AUTÊNTICA CAPACIDADE DE SER UM TODO E A TEMPORALIDADE COMO SIGNIFICADO DO CUIDADO
KING, Magda; LLEWELYN, John. A guide to Heidegger’s Being and time. New York, NY: State Univ. of New York Press, 2001.
* 1. ANTECIPAÇÃO E RESOLUÇÃO ADIANTADA COMO O MODO AUTÊNTICO DE SER-TODO
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A totalidade autêntica do Dasein é constituída pelo correr adiante para a morte.
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A morte é a possibilidade mais própria, insuperável, certa e indefinida.
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A resolução de uma existência própria tende a tornar-se uma resolução adiantada.
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O chamado da consciência revela o perdimento do Dasein e o individualiza.
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A resolução leva à verdade originária da existência, distinta da verdade do ser.
* 2. A REVELAÇÃO E A CERTEZA NA RESOLUÇÃO
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A resolução revela o Dasein a si mesmo em sua potencialidade fática.
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A situação é dada e assumida ativamente pela resolução, não é um dado prévio.
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A certeza da resolução é manter-se livre para a possibilidade de retomá-la.
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Esta certeza se relaciona com a possibilidade absoluta e certa da morte.
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A verdade existencial certa é o oposto da presença calculável de uma substância.
* 3. CONTRASTE COM A CERTEZA CARTESIANA
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A certeza cartesiana deriva da presença calculável de um sujeito substancial (res cogitans).
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O “eu sou” cartesiano perde a estrutura temporal de “avançar e retornar a si”.
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O fundamento indubitável da modernidade carece ele mesmo de um fundamento originário.
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A perversão da existência em substancialidade brota do irresolução e da fuga.
* 4. A NEGATIDADE E A INDEFINIÇÃO DO SER DO DASEIN
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O encobrimento brota da negatividade inerente ao ser-devedor do Dasein.
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A indefinição essencial da capacidade de ser do Dasein se concretiza na morte.
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A resolução adiantada traz o Dasein diante da possibilidade certa, porém indefinida no “quando”.
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A coragem para a angústia remove o disfarce da entrega do Dasein a si mesmo.
* 5. ATESTAÇÃO DA POSSIBILIDADE ONTOLÓGICA DA TOTALIDADE
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A tendência da resolução é ser modalizada por um ser-para-a-morte autêntico.
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A resolução adiantada é a possibilidade existencial de um ser-todo autêntico.
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O problema ontológico da totalidade está enraizado numa possibilidade ôntica.
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A compreensão cotidiana e decadente não pode julgar as possibilidades autênticas.
* 6. JUSTIFICAÇÃO DA BASE METODOLÓGICA DA ANÁLISE EXISTENCIAL
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Toda interpretação é “violenta” por ter uma estrutura projetiva.
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A interpretação existencial extrai sua evidência da autointerpretação do Dasein.
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A escolha pelo foco na resolução adiantada não é arbitrária, mas exigida pelo Dasein.
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A análise parte do modo como somos, não de um axioma, expondo o que já está na base.
* 7. A ESTRUTURA CIRCULAR DA ONTOLOGIA FUNDAMENTAL
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A ideia de existência e de ser em geral são “pressupostas” na análise.
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Esta circularidade é a estrutura fundamental do cuidado (ser-sempre-adiantado-a-si).
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A crítica à circularidade provém da compreensão decadente do senso comum.
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A ontologia fundamental deve saltar primariamente para este “círculo”.
* 8. CUIDADO E IPSIDADE (SELFHOOOD)
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O problema do self é metodologicamente importante para a unidade do cuidado.
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O “eu” parece manter unida a totalidade estrutural do cuidado.
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A análise da cotidianidade mostrou que o self cotidiano não é o “eu-mesmo” autêntico.
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O fenômeno do self já está compreendido no cuidado, não sendo uma substância.
* 9. ANÁLISE DA DIZIBILIDADE DO “EU” (I-SAGEN) E A CRÍTICA A KANT
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O dizer-eu cotidiano expressa um sujeito simples, substancial e idêntico.
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Kant fixa o conteúdo fenomênico do “eu” no “eu penso”, evitando uma substância ôntica.
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No entanto, Kant recai numa ontologia inadequada da substancialidade.
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Kant não viu o fenômeno do mundo como constitutivo essencial do eu.
* 10. A IPSEIDADE AUTÊNTICA E A TEMPORALIDADE
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A ipseidade autêntica só pode ser explicada a partir da resolução adiantada.
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A constância (Standfestigkeit) do self autêntico se interpreta a partir da temporalidade do cuidado.
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O self autêntico “é” no modo do silêncio e da reticência, não no constante dizer-eu.
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A unidade originária do cuidado ainda precisa ser respondida.
* 11. A TEMPORALIDADE COMO SENTIDO ONTOLÓGICO DO CUIDADO
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O sentido é aquilo em que se sustenta a inteligibilidade de algo.
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A unidade do cuidado (facticidade, existencialidade, decadência) é tornada explícita pela temporalidade.
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A possibilidade da morte afeta e ilumina de modo eminente todo o cuidado.
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O “porvir” (Zukunft) primordial é o vir-a-si do Dasein em sua possibilidade extrema.
* 12. A UNIDADE ÉCSTÁTICA DA TEMPORALIDADE
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A temporalidade se temporaliza a partir do porvir.
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O ter-sido (Gewesenheit) brota do porvir.
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O presente (Augenblick) autêntico é liberado pelo ter-sido que vem.
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Temporalidade é o “fora-de-si” primordial (éxtases: porvir, ter-sido, presente).
* 13. CARACTERÍSTICAS DA TEMPORALIDADE ORIGINÁRIA
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A temporalidade não é um ente, mas se temporaliza.
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A temporalidade é finita: seu porvir primordial é fechado, dirigido à impossibilidade.
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A temporalidade é a condição de possibilidade da estrutura do cuidado.
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O tempo vulgar (infinito, homogêneo) deriva da temporalidade inautêntica.
* 14. PROGRAMA DA REPETIÇÃO TEMPORAL DA ANÁLISE EXISTENCIAL
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A constitutividade da temporalidade deve ser confirmada em todas as estruturas do cuidado.
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A análise seguirá ordem inversa à Primeira Divisão, partindo dos éxtases temporais.
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Os temas serão: temporalidade da cotidianidade, temporalidade da historicidade e intratemporalidade.
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A análise existencial-temporal requer uma nova retomada na discussão do conceito de ser em geral.
