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GENESIS SEIN UND ZEIT
KISIEL, Theodore. The Genesis of Heidegger’s Being and Time. Berkeley: University of California Press, 1995.
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Num diálogo quase factual, o visitante japonês observa a Martin Heidegger — “E assim você permaneceu em silêncio por doze anos” —, referindo-se aos problemas linguísticos abordados no trabalho de habilitação de Heidegger sobre Duns Escoto (1915) e num curso posterior, anteriores à publicação de sua obra magna em 1927, Ser e tempo (= ST)
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Mais de meio século se passou desde que Heidegger irrompeu na cena filosófica maior com a publicação de ST, alcançando com ela aclamação e notoriedade internacionais que não arrefeceram com os anos, tendo a dificuldade de compreensão desse clássico da filosofia do século XX se tornado lendária — “como nadar através de areia molhada”, observa um comentador perspicaz
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O fato de Heidegger não ter publicado absolutamente nada na década que precedeu ST agravou imensamente a dificuldade, a ponto de se ser forçado a considerar essa obra complexa como algo que surgiu já pronto, como Atena da cabeça de Zeus, podendo a descrição que Herbert Spiegelberg faz de ST, “esse assombroso torso”, aludindo especialmente à ausência de sua projetada Segunda Parte, ser aplicada também à sua “pré-estrutura” inicial, a escassez de publicações antes de 1927
Essa era, ao menos, a situação do leitor de ST por décadas, situação que está agora mudando rapidamente-
Depois de meio século tendo apenas boatos sobre a década de silêncio de publicação entre o trabalho de habilitação de Heidegger e sua obra-prima, logo se terá à disposição um conjunto de documentos que prometem mostrar como essa grande obra veio a existir
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A Gesamtausgabe (Edição Completa) de Heidegger, lançada um ano antes de sua morte em 26 de maio de 1976, incluiu desde o início edições de cursos até então inéditos de seu período em Marburg (1923-28)
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O rascunho inicial de ST está incorporado em seu curso do semestre de verão de 1925, “História do conceito de tempo”, disponível numa edição alemã falha desde 1979 e numa tradução inglesa melhorada desde 1985
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A decisão recente do executor literário de Heidegger de publicar os primeiros cursos de Friburgo (1919-23) preencherá gradualmente boa parte do restante da lacuna
Para o desejo há muito sentido de uma visão geral ininterrupta desse trecho até então inexplorado do caminho de Heidegger até ST, tais “fontes originais” não bastam-
Algumas delas estão faltando — em vez do texto original do jovem Heidegger, teve de ser publicada uma transcrição de estudante de um curso do semestre de verão de 1919, e o mesmo ocorrerá com o importantíssimo curso do semestre de inverno de 1920-21 sobre a fenomenologia da religião
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O princípio editorial de uma Ausgabe letzter Hand (edição de “última mão”; na prática, uma edição póstuma), instituído dois anos depois da morte de Heidegger, produz edições feitas a partir dos manuscritos dos cursos tal como Heidegger os deixou por último, sem distinguir entre o curso como foi apresentado na época e material acrescentado depois, às vezes anos mais tarde, distorcendo assim o registro cronológico público do desenvolvimento real de Heidegger
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Esse mesmo princípio editorial às vezes torna os editores hesitantes em recorrer a transcrições de estudantes — claramente não da “mão” hoje quase infame de Heidegger, mas de sua voz, ao afastar-se de seu texto preparado para esclarecer seus pontos — mesmo para preencher lacunas óbvias de sentido nos próprios manuscritos de Heidegger
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Mesmo com uma política editorial ótima, a publicação dos cursos separados na Edição Completa ainda ofereceria apenas um retrato desconexo, sendo o ensino de Heidegger parte integral, mas apenas parte, de seu desenvolvimento rumo a ST, não bastando os cursos publicados para uma visão verdadeiramente ininterrupta dessa história de desenvolvimento, que deveria incluir também, por exemplo, importantes exercícios de seminário cujas transcrições provavelmente nunca serão publicadas
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Dois dos documentos mais fundamentais desse desenvolvimento são, por assim dizer, “extracurriculares”, podendo-se ainda extrair evidência filosoficamente pertinente para tal história da correspondência de Heidegger e de diversos “atos” e documentos universitários, que apenas começam a vir à luz
Este livro tem por objetivo justamente uma história completa e confiável do desenvolvimento de Heidegger de 1915 a 1927, com base na documentação mais completa que se pode reunir, incluindo transcrições de estudantes, correspondência e documentos universitários-
É basicamente um Livro do Gênesis de um grande clássico, talvez o mais importante, da filosofia do século XX, buscando relacionar a história filosófica em profundidade que acompanharia a descoberta e o desenvolvimento das constelações conceituais que constituem a resposta do jovem Heidegger aos problemas postos por sua situação hermenêutica naqueles anos formativos
Trata-se de uma história conceitual, uma Begriffsgeschichte, que estabeleceria por que e como as várias Gestalten conceituais tomam forma e são às vezes desfeitas e substituídas ou remodeladas, encontrando eventualmente seu lugar no tecido de ST-
É também uma história de fios conceituais cortados apenas para serem retomados depois, pistas e projetos totalmente abandonados, intenções do autor deixadas não cumpridas ou modificadas para outros propósitos, becos sem saída encontrados pelo caminho, devendo esses também ser anotados, a fim de compensar as distorções retrospectivas que acompanham o fato de já se saber como a história termina, a saber, em ST mesmo
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Parte da história é que ST mesmo é um projeto fracassado, e que Heidegger então retorna a intuições anteriores deixadas sem prosseguimento para recomeçar, sendo esse o sentido real de sua autoproclamada e muito discutida “virada”
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A história deveria concluir — nesta etapa não o fará, por razões práticas — indo além de ST para assumir uma perspectiva mais ampla sobre a década que precedeu ST, avaliando sua significação para todo o pensamento de Heidegger, determinando se ela já contém in ovo tudo o que é essencial e que veio à luz no Heidegger tardio
Há, de todo modo, certa crueza e frescor de primeira descoberta nas primeiras obras do Ur-Heidegger por volta de 1919, quando ele primeiro se encontrou, quando primeiro se tornou Heidegger, antes que essas ideias recém-descobertas sofressem uma espécie de complexificação escolástica no próprio ST-
É em parte por isso que a genealogia conceitual transmitida por essa história deveria ajudar a lançar luz sobre os conceitos e contextos ainda opacos que continuam a intrigar os leitores de ST, fornecendo o eixo histórico de interpretação como uma abordagem a essa obra sistemática
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Essa é de fato a abordagem interpretativa recomendada pelo próprio Heidegger tardio, que ao fim da vida cunhou o lema “Caminhos — não Obras” para sua Edição Completa, e que desde seus primeiros anos insistiu em que o sistemático não pode ser compreendido sem a dimensão histórica da filosofia
Há mais de uma boa razão para que essa história seja uma história conceitual, sensível especialmente ao surgimento e desenvolvimento dos conceitos fundamentais e esquemas conceituais que entram em ST-
O gênio peculiar e a força de Heidegger residem em sua capacidade de expor os conceitos “raiz” que “semeiam” um campo de estudo, sendo esse desenraizamento, essa “desconstrução”, seguido, mais frequentemente que não, por sua substituição por novos τόποι conceituais de fabricação própria de Heidegger, à medida que as categorias tradicionais são deslocadas por existenciais em ST
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Desde o início, todo o caminho de Heidegger é marcado por esse tráfego de conceitos — o problema da categoria em Duns Escoto, sua doutrina dos transcendentais do ser, como este “se diz de muitas maneiras” através da intuição categorial, os “conceitos” formalmente indicativos que tentam captar a experiência em sua incipiência e latência, a busca pelos conceitos fundamentais do Ocidente emergindo de suas raízes pré-socráticas
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Citação de Heidegger — “No fim, o negócio da filosofia é preservar a força das palavras mais elementares nas quais o Dasein se exprime”
Ainda assim, por mais útil que isso possa ser, restaria apenas uma doxografia rasa e estática se bastasse o desfile de conceitos entrelaçados surgindo em rápida sucessão em pontos diferentes ao longo do caminho — o eu histórico (1919) à experiência de vida fática (1920) ao Dasein (1923), seu movimento como tendência motivada (1919) à ação apaixonada (1924) ao projeto lançado (1926), sua estrutura temporal como retenção-protensão (1919), apresentação (1925), e esquematização ekstática de horizontes (1927)-
O Apêndice D, que resume a ascensão cronológica e às vezes a queda dos conceitos básicos de Heidegger nessa época num Glossário Genealógico, deveria por isso ser usado com certa cautela
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Uma verdadeira história conceitual deve sondar abaixo dessa superfície doxográfica até as situações-problema motivadoras que suscitam esses conceitos e a situação hermenêutica de pressupostos herdados que os moldam, sendo o próprio Heidegger quem observa o caráter “buscante” de seus conceitos e aponta a necessidade de “elaborar” a própria questão a partir da situação interrogativa que a suscita, a fim de assegurar que os próprios “termos” da questão se tornem transparentes
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Além da litania de conceitos rapidamente mutáveis, há a unidade motivadora da situação-problema à qual eles respondem, colocando-se então a questão de saber se essa situação permanece constante à medida que se esclarece e se desenvolve, como uma “estrela-guia”, ou se ela também está sujeita a esmaecimento ou desaparecimento e, por consequência, deslocamento radical por outra
Essa genealogia e fluxo conceituais constituem o núcleo filosófico da narrativa, mas, para relatá-la, nesta fase inicial da pesquisa nessa área, foi necessário corrigir muitos erros factuais na BCD — Biografia, Cronologia e Doxografia — desse trecho até então relativamente inexplorado do Caminho de Heidegger-
Esses três estratos entrelaçados constituem desde Teofrasto os auxílios filológicos mínimos necessários para qualquer registro confiável da história da filosofia, mas caíram em descrédito em parte por causa da atitude negativa em relação à filologia assumida, numa imitação equivocada do Mestre, pelos supervisores da Edição Completa de Heidegger
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Além de seu impulso interpretativo filosófico central, este livro também preenche, incidentalmente, a necessidade de um registro confiável desses fios factuais subsidiários da narrativa, observando recentemente Otto Pöggeler, quanto ao fio doxográfico — “Lamentavelmente, mesmo hoje ainda não há visão geral confiável dos primeiros cursos de Heidegger baseada nas transcrições de estudantes existentes e nos manuscritos de Heidegger”
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Este livro, em sua narrativa e apêndices, buscará, na medida em que isso não obscureça seu impulso interpretativo central, preencher essa lacuna especialmente flagrante na erudição sobre Heidegger
Deseja-se mais do que apenas corrigir o registro doxográfico — deseja-se entrar em cada curso, seminário ou texto escrito como seu próprio universo conceitual não apenas com as questões doxográficas “O que ele diz?” e “Qual é sua intenção básica?”, mas também com as questões intertextuais “De onde vem?” e “Aonde leva?”, ditadas pelas preocupações genealógicas e diacrônicas-
A pausa sincrônica é conceitualmente essencial, e por isso longa, especialmente nos pontos de virada críticos da narrativa, mas a sincronia é frequentemente “colocada entre parênteses”, quando necessário, para fazer um enquadramento diacrônico de certos conceitos-chave, como ex-sistência e angústia, a fim de examiná-los retrospectivamente e sobretudo prospectivamente até ST, no ponto inicial delicado em que algo novo se desenvolve
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Os fios que levam a ST são assim explorados diretamente dentro de ST muito antes de se chegar a essa etapa terminal da narrativa, e, por se estar primeiro contando uma história, na qual ST mesmo se revelará não a meta mas apenas mais uma estação de passagem, nunca se encontrará tempo para reunir os fios mesmo nessa estação central particular
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A narrativa pressupõe, nessa medida, certa familiaridade com ST mesmo, mas mesmo aqueles bastante familiarizados com ST encontrarão, acredita-se, que abordá-lo por essa trilha genealógica faz olhar sua paisagem de passagem de maneira bastante diferente, viajando contra o grão de muitas interpretações antigas
A tentação é sempre grande, num relato filosófico como este, de interpor um excesso de detalhes biográficos “interessantes” para manter a narrativa “leve e viva”, tendo a questão da relação entre Vida e Pensamento se tornado especialmente aguda ultimamente no “caso Heidegger”-
O leitor crítico talvez não devesse ser rápido demais em julgar filosoficamente irrelevantes, digamos, as repetidas alusões ao estilo de escrita difícil de Heidegger, que levou, entre outras coisas, a lhe ser negada uma nomeação universitária e a ter um artigo rejeitado para publicação, sendo essa infraestrutura biográfica repleta de significação filosófica (ou, mais precisamente aqui, “metafilosófica”)
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Tome-se, por exemplo, a afirmação aparentemente branda e direta do fato biográfico da citação de abertura, “E assim você permaneceu em silêncio por doze anos” — o “E assim” leva ao próprio coração da filosofia de Heidegger — sua nomeação de um tópico para si mesmo que tradicionalmente havia sido considerado “inefável”, suas primeiras lutas para desenvolver uma hermenêutica que expressasse esse tópico com base no princípio fenomenológico da intuição do “mostrar-se a si mesmo”, e assim seu desenvolvimento da estratégia linguística da “indicação formal” a partir do contexto da doutrina aristotélico-escolástica da analogia do ser e da “lógica da filosofia” de Lask
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Este é apenas um exemplo na narrativa, na medida em que ela recorre à biografia filosófica, em que se esforça para atender de perto a uma questão geral muito discutida e ainda não resolvida na metafilosofia da historiografia da filosofia — quais são exatamente os vínculos reveladores e intrínsecos entre a vida e o pensamento de um pensador? — aplicando-se a questão especialmente a um pensador que se orgulhava das “raízes” ônticas (Boden) de sua ontologia, orgulhando-se de ter sido o primeiro na história da filosofia a declarar abertamente a necessidade inescapável de tais raízes
Uma questão relacionada, na interseção entre biografia e filosofia, surge especialmente das declarações autobiográficas do Heidegger tardio, sendo tratados repetidamente com a história de seus anos de menino no ginásio e o presente da dissertação de Brentano sobre “o sentido múltiplo do ser em Aristóteles”, que desencadeou uma pequena indústria de artigos analisando esse texto em sua relação com o pensamento de Heidegger-
Tal trabalho demonstra mais a avidez dos estudiosos por pistas biográficas confiáveis para o desenvolvimento de Heidegger do que a relevância real da leitura seletiva que Heidegger faz de sua própria vida para as linhas principais de seu pensamento
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Coloca-se a questão de por que essa tentativa, em sua velhice, de reviver os laços com seu passado católico, seus primeiros relacionamentos com o Padre Conrad Gröber e o filósofo tomista Carl Braig, e por que nada se ouve absolutamente sobre aqueles sombrios anos de guerra de 1917-19, sobre os quais quase nada se sabe atualmente, quando ele rompeu com seu passado católico e claramente emergiu como um “cristão livre” em seus primeiros cursos do pós-guerra
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As próprias declarações autobiográficas de Heidegger, que naturalmente não podem ser ignoradas, devem ser cuidadosamente sopesadas, contrabalançadas e assim corrigidas contra toda a evidência arquivística que se pode reunir, sendo isso o que se buscou fazer, a fim de estabelecer uma história confiável, completa e relativamente ininterrupta de todo esse período do desenvolvimento de Heidegger
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Isso ditou a correção e desmistificação não apenas do Heidegger autobiográfico mas também dos executores literários de Heidegger, que estabeleceram um histórico de erros factuais e distorções cronológicas na composição de sua Edição Completa, bem como da constelação mais nebulosa de anedotas tenazes de diversos quadrantes, por exemplo do gênero literário de “Conversas com Heidegger”, que se fundiram ao longo dos anos para dar a Lenda de Heidegger
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Particularmente na área da autobiografia e das “conversas de mesa” relatadas, a autoridade do Heidegger tardio revelou-se insuficiente e às vezes até contraditória, dificilmente acima de questionamento, ao contrário da tendência natural de aceitar essa autoridade
Diante dessas tarefas de conclusão e correção, o apelo a Teofrasto não é de modo algum tão descabido, pois o estado da erudição sobre Heidegger no nível “BCD” ainda se assemelha muito ao do conhecimento factual sobre os pré-socráticos-
Uma reconstrução precisa e confiável da situação problemática ou τόπος conceitual a partir do qual Heidegger desenvolve suas ideias requer conhecimento de fundo dos elementos de βίος, χρόνος e δόξα que constituem essa situação, bastando, a título de introdução, um exemplo de cada arena da BCD da filosofia que desempenhará papel revelador senão crucial na narrativa
Biografia — sabe-se, pelo Heidegger tardio, que foi sua “proveniência teológica” que o pôs no caminho do pensar, tendo-se também uma expressão muito mais imediata da direção concreta em que essa proveniência foi tomada na carta pessoal do jovem Heidegger a Karl Löwith em 19 de agosto de 1921-
Citação de Heidegger — “Trabalho concretamente e faticamente a partir de meu 'eu sou', a partir de minha origem intelectual e inteiramente fática, meio, contextos de vida, e o que quer que esteja disponível para mim a partir destes como experiência vital na qual vivo (…) A essa minha facticidade pertence o que brevemente chamo o fato de que sou um 'teólogo cristão'”
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A carta inteira é de fato uma aplicação da própria “hermenêutica da facticidade” filosófica de Heidegger a si mesmo, testemunhando assim o próprio senso de Heidegger da importância intrínseca, enraizada em sua própria filosofia, do elemento biográfico na “situação hermenêutica” autóctone a partir da qual um filósofo fala
Cronologia — a comparação das Ausgaben letzter Hand publicadas da Edição Completa com transcrições de estudantes existentes revelou uma série de distorções cronológicas que tais publicações de “última mão” introduzem no registro público do desenvolvimento do jovem Heidegger-
A mais importante das correções cronológicas resultantes produz, por sua vez, um cenário diferente para a genealogia de um dos conceitos mais conhecidos de Heidegger — contrariamente à impressão dada pelas edições publicadas, Heidegger foi parcimonioso no uso da linguagem do existencialismo então em voga até o último rascunho de ST
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Sua resistência ao jargão popular foi rompida não por razões existencialistas mas “formalmente indicativas”, por sua descoberta de última hora da estrutura “ekstático-horizontal” da temporalidade, assim conectada etimologicamente com “ex-sistência”, em parte talvez através de sua leitura da Física de Aristóteles
Doxografia — essa arte antiga de estabelecer o que um filósofo realmente disse entra em jogo aqui na correção de edições cheias de erros e no preenchimento das lacunas deixadas pela Edição Completa-
Fornece-se, por exemplo, uma paráfrase extensa do curso de Heidegger do semestre de inverno de 1920-21 sobre a fenomenologia da religião, baseada em transcrições de estudantes, tendo em vista o fato de não haver planos atuais de publicar esse curso, já que o manuscrito do curso da mão de Heidegger não foi encontrado
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Transcrições existentes mas não publicadas dos exercícios de seminário de Heidegger são também às vezes importantes para preencher certas lacunas no registro público de desenvolvimento
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Numa carta a Löwith pouco depois do aparecimento de ST em 1927, Heidegger adverte seu aluno, durante esses primeiros anos de desenvolvimento do pós-guerra rumo a ST, que “a obra não pode ser julgada simplesmente pelo que foi dito na sala de aula e no exercício de seminário (…) Para dizer a verdade, não estou realmente interessado em meu desenvolvimento, mas quando a questão surge, ela não pode ser reconstituída simplesmente a partir da sequência de cursos e do que é apenas comunicado neles. Essa consideração de fôlego curto esquece as perspectivas e impulsos centrais que atuam tanto retrospectiva quanto prospectivamente”
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A busca por pistas do desenvolvimento de Heidegger deve, portanto, ser estendida ao registro então privado, à correspondência e às notas pessoais de Heidegger, por exemplo
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Especialmente importantes para a narrativa desse desenvolvimento são certos documentos importantes que circularam privadamente na época e agora começam, tardiamente, a entrar na arena pública — a resenha da Psychologie der Weltanschauungen de Karl Jaspers, primeiro rascunhada no verão de 1920 e publicada em 1972; a Introdução a um livro projetado sobre Aristóteles, escrita em outubro de 1922 em apoio à candidatura de Heidegger a uma cátedra em Marburg e Göttingen, recentemente descoberta em Göttingen em sua íntegra; “O conceito de tempo”, a palestra aos teólogos de Marburg em julho de 1924, e o artigo de periódico mais longo de novembro de 1924 com o mesmo título, que equivalia ao primeiríssimo rascunho de ST, mas nunca foi publicado nesse periódico por problemas de extensão e estilo
É apenas nos últimos anos que os três documentos mais fundamentais que marcam os três grandes saltos adiante, os três Ur-sprünge (saltos originais, ou saltos a partir da origem), rumo a ST, vieram efetivamente a público-
Esses três pontos críticos, em que o desenvolvimento faz uma súbita arrancada, marcam de fato três gêneses diferentes de ST, indo do remoto ao próximo, oferecendo, por assim dizer, três lentes de aumento ou prismas diferentes através dos quais essa obra-prima sistemática ainda opaca pode ser vista ao longo de sua trajetória histórica
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Na linguagem do lema que o moribundo Heidegger afixou à sua Gesamtausgabe, ST pode agora ser visto através desses prismas não como uma Obra mas como um Caminho, sendo em suma as três gêneses — ST como tópico, como programa, e como texto
Um registro doxográfico completo, corrigido e retificado cronologicamente, divide naturalmente o percurso até ST em três fases marcadas por três eventos acadêmicos importantes de ruptura na carreira inicial de Heidegger-
Parte I — Semestre Emergencial de Guerra de 1919 (KNS), quando o “veterano” retornado se torna assistente de Edmund Husserl e advoga uma fenomenologia radicalizada compreendida como uma ciência pré-teórica das origens, diferindo de qualquer outra ciência (isto é, teórica), pois seu objeto não é de modo algum um objeto, mas o já significativo “fluxo de vida” no qual cada um de nós já está enredado
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Como abordar esse tópico sem “estagnar o fluxo” (objeções de Paul Natorp à fenomenologia), como articular esse “algo” (Es) não objetificável que contextualiza (Es weltet) e temporaliza (Es er-eignet sich) cada um de nós — com essa resposta à dupla questão da acessibilidade e expressabilidade da situação imediata do indivíduo, tradicionalmente considerada inefável, Heidegger de fato nomeou seu tópico vitalício (Das Ereignis, o evento de “apropriar-se”, tornar-se-á a última palavra do Heidegger tardio para o Ser arcaico, Seyn)
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Os cursos de 1919-21 constituem uma elaboração fenomenológica inicial desse tópico na linguagem hermenêutica da filosofia da vida e em continuidade com o projeto do jovem Heidegger de uma fenomenologia da experiência religiosa
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Parte II — Die Aristoteles-Einleitung, outubro de 1922 — essa versão de uma Introdução a um livro projetado sobre Aristóteles, escrita para garantir uma cátedra na Universidade de Marburg, concentra pela primeira vez as inter-relações familiares em ST como a dupla tarefa de 1) uma ontologia fundamental baseada numa análise da “situação humana” (Dasein) e 2) uma desconstrução concomitante da história da ontologia voltada a recuperar a conceitualidade grega dessa situação enraizada especialmente em λόγος, φύσις (especialmente sua κίνησις) e ἀλήθεια
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O projeto de ST toma forma assim em 1921-24 contra o pano de fundo de uma exegese implacável dos textos de Aristóteles, especialmente Ética a Nicômaco Z, dos quais são derivados os modelos manifestamente pré-teóricos para as duas Divisões de ST, a τέχνη da ποίησις para a Primeira e a φρόνησις da πρᾶξις para a Segunda
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O νοῦς dessas duas virtudes dianoéticas mais práticas — bem como das duas virtudes teóricas — é substituído em ST pela “clareira iluminada” (Lichtung) da temporalidade ekstática, em nítido contraste com o νοῦς “eterno” na filosofia grega
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Parte III — “Der Begriff der Zeit” (julho de 1924), a palestra aos teólogos de Marburg, inaugura a redação dos três rascunhos de ST — 1) o rascunho hermenêutico, o artigo igualmente intitulado “O conceito de tempo” e rejeitado por um jovem periódico em formação, busca fundar o problema da historicidade levantado pela Correspondência Dilthey-Yorck
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2) o rascunho fenomenológico-ontológico, o curso de verão de 1925 sobre a “História do conceito de tempo”, é introduzido por uma exegese extensiva da Sexta Investigação Lógica de Husserl e pela primeira vez analisa o Dasein como o ente que questiona o ser
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3) o rascunho mais kantiano que “existencialista”, refletindo o desenvolvimento de última hora do a priori temporal como esquematização ekstática de horizontes
Três fases entrelaçadas tateando seu caminho rumo a ST, rumo a uma hermenêutica do Fato da vida (1915-21), desconstruindo a ontologia ousiológica de Aristóteles por meio de sua antropologia (1921-24), e redesenhando a questão clássica do ser diretamente a partir da dinâmica temporal da condição humana (1924-27)-
Apesar dos dois primeiros rascunhos, ST mesmo, composto em suas linhas principais num único mês, em março de 1926, constitui um passo maciço adiante em suas inovações, talvez adiante demais, concluirá Heidegger eventualmente
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Ele observa depois que “talvez o defeito fundamental do livro ST seja eu ter me aventurado demasiado adiante demasiado cedo”, plantando-se assim as sementes da autodestruição no próprio ST
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Um relato genealógico completo de ST só pode ser reivindicado depois de também se ter percorrido os passos que levam a seu declínio, a sequência da narrativa da gênese de ST, pertencendo juntos γένεσις καὶ φθορά, sendo eles equiprimordiais, devendo essa história de naufrágio ser deixada para outra ocasião
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A narrativa da Gênese percorre um caminho bem menos conhecido, onde boa parte da evidência ainda está por publicar, e sem essa narrativa da Gênese a história do naufrágio de ST não pode realmente ser contada na conceitualidade fundamental que ela requer
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É por isso que se insistiu longamente nos passos iniciais hesitantes rumo a ST, talvez mais exaustivamente do que alguns leitores desejariam, fazendo-se isso com a convicção crescente de que essas “juvenilia”, como o Heidegger tardio veio a considerá-las quando se colocou a questão de sua publicação, apesar de toda sua crueza e imaturidade, talvez contenham a chave para todo o Heidegger
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No mínimo, elas certamente lançam grande luz sobre o desenvolvimento do Heidegger tardio ao desmistificar boa parte de sua linguagem mistagógica em termos mais ordinários, podendo isso parecer afirmação surpreendente, especialmente tendo em vista a perplexidade inicial que o livro ST suscitou quando apareceu pela primeira vez, tendo-se de fato avançado muito na compreensão do que Heidegger realmente pretende
A maneira de contar essa narrativa é assim deliberadamente “pesada na base”, detendo-se nos primeiros passos hesitantes de Heidegger rumo à sua intuição-
Talvez uma narrativa de gênese seja por natureza lenta para começar, lenta ao menos em deliberar cuidadosamente seu começo, lenta para chegar a seu clímax que, quando chega, está lá abruptamente demais — um ideal “ôntico” bastante impopular de sexualidade narrativa nesta época impaciente de “rapidinhas” de sitcom
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O leitor é assim avisado, e pode querer ajustar-se segundo seus próprios desejos, mas há também uma razão documentária para esse ritmo deliberativo
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Além da necessidade de tratar em profundidade e detalhe os documentos mais fundamentais, repletos de “primeiras vezes”, há a necessidade de informar o leitor em algum detalhe sobre documentos inéditos que talvez não sejam publicados num futuro próximo, ou nunca
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O curso do semestre de inverno de 1920-21 é um caso exemplar, em que falta o autógrafo, e uma edição prática das cinco transcrições de estudantes existentes não é aceitável para uma “edição de última mão”, tendo-se fornecido nesses casos uma paráfrase em inglês relativamente completa para pôr o leitor a par
Este é um bom ponto para informar o leitor sobre os Apêndices BCD (para acentuar a metodologia de coleta de fatos esboçada acima, deliberadamente não há Apêndice A)-
O objetivo do Apêndice B é estabelecer os títulos precisos dos cursos, seminários e palestras ministrados pelo professor Heidegger na época em que os deu, digamos, no dia de abertura do semestre, o que nem sempre coincide com o título pré-anunciado no catálogo universitário, ou o título conferido a eles pelos executores da GA
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Seu ponto de partida indispensável é a lista inicial autenticada em vida de Heidegger através dos esforços eruditos de William Richardson, que a compôs estritamente a partir de catálogos universitários
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Para os presentes propósitos, contudo, a partir do critério mais factualmente biográfico aplicado ao longo deste livro, essa lista, que serviu bem por muitos anos (até mesmo os administradores da Edição Completa de Heidegger a princípio se basearam nela quase exclusivamente!), agora precisa de correção
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O Apêndice C fornece uma documentação cronológica bilíngue dos eventos que conduziram à publicação prematura de ST, onde os fatos servem novamente para suplementar e corrigir, bem como confirmar, a anedota bem conhecida contada pelo Heidegger tardio
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A narrativa galé por galé da composição interna de ST é ademais mais um auxílio para se passar a considerar ST mesmo como um “caminho” em vez de uma Obra tornada quase sagrada por estar congelada no tempo, como as Grandes Obras costumam se tornar
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O Apêndice D combina doxografia com cronologia na tentativa de estabelecer os marcos temporais precisos em que o jovem Heidegger concebeu, aplicou e, às vezes, abandonou alguns de seus conceitos-chave
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Como subproduto da narrativa, esse registro de desenvolvimento pode também ser útil a tradutores de Heidegger, por exemplo, na questão controversa de saber se seus termos podem ser traduzidos rigidamente de modo estritamente unívoco, indicando esse Glossário Genealógico também quão rapidamente Heidegger se desenvolveu nesse período, descartando um esquema conceitual após outro, mas sempre em conversação com a tradição na qual encontrou seu terreno, e assim seus conceitos de base
A Bibliografia é algo enxuta, restringindo-se em geral a obras publicadas efetivamente citadas no corpo da narrativa, devendo-se isso também ao território virgem sendo explorado, com boa parte do material ainda inédito-
Nessas circunstâncias, seria possível cultivar a vaidade de se manter incontaminado por fontes que parecessem extrínsecas, mal informadas ou de outro modo imaturas — “Fora com a literatura secundária, de volta aos próprios arquivos!”
Por essa mesma razão, este livro levou muito tempo para ser feito, tendo começado em 1981 a partir da necessidade de examinar os documentos subjacentes ao curso de Heidegger do semestre de verão de 1925, a fim de corrigir a edição alemã cheia de erros antes de traduzi-la para o inglês-
Agradece-se novamente ao Dr. Hermann Heidegger pela permissão para fazê-lo e a Walter Biemel pela assistência nesse sentido, tendo essa primeira incursão nos arquivos feito ver a importância sinalizadora de tal material inédito para a compreensão desse período crucialíssimo do desenvolvimento de Heidegger
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Agradece-se primeiro a toda a equipe do Deutsches Literaturarchiv em Marbach (primeiro Bernhard Zeller, depois Ulrich Ott, Diretores) por seu espírito cooperativo e assistência amigável ao longo dos anos, especialmente ao bom amigo Joachim W. Storck por compartilhar sua riqueza de conhecimento sobre os papéis de Heidegger ao longo do projeto, e por seu conselho na localização de material acessível em outros arquivos por toda a Alemanha
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Reconhecem-se com gratidão igualmente estes arquivos e pessoal — o Arquivo Herbert Marcuse na biblioteca da Universidade de Frankfurt, para começar, Barbara Brick, que primeiro compilou os papéis do espólio literário de Marcuse em 1986, e o Dr. Gerhart Powitz, seu administrador atual; o Arquivo Erich Rothacker, Universidade de Bonn (Dr. Hartwig Lohse, Diretor da Biblioteca); o Arquivo Paul Natorp, Universidade de Marburg (Dr. Uwe Bredehorn); o Hessisches Staatsarchiv Marburg (Dr. Inge Auerbach); o Arquivo Universitário em Göttingen (Dr. Ulrich Hunger); o Arquivo Engelbert Krebs, o Arquivo Universitário em Friburgo (Dr. Dieter Speck); a Dilthey Forschungsstelle, Universidade Ruhr de Bochum (Frithjof Rodi, Diretor); o Arquivo Husserl em Lovaina, Bélgica (Samuel IJsseling, Diretor); o Rudolf-Bultmann-Archiv da Universidade de Tübingen (Dr. Friedrich Seck, Arquivista-Chefe), com agradecimentos especiais a Antje Bultmann-Lemke pelo acesso à parte dos papéis de seu pai referente ao jovem Heidegger, e ao Dr. Klaus Müller, guardião europeu desses papéis, por facilitar o caminho; neste país, o Simon Silverman Phenomenology Center na Biblioteca da Duquesne University (Richard Rojcewicz, Diretor Executivo, e Andre Schuwer, Codiretor)
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Assistência erudita veio de colegas na Europa e na América numerosos demais para mencionar, mas agradece-se especialmente a Otto Pöggeler por apoio e conselho inabaláveis ao longo de todo o percurso longo e difícil
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Tom Sheehan foi generoso ao compartilhar os resultados inéditos de seu próprio trabalho “detetivesco”, feito anos antes de se chegar à cena dos arquivos e assumir de onde ele parou, e em seu papel de leitor do manuscrito
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O professor e orientador em assuntos gregos foi Gerald Hawthorne (Wheaton College)
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O financiamento para este projeto decenal veio de numerosas agências — a Fundação Alexander von Humboldt, a Comissão Fulbright da República Federal da Alemanha, o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico, o National Endowment for the Humanities (Divisão de Materiais de Pesquisa e Viagem a Coleções), e a Northern Illinois University (Escola de Pós-Graduação, Faculdade de Artes e Ciências, Departamento de Filosofia)
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Por último, mas não menos importante, gratidão eterna à esposa, Marie, por sua paciência na frente doméstica, sua resistência solidária e apoio duradouro nos ciclos de presença preocupada e ausência no exterior
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