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DASEIN QUE É ORIGINÁRIO (1987)

SCHÜRMANN, Reiner. Heidegger on Being and Acting: from principles to anarchy. Tr. Christine-Marie Gros with the author. Bloomington: Indiana University Press, 1987

Em Ser e Tempo, é de fato o Dasein que é originário. “O local ontológico” dos fenômenos é determinado ali por seu “enraizamento originário” na existência. Por estar sistematicamente ligada ao transcendentalismo da análise existencial, a ontologia fundamental não pode produzir o que Heidegger mais tarde chama de conceito “multivocal” do ser. Uma ontologia fundamental concebida à luz da análise existencial não pode deixar de remontar tudo o que aparece ao homem, para quem isso aparece. A origem é o homem entendido como “aquela entidade para a qual… , em seu ser, o próprio ser está em questão”. E de que maneira o ser está em questão para o homem? “O significado do Dasein é a temporalidade”. O ser está em questão como sempre à frente do projeto que é o homem, sempre diante dele, ainda por vir e a ser compreendido. As êxtases estão enraizadas nesse futuro. “A essência da temporalidade é o processo de temporalização na unidade das êxtases”. Mais precisamente, “o ter sido surge do futuro, e de tal forma que o futuro que foi (ou melhor, que se desdobra como tendo sido) liberta o presente de si mesmo. Esse fenômeno unitário de um futuro que se desdobra como tendo sido e como se tornando presente é o que chamamos de temporalidade.” O ser é a questão para o homem, temporalmente. Nessa questão projetiva e extática, os fenômenos têm sua origem.

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