estudos:schurmann:evenement-temporalisant-1996

ACONTECIMENTO TEMPORALIZANTE (1996:186-188)

SCHÜRMANN, R. Des hégémonies brisées. Mauvezin: Ed. Trans-Europ-Repress, 1996.

De l’un tourné contre lui-même (Plotin)

  • O Uno não é algo nem um ente, pois, conforme Plotino em De l’un (Enéadas VI,9), é “por meio do Uno” que todos os entes são entes, sendo o ente derivado por sua inteligibilidade e, portanto, secundário em relação ao noûs e às ideias.
    • Citação de Plotino: o Uno como condição de todos os entes.
    • Caráter derivado do ente por ser inteligível.
    • Paralelismo entre ente, noûs e ideias.
    • O Uno como mais íntimo e incognoscível.
  • Ao afirmar a incognoscibilidade e o não-ser do Uno, Plotino radicaliza Platão ao sustentar que o inteligível implica multiplicidade e alteridade, razão pela qual nada múltiplo pode ser primeiro, excluindo qualquer ente do lugar supremo.
    • Concordância com Platão: ser é ser inteligível.
    • Divergência: o inteligível envolve dualidade conhecente/conhecido.
    • Multiplicidade como impedimento de primazia.
    • Exclusão do Uno do conjunto dos entes.
  • O Uno não constitui tese nem ente supremo, mas exerce função de centragem como pura natalidade, enquanto a Inteligência como segunda hipóstase concede a “estância” aos entes, tornando sem sentido a expressão “ente supremo”.
    • Centrar como menos que ser.
    • Inteligência como doadora de “estância”.
    • Direção conferida pelo Uno.
    • Crítica às expressões “ser supremo” e “ente supremo”.
  • A interpretação do Uno como teologia negativa transcendente, mais elevada que o inteligível e fundamento supremo, transforma a henologia em onto-teologia que exalta um ente máximo além do ser, mantendo-o como algo.
    • Leitura tradicional neoplatônica e cristã.
    • Equações conceituais: Uno como atual, espiritual, eterno.
    • Identificação do Uno como causa suprema.
    • Persistência do esquema onto-teológico.
  • Ao distinguir Uno e ser, Plotino rompe a colusão entre função focal e fundamento, recuperando a ambiguidade do particípio on, cuja duplicidade verbal-nominal, segundo Heidegger, encobre a diferença entre ser e ente.
    • Ambiguidade de on como nominal e verbal.
    • Citação de Heidegger sobre a diferença ser/ente.
    • Segunda hipóstase como “estância” nominal.
    • Influência neoplatônica na repetição heideggeriana da questão do ser.
  • Em Plotino, Uno e estância pertencem a estratos separados, exigindo estratégias distintas, pois a onto-teologia não esgota a henologia, que reconhece o círculo vicioso de fundar entes em outro ente e distingue causa entitativa de condição não-entitativa.
    • Chorismos entre hen e ousia.
    • Onto-teologia como penúltima palavra.
    • Crítica ao fundamento representável.
    • Diferença estratégica entre causa e condição.
  • A condição que é o Uno exige repensar o modo de condicionamento, pois, ao afirmar que é “por meio do Uno” que os entes são entes, Plotino desloca a diferença substancial clássica e funda uma henologia negativa na distinção entre Uno e ente.
    • Deslocamento da forma substancial.
    • Uno como condição não-entitativa.
    • Diferença estrutural entre Uno e ente.
    • Henologia negativa: separação do Uno em relação à estância e ao ente.
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