estudos:poggeler:pensamento:6
6 História acontecida
PÖGGELER, Otto. Der Denkweg Martin Heideggers. Pfullingen: Neske, 1963. (Com sucessivas edições revistas e ampliadas: 2. Aufl. 1983; 3. Aufl. 1990; 4. Aufl. Stuttgart: Klett-Cotta, 1994).
Metafísica como história acontecida
-
A questão do ser assume caráter histórico quando a verdade do ser deixa de ser concebida como determinação abstrata e passa a ser experienciada em sua temporalidade e em seu acontecer, de modo que o retorno ao fundamento da metafísica conduz à busca de um fundamento não fundado e transforma a própria metafísica em problema histórico a ser decidido.
-
A metafísica constitui a história na qual o ente é pensado enquanto ente e em seu ser, ao passo que o próprio ser permanece impensado em sua verdade, fazendo com que a meditação sobre a verdade do ser exija um confronto com a tradição metafísica que historicamente determina o pensar ocidental.
-
O percurso da metafísica, iniciado com Platão mediante o deslocamento da questão originária do ser e levado por Nietzsche ao esgotamento de suas possibilidades fundamentais, coloca o pensamento diante da alternativa entre prolongar sem questionamento essa tradição ou submetê-la a uma decisão capaz de abrir outra forma de interrogação.
Doutrina de Platão sobre a verdade
-
A interpretação heideggeriana da alegoria da caverna concentra-se na transformação decisiva da essência da verdade operada no pensamento platônico, transformação que, embora não explicitada por Platão como tal, passa a determinar a história posterior do pensamento ocidental e alcança sua eficácia plena na modernidade.
-
A formação representada pela ascensão para fora da caverna consiste originariamente numa libertação em direção ao desoculto, pois os diversos graus pelos quais o ente se mostra pressupõem que a educação humana se funde na verdade entendida como desocultamento, de modo que a questão propriamente decisiva da alegoria não seja simplesmente pedagógica, mas diga respeito à própria essência da verdade.
-
O pensamento platônico ainda parte da verdade como desocultamento, mas progressivamente desloca a atenção do conflito entre ocultação e desocultamento para aquilo que se mostra na ideia, fazendo com que a ideia, inicialmente fundada no desocultamento, passe a determinar aquilo que pode valer como desoculto.
-
Com esse deslocamento, o decisivo já não reside no acontecimento pelo qual o ente sai da ocultação, mas na correção do olhar capaz de apreender adequadamente a ideia, de modo que a verdade deixa de ser traço fundamental do próprio ente e passa a ser concebida como retidão da relação humana com aquilo que se mostra.
-
A passagem da verdade como desocultamento para a verdade como retidão prepara sua posterior determinação como concordância do conhecimento com a coisa, sua transformação moderna em certeza e, finalmente, a compreensão nietzscheana da verdade como erro necessário, permanecendo todas essas figuras vinculadas ao deslocamento inaugurado pelo platonismo.
-
A submissão da verdade à ideia inaugura conjuntamente filosofia, metafísica e humanismo: a filosofia torna-se orientação para as ideias, a metafísica ultrapassa o ente sensível em direção ao ser do ente, e a formação humana assume a tarefa de adequar o homem ao que é tomado como verdadeiro, colocando progressivamente todo ente em relação com o homem.
-
O humanismo pertence estruturalmente a essa transformação porque a preocupação com a correta adequação ao ser converte o homem em centro de referência, permitindo múltiplas formas de formação, moralização, redenção, cultivo racional, desenvolvimento da personalidade ou disciplina corporal, todas sustentadas por uma estrutura metafísica comum.
-
A investigação de Platão não pretende oferecer uma reconstrução integral da doutrina das ideias nem julgar sua correção em todos os domínios, mas destacar exclusivamente a mutação da essência da verdade que passa a reger o pensamento ocidental e que ainda condiciona o próprio ponto de partida de Ser e tempo.
-
A confrontação com Platão converte-se, assim, numa autointerrogação do caminho heideggeriano, pois a libertação do homem desenvolvida inicialmente em Ser e tempo deve ser ultrapassada em direção à verdade do ser, exigindo que o próprio pensamento se liberte de interpretações metafísicas, humanistas e antropológicas.
Nietzsche como decisão
-
Nietzsche torna-se decisivo porque sua filosofia conduz ao limite a questão metafísica do ser: a afirmação da morte de Deus significa que o ente supremo perdeu sua força fundadora, levando à consumação o movimento iniciado por Platão de fundamentar a verdade do ente em um ente superior e tornando inevitável uma decisão acerca do próprio sentido da metafísica.
-
O confronto com Nietzsche não se orienta pela personalidade do filósofo, por sua influência cultural, por interpretações psicológicas ou por disputas de cosmovisão, mas pela força conceitual de seu pensamento enquanto lugar no qual a tradição metafísica ocidental se reúne, se consuma e torna visível a estrutura histórica que conduz à luta pelo domínio da Terra.
-
A apropriação ideológica de Nietzsche, inclusive pelo nacional-socialismo, deve ser distinguida da questão filosófica mais fundamental acerca das condições que tornam possíveis as lutas modernas por domínio e das alternativas entre a submissão integral do ente ao homem e uma relação essencialmente distinta com o ente em seu conjunto.
-
Os escritos póstumos recebem importância porque neles se delineia o esforço de Nietzsche para articular a verdade do ente em seu conjunto mediante os pensamentos do eterno retorno, da vontade de poder e da transvaloração, embora a compilação denominada A vontade de poder não possa ser tomada simplesmente como obra acabada do próprio Nietzsche.
-
O desenvolvimento da interpretação heideggeriana de Nietzsche acompanha uma transformação do próprio pensamento de Heidegger: o que inicialmente podia ser pensado positivamente como vontade criadora passa a ser compreendido como aquilo que, na modernidade, obstrui a experiência da verdade do ser e reduz a abertura ao essencial à imposição do querer.
-
A posição metafísica fundamental de Nietzsche articula-se em cinco determinações mutuamente pertencentes — vontade de poder, eterno retorno do mesmo, justiça, nihilismo e além-do-homem — que correspondem respectivamente à entidade do ente, ao modo de ser do ente em seu conjunto, à essência da verdade, à história dessa verdade e ao tipo de humanidade que leva essa história à decisão.
-
A vontade de poder não designa uma vontade que busca externamente o poder, mas a vontade enquanto poder de conservar-se, intensificar-se e ultrapassar-se continuamente, constituindo o caráter fundamental do ente como devir e não uma faculdade psicológica particular do homem.
-
A vontade de poder deve ser compreendida metafisicamente, pois sentimentos, paixões, impulsos e disposições não fornecem uma explicação psicológica do ser, mas são interpretados a partir de um projeto no qual todo ente é compreendido segundo a estrutura de um poder que se confirma e supera continuamente.
-
A determinação nietzscheana do ser pela vontade insere-se numa longa trajetória da metafísica ocidental, na qual vontade, força, potência, efetividade e autorrealização haviam progressivamente adquirido papel fundamental, de modo que a vontade de poder aparece menos como invenção arbitrária do que como consumação de possibilidades inscritas na própria tradição.
-
O eterno retorno do mesmo pensa o modo de ser do ente em seu conjunto: a vontade de poder, enquanto devir sem finalidade transcendente, retorna eternamente a si mesma, não como fluxo indefinido orientado por uma meta exterior, mas como devir que se fecha sobre si e se mantém integralmente em seu próprio movimento.
-
O eterno retorno não deve ser reduzido a hipótese cosmológica deduzida cientificamente de conceitos de força, espaço e tempo, pois esses próprios conceitos pertencem ao projeto metafísico que está em questão; o pensamento do retorno exige antes um salto no enigma do ente em seu conjunto e uma assunção existencial da possibilidade que ele abre.
-
O instante constitui o lugar decisivo do eterno retorno, pois este não é adequadamente pensado mediante uma sequência cronológica calculável, mas como decisão na qual aquilo que se escolhe adquire peso de eternidade, convertendo o retorno em contrapensamento ao nihilismo e exigindo daquele que pensa uma transformação de sua própria existência.
-
As figuras de Zaratustra, do pastor que morde a cabeça da serpente e da oposição entre a experiência decisiva e a cantilena mecânica dos animais exprimem a diferença entre pensar o retorno como necessidade indiferente, na qual tudo se repete sem liberdade, e pensá-lo como exigência de decisão, na qual cada instante assume importância absoluta.
-
O modo como o eterno retorno é pensado torna-se mais decisivo que uma formulação doutrinária isolada, porque somente uma humanidade transformada pode suportar a ideia de que também sofrimento, destruição e aquilo que parece desprezível retornam eternamente, fazendo do pensamento do retorno uma prova de transformação do próprio pensador.
-
A unidade entre eterno retorno e vontade de poder reside em que somente a vontade de poder retorna: ao querer-se eternamente, ela se estabelece sobre si mesma e realiza de modo extremo a concepção metafísica do ser como presença constante, mostrando simultaneamente a consumação e o fechamento da metafísica.
-
A oposição nietzscheana entre arte e verdade nasce da inversão do platonismo: se a metafísica platônica subordina o sensível ao suprassensível, o arte torna-se para Nietzsche a grande contracorrente ao nihilismo justamente por afirmar a vida sensível, criadora e corporal como expressão privilegiada da vontade de poder.
-
O estado estético fundamental é a embriaguez entendida não como dissolução desordenada, mas como sentimento de força e plenitude que se articula com forma, limite, ordem e grande estilo, fazendo do criar artístico uma intensificação e transfiguração da própria vida.
-
A inversão do platonismo não se limita a substituir o suprassensível pelo sensível, pois Nietzsche pretende superar a própria oposição entre ambos: quando o chamado mundo verdadeiro é abolido, também a simples noção de mundo aparente perde seu sentido tradicional, exigindo outra compreensão da aparência, da vida e do criar.
-
A realidade é interpretada perspectivamente, pois todo vivente seleciona e organiza aquilo que pode aparecer dentro de seu horizonte; a verdade constitui então uma estabilização necessária de determinada perspectiva, enquanto o arte produz novas possibilidades de transfiguração e intensificação da vida, razão pela qual recebe valor superior à verdade estabilizadora.
-
O conhecimento torna-se uma esquematização do caos exigida pelas necessidades de conservação da vida, de modo que categorias, princípios lógicos e distinções entre ser e devir funcionam como formas necessárias de fixação; a verdade é, nesse sentido, um erro necessário, indispensável à estabilidade da vida, sem constituir adequação a um ente subsistente em si.
-
A verdade nietzscheana encontra sua determinação extrema na justiça, entendida como poder da vontade de estabelecer por si mesma suas medidas, valores e diretrizes, sem apelo a um mundo verdadeiro previamente existente, tornando-se simultaneamente construtiva, eliminadora e instauradora do horizonte no qual algo pode valer como verdadeiro.
-
A verdade como justiça leva às últimas consequências a transformação ocidental da verdade: o desocultamento originário converte-se primeiro em retidão, depois em certeza subjetiva e finalmente em autojustificação da vontade de poder, embora vestígios do desocultamento ainda permaneçam na compreensão nietzscheana da arte como aparecimento transfigurador.
-
O nihilismo constitui a história da desvalorização dos valores supremos, mas não começa apenas quando esses valores perdem validade, pois já está presente na própria instituição de um mundo suprassensível como medida do sensível, mediante a qual a vida terrena é depreciada em favor de uma realidade considerada superior.
-
A transvaloração não consiste em substituir valores antigos por novos, porque tal substituição conservaria intacta a estrutura platônico-cristã; trata-se de reconduzir o próprio estabelecimento de valores à vontade de poder, compreendendo valor como ponto de vista instituído por essa vontade para sua conservação e intensificação.
-
A transformação do ser em valor resulta de uma longa história na qual a ideia platônica, inicialmente ligada ao fazer possível do ente, é progressivamente reconduzida à representação, à condição de possibilidade e finalmente à disponibilidade para uma subjetividade que dispõe do ente, culminando na vontade de poder que estabelece explicitamente aquilo que deve valer.
-
O além-do-homem corresponde ao tipo de humanidade requerido pela consumação da subjetividade moderna: a razão deixa de constituir o traço superior do animal racional e o corpo vivo, os impulsos e a animalidade passam ao primeiro plano, enquanto a vontade de poder se torna a instância que fixa e modela o próprio tipo humano.
-
O além-do-homem não deve ser concebido simplesmente como indivíduo superior nem como homem que substitui Deus, mas como figura na qual a vontade de poder se quer integralmente a si mesma e assume o lugar estrutural deixado vazio pela morte do fundamento suprassensível, exigindo a produção e a formação de um novo tipo humano.
-
A referência nietzscheana à morte de Deus permanece, contudo, ambivalente, pois o desaparecimento do Deus da metafísica pode ser compreendido não apenas como ateísmo, mas também como destruição de uma imagem diminuída do divino, deixando em aberto a possibilidade de uma relação diversa com o divino simbolizada por Dioniso.
-
As cinco palavras fundamentais de Nietzsche formam uma unidade porque todas dizem a verdade do ente em seu conjunto no momento terminal da história da metafísica, não devendo nenhuma delas ser eliminada em benefício de outra, sobretudo porque vontade de poder e eterno retorno somente revelam seu alcance quando pensados em sua copertença.
-
O eterno retorno explicita de modo extremo o projeto metafísico do ser como presença constante, enquanto a vontade de poder explicita a subjetividade que dispõe dessa presença; ambos dizem, por vias distintas, o mesmo fechamento da metafísica, no qual o ser é reduzido ao que pode assegurar-se, conservar-se e retornar a si mesmo.
-
A tentativa nietzscheana de salvar o devir contra o ser permanece presa à estrutura metafísica que pretende inverter, pois o devir somente recebe supremacia ao ser estabilizado no eterno retorno e submetido à vontade de poder, fazendo com que a inversão do platonismo seja ainda sua consumação, e não sua superação.
-
Nietzsche aparece, por isso, como último metafísico: ao esgotar as possibilidades do platonismo invertido, antecipa traços decisivos da época moderna consumada — factibilidade universal, vivência, mobilização total, vontade de vontade, domínio planetário e transformação da verdade em instrumento da própria vontade de poder.
-
A proximidade histórica de Nietzsche coincide com sua distância extrema em relação à questão da verdade do ser, pois aquilo que para Nietzsche se apresenta como factum último — vontade de poder e eterno retorno — torna-se, para Heidegger, algo cuja própria condição histórica de manifestação precisa ser interrogada.
-
A passagem de Nietzsche para uma interrogação mais originária exige distinguir a pergunta condutora da metafísica pelo ser do ente da pergunta fundamental pela verdade do próprio ser, deslocando o pensamento da determinação de mais uma posição metafísica para a investigação daquilo que torna possíveis e limita historicamente todas essas posições.
Metafísica enquanto história acontecida do ser
-
A metafísica revela-se como história acontecida do ser quando seu percurso, de Platão a Nietzsche, é compreendido como história na qual o ser é continuamente pensado como verdade do ente enquanto a verdade do próprio ser permanece esquecida, conduzindo essa tradição à sua consumação na vontade de poder.
-
Enquanto ontologia, a metafísica determina o ente segundo seu ser, distingue determinações como quididade e fato de ser e interpreta historicamente esse ser como ideia, representacionalidade ou vontade de poder, conservando como pressuposto não interrogado a compreensão do ser enquanto presença constante.
-
Enquanto teologia, a metafísica procura fundamentar o próprio ser num ente supremo dotado de máxima permanência, de modo que ontologia e teologia pertencem à mesma estrutura fundadora e fazem da metafísica uma ontoteologia, na qual o ente é fundado no ser e o ser novamente fundado em um ente superior.
-
Em Nietzsche, a estrutura ontoteológica alcança sua forma extrema porque a vontade de poder não admite um fundamento exterior e deve fundar-se em si mesma mediante o eterno retorno, podendo Dioniso funcionar ainda como nome divino dessa autofundamentação da vontade.
-
O limite fundamental da metafísica reside em não transformar em questão sua compreensão do ser como presença constante, deixando impensado o horizonte que torna possível distinguir quididade e fato de ser, estabelecer fundamentos e converter o ente em algo permanentemente disponível ao pensamento.
-
A compreensão metafísica da verdade transforma progressivamente a abertura do ente em algo apropriável e assegurável por um sujeito ou por um Deus concebido segundo a mesma lógica da permanência, imobilizando a história da verdade numa doutrina fundamental e ocultando o caráter histórico do próprio aparecer do ser.
-
A pretensão de reconduzir todo ente a um fundamento último retira o homem de sua própria historicidade e converte natureza, mundo e divino em objetos disponíveis, culminando tecnicamente na transformação do ente em reserva permanente e na subordinação da Terra a uma estrutura de disponibilidade integral.
-
A luta moderna pelo domínio da Terra realiza politicamente e tecnicamente a tendência metafísica a tornar todo ente disponível, buscando simultaneamente o tipo humano capaz de administrar essa disponibilidade e convertendo doutrinas, princípios e metas absolutas em instrumentos de organização histórica.
-
O fracasso reiterado de metas estabelecidas como fundamentos permanentes manifesta o nihilismo, mas esse colapso pode abrir uma possibilidade mais originária caso o nada deixe de ser entendido apenas como ausência de determinado ente ou destruição de determinado valor e passe a ser pensado como pertencente à própria verdade do ser.
-
O nada pode então aparecer como véu do ser, mostrando o ser justamente ao retirá-lo e impedindo que um ente permanentemente disponível seja escolhido como fundamento absoluto, de modo que a verdade do ser se revela como acontecimento histórico que não se encontra à disposição do homem.
-
Nietzsche permanece no nihilismo impróprio porque compreende a desvalorização e a transvaloração ainda dentro da identificação entre ser e valor, sem experienciar o nada como pertencente ao próprio ser; por isso, sua tentativa de superar o nihilismo permanece inserida no nihilismo mais originário da metafísica, definido pelo esquecimento da verdade do ser.
-
Toda metafísica participa desse nihilismo originário porque faz aparecer o ente em seu ser enquanto o próprio acontecimento de verdade que possibilita esse aparecimento permanece retraído, chegando o esquecimento a tornar-se tão profundo que o próprio fato de haver esquecimento é também esquecido.
-
A consumação da metafísica pode, entretanto, transformar-se em ocasião para experienciar sua própria não-essência, permitindo compreender ocultação, retraimento e nada como momentos pertencentes à verdade do ser e perceber a história da metafísica como história do ocultar-se e resguardar-se dessa verdade.
-
O nihilismo converte-se, nessa perspectiva, em necessidade de decisão: pode-se permanecer instalado no domínio aparentemente seguro do ente ou escutar no próprio retraimento do ser a promessa de outra abertura, sendo o homem necessário ao ser precisamente como lugar histórico em que essa verdade pode encontrar manifestação.
-
Pensar segundo a história do ser exige recolocar a metafísica em seu lugar, essência e limites, compreendendo cada posição metafísica — ideia, objetividade, subjetividade, vontade de poder — como configuração histórica determinada e não como expressão definitiva e universal do ser.
-
A distinção entre pergunta condutora e pergunta fundamental torna-se decisiva: a primeira pergunta pelo ser enquanto verdade do ente e recebe respostas metafísicas como ideia, substância ou vontade de poder; a segunda pergunta pela verdade do próprio ser e pelo acontecer histórico que torna possíveis essas diferentes determinações.
-
A vontade de poder deve, consequentemente, ser compreendida não como factum último universal, mas como interpretação historicamente situada do ser do ente no término da modernidade, cuja própria possibilidade requer que se interrogue o horizonte no qual ela pôde aparecer como verdade aparentemente definitiva.
-
A meditação histórica sobre a metafísica não pretende refutar seus pensadores nem simplesmente substituir suas respostas por outra doutrina, mas penetrar no impensado que sustenta suas posições, recuperando a essência oculta da metafísica a partir da história da verdade do ser.
-
Esse retorno à metafísica constitui uma recordação interiorizante (Erinnerung) que simultaneamente a atravessa e a torsiona, não para regressar circularmente ao primeiro início nem restaurar uma posição anterior, mas para abrir a possibilidade de outro início situado para além da consumação metafísica.
estudos/poggeler/pensamento/6.txt · Last modified: by 127.0.0.1
