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Realidade para Zubiri

(RIVERA, Jorge Eduardo. Heidegger y Zubiri. 1. ed ed. Santiago de Chile: Ed. Universitaria, 2001:30-31)

(…) Zubiri não se refere, naturalmente, ao ser como o último e o radical, mas à realidade. Porém, por enquanto, não vamos nos deter nessa diferença e vamos falar como se o que Zubiri chama de realidade fosse o mesmo que Heidegger denomina de ser. Pois bem, em alguns de seus textos mais profundos e brilhantes, Zubiri nos diz que a realidade (entendida em seu caráter transcendental) é o fundamento da vida do homem, onde, por sua vez, “vida” tem um sentido que podemos identificar com o existir ou a existência em Heidegger. “A” realidade é aquilo último em que o homem se encontra. O homem não está propriamente nas coisas ou nos outros seres humanos, mas, estando no meio deles ou, o que dá no mesmo, estando com eles, o que, em última análise, o sustenta é a realidade. “A” realidade não é uma espécie de abismo ou de mar imenso que pairaria acima das coisas reais, mas é um momento essencial dentro dessas mesmas coisas: esse momento que consiste em ir além de toda coisa real. Por ser real, toda coisa real possui uma (30) espécie de “mais” que transborda o que a coisa real é enquanto tal ou tal, transcendendo-a.

Na “realidade”, assim entendida, está o homem, e a partir dela ele se constrói nesse “movimento” ou atividade que é constitutiva de sua própria realidade. Ora, essa realidade transcendente é, para a atividade do ser humano, o fundamento último no qual ele se apoia, um fundamento além do qual não há mais nada. É também o fundamento possibilitador que, em última instância, torna possíveis as “possibilidades” com as quais o homem constrói seu próprio ser de pessoa. E é o fundamento impulsionador que o leva a realizar os atos nos quais ele se realiza.

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