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"ABANDONO" DA ÉPOCA MODERNA (1995)
SCHÜRMANN, Reiner; CAPUTO, John D. Heidegger y la mística. 1a. ed. ed. Córdoba, Argentina: Ediciones Librería Paideia, 1995.
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La época moderna está abandonada, verlassen, en su esencia misma, no como tesis sino como rasgo constitutivo de la emancipación progresiva de las ciencias y de la técnica que, en la tercera fase anunciada por Augusto Comte, han conquistado su autonomía frente a la religión y la filosofía mediante un pensamiento operatorio y calculador que transforma la teoría en positividad verificable y convierte al hombre en dato estadístico incapaz de encontrarse en su esencia.
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Ciencias establecen leyes positivas a partir de experiencias registrables.
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Pensamiento calculador como modo dominante.
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Verificación experimental según principio kantiano.
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Hombre reducido a dato y factor de cálculo.
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Espíritu vuelto inteligencia que exige rendición integral.
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Modernidad como racionalidad conquistadora planetaria.
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El segundo aspecto de la modernidad consiste en su proyecto de voluntad dominadora, donde la red calculadora de la técnica somete fenómenos y tierra a transformación, la inteligencia se convierte en poder manipulador, la verdad degradada a exactitud se pervierte en das Un-Wahre schlechthin bajo el reinado de la voluntad que promete seguridad sin das Wahre, mientras el ser humano se afirma como sujeto frente al Gegenstand y reconoce como verdad sólo la eficacia.
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Técnica como sumisión a la acción transformadora.
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Inteligencia entendida como poder.
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Verdad reducida a exactitud.
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Seguridad configurada fuera de la verdad.
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Ser experimentado como Gegenstand.
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Sujeto como centro de referencia de lo real.
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Verdad eficaz como único criterio reconocido.
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Uma consideração mais elaborada do aspecto político da existência poderia atenuar o juízo severo sobre a época contemporânea, direção não seguida por Heidegger mas explorada por Eric Weil e Enmanuel Lévinas, permanecendo contudo válida a constatação heideggeriana de que o homem moderno, seja rebelde, hippie, tecnocrata ou francotirador, domina tecnicamente a terra e planeja a história sem poder dizer simplesmente o que é que algo seja.
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Heidegger não desenvolve análise política sistemática.
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Eric Weil e Enmanuel Lévinas avançam nessa direção.
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Incapacidade contemporânea de dizer o sentido do ser.
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Em movimento crítico, Heidegger busca as condições de possibilidade da “noite do mundo” no retiro originário do ser, tão antigo quanto a metafísica e tornado manifesto no seu ocaso, revelado pela transmutação nietzscheana dos valores e pelo nihilismo que expõe o fundamento metafísico como disponibilidade.
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Abandono presente desde o início do Ocidente.
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Transmutação de todos os valores em Nietzsche.
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Fundamento pensado funcionalmente a partir do ente.
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Insegurança como traço antigo do nihilismo.
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Metafísica como exigência de razão última.
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Esse como fundamento do ens.
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Questionamento se tal fundamento é o ser em sua verdade.
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A resposta indireta de Nietzsche segundo a qual o ser não é, entendida como constatação da morte do que fazia ser, conduz Heidegger a ler conjuntamente o colapso do Esse como razão última e a hipertrofia da vontade que só se tem a si mesma como sujeito, interpretando ambos como duas faces de uma mesma reivindicação metafísica e como manifestação do abandono do ser, unsere Verlassenheit vom Sein.
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Esse morto e ente como vontade de querer.
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Unidade entre perda do fundamento e desmesura da vontade.
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Desaparecimento das razões tradicionais.
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Pergunta pelo poder de fundamento das razões.
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Olvido secular do ser.
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Esse não coincide com o ser em sua verdade.
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A primeira acepção de abandono designa o fato de que a filosofia, ao explicar o ente por sua arché e seu télos e ao identificar o ser com a totalidade dos entes ou com Deus, deixou impensada a questão do ser mesmo, de modo que a perda contemporânea não é apenas de fundamentos particulares, mas do próprio ser, das Sein Selbst bleibt aus.
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Ser confundido com ente supremo ou totalidade.
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Ser como impensado da tradição.
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Filosofia do a priori certificando o ente.
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Ser pensado a partir do ente e em vista do ente.
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A época abandonada pelo ser, que se estende por mais de dois milênios e culmina no século tecnológico, revela a queda do impulso autêntico da interrogação do “enquanto que”, mostrando em Heráclito, Platão, Nietzsche e Heidegger as etapas do mesmo destino de Seinsverlassenheit e abrindo a possibilidade de um pensamento do ser em si que transforme o abandono de esquecimento em abandono como gelassen, aproximando-se novamente de Meister Eckhart.
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Século tecnológico como ápice do abandono.
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Interrogação “sem por quê” ao fim do nihilismo.
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Heráclito inaugura, Platão objetiviza, Nietzsche consuma, Heidegger pensa.
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Retiro do ser como destino único do Ocidente.
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Gelassen como abandono escutante e memorioso.
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Referência final a Meister Eckhart.
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