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estudos:grondin:hermeneutica-facticidade-2003

HERMENÊUTICA DA FACTICIDADE (2003)

GRONDIN, Jean. Le tournant herméneutique de la phénoménologie. Paris: PUF, 2003.

  • A designação do pensamento inicial de Martin Heidegger como hermenêutica da facticidade permaneceu largamente inacessível ao público até a publicação tardia dos cursos, circulando apenas através de autocitações e do testemunho de alunos.
    • Alusões em A Caminho da Linguagem e Ser e Tempo.
    • Papel de Hans-Georg Gadamer e Otto Pöggeler na preservação do termo.
    • Publicação do curso de 1923 no volume GA 63 em 1988.
    • Acesso ao Relatório Natorp de 1922.
  • A gênese conceitual da intuição hermenêutica em 1919 revela a influência de Edmund Husserl e estabelece que a experiência humana do mundo ocorre primariamente através de uma camada de significação imediata e não como dado teórico bruto.
    • Conexão entre intuição e a intencionalidade husserliana.
    • Crítica à visão nominalista do mundo como massas em movimento.
    • Caráter intrínseco da significabilidade na vida vivida.
    • Rejeição da ideia de um mundo inicialmente desprovido de sentido.
  • A radicalização do conceito de intuição desloca o foco da hermenêutica da interpretação textual da tradição para a esfera dramática da existência onde o próprio sujeito está constantemente em jogo.
    • Ecos de Wilhelm Dilthey e Edmund Husserl.
    • Motivação existencial da vida fática.
    • Avaliação de Ben Vedder sobre a ruptura com a hermenêutica tradicional.
    • Caracterização do intuir como um compreender interessado.
  • A definição de facticidade caracteriza o Dasein não como um objeto observável posto diante do sujeito, mas como um cumprimento ativo de ser que deve ser compreendido em seu modo transitivo e intransferível.
    • Significado da expressão “a cada vez este Dasein”.
    • Análise etimológica de Gegenstand como o que se opõe.
    • Conceito de Nichtweglaufen ou não fugir de si.
    • Facticidade como exercício e não contemplação.
  • A redefinição da hermenêutica como indicação do modo unitário de acesso à facticidade distancia-se das doutrinas metodológicas modernas para focar na inquietude e no cuidado inerentes à experiência vivida.
    • Centralidade do cuidado ou Sorge.
    • Contraste com Friedrich Schleiermacher e Wilhelm Dilthey.
    • Retorno ao sentido original de Auslegung.
    • Vivência da facticidade no modo do ser-concernido.
  • A escolha do termo hermenêutica justifica-se pela constituição intrínseca do Dasein, que existe necessariamente como um ente capaz de interpretação, necessitado dela e sempre já imerso em uma compreensão de si.
    • Capacidade de interpretação ou auslegungsfähig.
    • Necessidade de interpretação ou auslegungsbedüftig.
    • Existência no interior de uma interpretatividade.
    • Inseparabilidade entre facticidade e autointerpretação.
  • A função emancipatória da hermenêutica consiste em combater a autoalienação da facticidade para despertar o Dasein para uma vigilância radical em relação ao seu próprio caráter de ser.
    • Conceito de Selbstentfremdung ou autoalienação.
    • Objetivo de tornar o Dasein acessível a si mesmo.
    • Noção de vigília radical ou wurzelhafte Wachheit.
    • Alvo na facticidade particular de cada indivíduo.
  • A condição de ausência ou Wegsein característica da vida fática exige uma hermenêutica ofensiva que opera como um rastreamento da alienação e se conecta ao conceito metodológico de destruição.
    • Paradoxo de estar lá sem estar lá.
    • Caráter de ataque da abordagem hermenêutica.
    • Rastreamento das formas de esquiva do Dasein.
    • Introdução do termo Destruktion.
  • A dinâmica interna da facticidade revela uma tensão onde o cuidado de si coexiste com uma tendência constante ao evitamento e ao apaziguamento, manifestando-se como uma queda na inautenticidade.
    • Referência ao Relatório Natorp de 1922.
    • Fenômeno do Verfallen ou decadência.
    • Fuga diante da morte.
    • Busca por tranquilidade ou beruhigen.
  • O acesso à existência, compreendida como o ser acessível a si mesmo da vida fática, exige uma destruição concreta dos motivos de movimento e encobrimentos que caracterizam a tendência à decadência.
    • Apropriação do conceito de existência de Søren Kierkegaard.
    • Persistência da presença da vida mesmo no evitamento.
    • Desconstrução das disposições voluntárias e orientações.
  • A identidade entre hermenêutica e destruição estabelece-se através da tarefa de desmantelar as interpretações dominantes para alcançar as fontes originárias e os motivos ocultos da vida fática.
    • Sinonímia prática entre os dois termos neste contexto.
    • Desfazimento da interpretação recebida.
    • Retorno reconstrutivo às fontes motivadoras.
  • O projeto inicial da hermenêutica da facticidade possui uma orientação existencial radical que visa sacudir o indivíduo para o despertar de si através da destruição das interpretações recebidas.
    • Traços jovens hegelianos da abordagem.
    • Finalidade última do auto-despertar.
    • Radicalização da inquietude sobre si mesmo.
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