indiferente na tradição até Hegel.
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Caráter do agora como repetição idêntica e sucessão distinta.
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Conceito de fluxo do tempo baseado na indiferença.
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O projeto de Heidegger visa superar a indiferença temporal e a primazia do presente deslocando o foco para o futuro e para a conexão intrínseca com o ter-sido.
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Crítica ao agora como limite (peras) entre passado e futuro.
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Presente autêntico do momento versus presente derivado.
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Futuro não como o ainda-não-agora.
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A abordagem de Ser e Tempo acessa a essência originária do tempo a partir do Dasein, mantendo-se em certa medida na tradição aristotélica que exigia a alma para a distinção e medição dos pontos temporais.
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Papel do nous em distinguir os pontos do movimento.
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Medição como condição de possibilidade do tempo aristotélico.
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Contraste com o modo autêntico de realização humana.
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A determinação negativa da eternidade como atemporalidade foi adaptada pela teologia cristã para expressar a onipresença de Deus como um agora permanente e criador, algo ausente no pensamento grego.
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Ausência de ansiedade sobre a criação ex nihilo na Grécia.
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Conceito de nunc stans ou presente eterno.
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Diferença entre a ordem incriada e o Deus criador.
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A ontologia aristotélica deixa em aberto a questão sobre como a eternidade da essência se temporaliza concretamente dentro do ente perecível, exigindo um tipo de tempo que transcende as categorias clássicas.
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Falta de explicação sobre a síntese entre o atemporal e o temporal no synholon.
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Necessidade de buscar um tipo de tempo além das determinações da Física.
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Proximidade com o problema central de Heidegger.
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A análise da produção técnica e da geração natural revela que a ousia se manifesta através dos modos de chegar, durar e retornar-perdurar enquanto o indivíduo perece.
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Presença das quatro causas na produção do technei on.
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Retorno da essência homem através da cadeia de nascimentos.
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Permanência da ousia versus transitoriedade do indivíduo.
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O fenômeno do auto-apresentar-se da essência sugere um significado temporal de presença que constitui o chegar e durar, diferindo fundamentalmente da estrutura do agora pontual aristotélico.
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Arrivar, durar e retornar como modos de presença temporal.
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Diferença em relação à eternidade extratemporal.
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Insuficiência da determinação aristotélica do tempo para essa presença.
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Heidegger interpreta a primeira ousia temporalmente como presença, focando na temporality da compreensão ou no auto-temporalizar-se da physis sem recorrer às dimensões de tempo vulgares.
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Deslocamento da questão da eternidade do synholon para a compreensão.
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Determinação temporal da presença fora das categorias de número.
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Interpretação da physis como hypokeimenon que se apresenta.
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