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RAZÃO E MUNDO DA VIDA (III)
MARX, Werner. Reason and World: Between Tradition and Another Beginning. Dordrecht: Springer Netherlands, 1971.
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A fenomenologia é concebida como atividade extramundana realizada em absoluto distanciamento do mundo, tornando-se assim consumação da filosofia tradicional fundada na razão e no espírito e culminando numa ciência transcendental universal mediante a realização completa da epoche, pela qual o fenomenólogo assume a posição de espectador desinteressado e investiga, a partir da subjetividade transcendental, a produtividade constitutiva que confere validade e sentido ao mundo.
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Meditação reflexiva que explicita o ideal de ciência universal.
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Epoche como reversão radical da atitude natural.
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Fenomenólogo como espectador não envolvido.
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Subjetividade transcendental como dimensão extramundana.
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Investigação do modo de aparecimento dos objetos.
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Produtividade universal que constitui horizontes e validade.
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Redução fenomenológica como desvelamento genético noético-noemático.
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A possibilidade de executar a epoche repousa na convicção herdada da filosofia da razão segundo a qual o ser humano pode, por decisão voluntária, suspender o assentimento às crenças cotidianas e realizar uma transformação total de atitude, superando a dubitatio cartesiana mediante uma radicalização crítica que amplia a atenção ao ego, ao cogito, ao cogitatum e à intencionalidade constitutiva.
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Suspensão do assentimento às crenças naturais.
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Referência à cohibere assensionem e ao dubitare de Descartes.
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Superação de preconceitos cartesianos.
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Direcionamento ao ego, cogito e cogitatum.
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Unidade da intencionalidade operante doadora de sentido.
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O caráter da fenomenologia como filosofia da razão e do espírito manifesta-se tanto no distanciamento da vida situada quanto no motivo ético que a anima, derivado da ideia de ciência fundada absolutamente e de crítica radical do conhecimento, exigindo responsabilidade universal pela verdade e compromisso do sujeito individual como funcionário da humanidade.
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Filosofia como ciência rigorosa e universal.
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Crítica do conhecimento até a última justificação.
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Exigência de prestar contas de todas as teses.
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Vida filosófica como responsabilidade absoluta.
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Responsabilidade pela verdade plena.
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Sujeito como funcionário da humanidade.
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O motivo transcendental que move o fenomenólogo testemunha a origem ética do filosofar de Husserl, no qual a razão cognitiva é função da razão prática e o intelecto serve à vontade, sem que a razão prática seja fundamentada em princípio externo ao método fenomenológico.
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Interesse não natural transcendental.
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Vinculação à tradição da razão prática.
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Intelecto como servidor da vontade.
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Recusa de fundamentar a razão prática em princípio heterogêneo.
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A fenomenologia constitui, portanto, consumação da filosofia racional do espírito tanto no plano teórico quanto no prático, razão pela qual se vê compelida a libertar-se radicalmente do mundo-da-vida dominado por situações e fins por meio da epoche e da redução transcendental.
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Universalidade teórica da filosofia transcendental.
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Motivo ético prático determinante.
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Mundo-da-vida como esfera dominada por interesses.
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Epoche e redução como libertação radical.
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