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Representação Mental (1991)

2. Representação mental. À suposição clássica de que crenças e desejos fundamentam e explicam o comportamento humano, Descartes acrescenta que, para que possamos perceber, agir e, em geral, nos relacionar com objetos, deve haver algum conteúdo em nossas mentes — alguma representação interna — que nos permita direcionar nossas mentes para cada objeto. Esse “conteúdo intencional” da consciência foi investigado na primeira metade deste século por Husserl e, mais recentemente, por John Searle.

Heidegger questiona a visão de que a experiência é sempre e basicamente uma relação entre um sujeito autônomo com conteúdo mental (o interior) e um objeto independente (o exterior). Heidegger não nega que às vezes nos experimentamos como sujeitos conscientes relacionados a objetos por meio de estados intencionais, como desejos, crenças, percepções, intenções etc., mas ele considera isso uma condição derivada e intermitente que pressupõe uma forma mais fundamental de estar no mundo que não pode ser compreendida em termos de sujeito/objeto.

O cognitivismo, ou modelo de processamento de informações da mente, é a versão mais recente e forte da ideia de representação mental. Ele introduz a ideia de representações formais e, assim, busca explicar a atividade humana em termos de uma combinação complexa de símbolos logicamente independentes que representam elementos, atributos ou primitivos no mundo. Essa abordagem está na base da análise de decisões, da gramática transformacional, da antropologia funcional e da psicologia cognitiva, bem como da crença na possibilidade de programar computadores digitais para exibir inteligência. A visão de Heidegger sobre a natureza não representável e não formalizável do ser-no-mundo questiona duplamente esse modelo computacional da mente.

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